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Archive for the ‘Artes Marciais’ Category

Kyudô – Kyudou

KYUDO

“Uma flecha, uma vida”

Kyudo é o termo japonês para a arte do arco e flecha, em tradução livre: “Caminho do Arco” (Kyu: arco; Do: caminho).

Hoje o Kyudo é um Budo, ou seja, um caminho marcial cujo o principal objetivo é a meditação, filosofia e auto-conhecimento, um meio para se atingir o estado Zen.

Inicialmente o Kyudo era conhecido como Kyujutsu, ou seja, uma técnica marcial, em que a sua utilização tinha como intenção o combate, assim como, dessa mesma forma o arco e a flecha eram instrumentos/armas para guerra.

Com o passar do tempo, das influências budistas, shintoístas e confucionistas, bem como com as influências dos acontecimentos históricos no Japão, o Kyujutsu perdeu seu aspecto beligerante e se tornou, aos poucos, uma Arte Marcial de ampla divulgação e prática entre os japoneses e no mundo.

O Kyujutsu tornou-se Kyudo no período da Segunda Guerra Mundial, quando o governo japonês inseriu a prática dessa arte no currículo escolar. Ao término da guerra, o treino marcial foi suspenso em todo o país, mas posteriormente, retomado, assumindo a forma de Arte Marcial, ou seja, não mais com intenção de combate, mas sim com objetivo de manter as tradições do país, perpetuar a cultura, aprimorar os esportes e inserir o aspecto filosófico e meditativo.

Obviamente essa transição não ocorreu instantaneamente e o Kyujutsu, antes mesmo da Segunda Guerra Mundial, já havia ganhado elementos cerimoniais e contemplativos referente principalmente ao confucionismo e budismo até que culminou no Kyudo.

Atualmente, a Federação Nacional de Kyudo (ANFK) é o órgão que regulamenta as atividades do Kyudo no mundo e estimula a sua prática em locais em que houver interessados. Uma das peculiaridades do Kyudo é a grande adesão do público feminino nessa prática.

No Brasil a prática organizada do Kyudo é recente, datando de 2007, com a fundação da Associação Brasileira de Kyudo por Nobuo Yanai Sensei (2º Dan), Elisa Figueira Senpai (Mudan) e com o apoio de Yoshiko Buchanan Sensei (6º Dan). Nobuo Yanai Sensei é responsável pela Kyudo Kai Brasil, Kyudo Kai Rio de Janeiro e Kyudo Kai Distrito Federal, onde existem treinos semanais e organizados (para saber mais: http://kyudo.bandalo.net e http://kyudokai-df.webnode.com.br )

O Kyudo possui algumas ramificações, estilos, como por exemplo a Honda Ryu criada por Honda Toshizane durante a Era Edo.  Apesar dos diferentes estilos, o formato básico do treino se centra sobre o Hassetsu, os oito passos fundamentais do Caminho do Arco.

Durante a execução de um disparo existe uma preparação cerimonial e complexa em regras e etiquetas a ser seguida pelo praticante, é por meio desses passos que o kyudoca aprende e desenvolve: postura, empunhadura, respiração, concentração, centro de energia, moral, sinceridade, beleza e o aprimoramento pessoal.

Assim, afirma-se que o Kyudo é centrado em três fatores essenciais: Shin, Zen e Bi – Verdade, Bem e Beleza. Por assim dizer, o kyudoca exercita a Verdade, ou seja, por meio do treino com arco e flecha tem visão da realidade da sua vida e do meio em que se encontra. Desenvolve o Bem, pois com as regras e cerimônial ganha a disciplina e a moral inabalável de um praticante de Arte Marcial e, por fim, treina a Beleza dos movimentos, sua firmeza, decisão e serenidade perante o alvo.

Aparentemente o treino do Kyudo pode transparecer algo solitário, com exercícios meditativos e silenciosos, contudo, é uma arte que visa também o crescimento coletivo, dessa forma se dá importância ao treino em conjunto e às trocas de experiência entre os praticantes. Outro ponto que é perfil do Kyudo é a relação estreita entre mestre-discipulo, de extremo respeito e devoção.

Durante a prática do Kyudo, ao contrário do que muitos imaginam, o objetivo não é acertar o alvo ou disparar uma flecha o mais longe possível, mas sim, atingir a perfeição do eu. Dessa forma, não interessa se a flecha atinge o alvo, uma vez que a flecha, o arco, o arqueiro e o alvo, no ápice do exercício, devem ser um só. Este é o princípio do Zen e a premissa do Kyudo. Muito embora o Kyudo tenha como objetivo o aprimoramento espiritual, existem competições de Kyudo, apresentações esportivas e ramificações como o Kyuba (arqueiria montada).

Sobre o aspecto de meditação, recomenda-se a bibliografia: “A arte cavalheiresca do arqueiro Zen” por Eugen Herrigel e “O arqueiro zen e a arte de viver” por Kenneth Kushner. Os dois livros abordam a caracteristica Zen do treino de arco e flecha, Eugen Herrigel mostra com ênfase a relação mestre-discipulo importantíssima ao aprendizado. Já Kenneth Kushner coloca mais em evidência o aspecto formal e técnico, explorando a experiência Zen pelo Hassetsu.

Infelizmente a prática do Kyudo no Brasil ainda é muito restrita, pois é uma arte que exige um Dojo com espaço amplo e adequado para efetuar os disparos, bem como seguro. Além disso, não existe material que não sejam importados dos EUA e do Japão, o que dificulta e aumenta os custos da prática. Embora seja uma arte de apenas uma arma, essa tem seus cuidados e peculiaridades de manutenção, o que exige uma série de acessórios. Mais que isso, a medida que o kyudoca ganha experiência vai necessitando avançar com novos materiais. Apesar disso, são mantido os esforços para que o Kyudo se difunda no território brasileiro, pois o Kyudo também acredita que:

“Assim como com uma vela acesa se acende outra,se transmite o genuíno espírito da arte, de coração a coração, para que eles se iluminem.”

(Eugen Herrigel)

 

Texto gentilmente enviado por Simone Mogami

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O jiu-jitsu, jujutsu ou ju-jitsu(as 3 variantes são escritas com os mesmos Kanji)é uma arte marcial japonesa que utiliza golpes de articulação, como torções de braço, tornozelo e estrangulamentos, para imobilizar o oponente. Inclui também quedas, golpes traumáticos e defesas, como saídas de chaves, esquivas, contra-golpes.

Basicamente usa-se o peso e a força do adversário contra ele mesmo. Essa característica da luta possibilita que um lutador, mesmo sendo menor que o oponente, consiga vencer. Outra característica marcante o diferencia de outras artes: suas avançadas técnicas de luta de chão, com a qual é possível finalizar um adversário por meio de uma projeção e usando-se torções com ambos deitados.

História

A história mais divulgada de praticamente todas as artes marciais orientais se insere na mesma tradição lendária da origem do Zen, ao qual se pretende que estas Artes Marciais estejam ligadas em sua origem: o Zen teve origem na Índia, através da difusão feita por missionários budistas saídos desta região e, nesta linha, se chega à figura lendária de Bodhidharma, indiano que teria sido o 28.º patriarca do Zen, fundador do Monastério Shaolim na China, de onde se teriam originado os estilos de “Kung Fu” (Wu Shu) na China, que teriam sido exportados para o resto do Oriente, nesta clara tentativa de ligar todas as Artes Marciais orientais a esta lendária origem comum com a origem do Zen.

Mas se mesmo esta origem do Zen, na literatura especializada no assunto, é vista pelos estudiosos sérios, como Allan Watts, como tentativa piedosa de traçar uma ligação contínua da tradição com a origem remota na figura do Buda, com muito mais razão o estudioso sério de Artes Marciais deve ser alertado para o perigo de aceitar a Índia ou mesmo a China como “origem” de todos os estilos de luta oriental.

Segundo um especialista do quilate de Donn Draeger, Ph D em Haplologia e especialista em Artes Marciais orientais, “o jujutsu em si é produto japonês”. Para ele, atribuir ao Jujutsu origem mesmo chinesa (sobre a “origem indiana” ele nem cogita) “é o mesmo que atribuir ao inventor da roda o desenvolvimento dos carros modernos”(Donn F. Draeger. Classical Budo. p. 113). Mesmo numa obra escrita por autores da família Gracie, como o livro de Jujutsu do Royce e do Renzo Gracie, vemos uma discussão mais realista sobre esta questão das origens do Jujutsu.

Antigamente havia vários estilos de Jujutsu, e cada clã tinha seu estilo próprio. Por isso o jiu-jitsu era conhecido por vários nomes, tais como: kumiuchi, aiki-ju-jitsu, koppo, gusoku, oshi-no-mawari, yawara, hade, jutai-jutsu, shubaku e outros.

No fim da era Tokugawa, existiam cerca de 700 estilos de Jujutsu, cada qual com características próprias. Alguns davam mais ênfase às projeções ao solo, torções e estrangulamentos, ao passo que outros enfatizavam golpes traumáticos como socos e chutes. A partir de então, cada estilo deu origem ao desenvolvimento de artes marciais conhecidas atualmente de acordo com suas características de luta, entre elas o judô, o caratê e o aikidô.

O Jujutsu era tratado como jóia das mais preciosas do Oriente. Era tão importante na sociedade japonesa que chegou a ser _ por decreto imperial _ proibido de ser ensinado fora do Japão ou aos não japoneses, proibição que atravessou os séculos até a primeira metade do século XX. Era considerado crime de lesa-pátria ensiná-lo aos não japoneses. Quem o fizesse era considerado traidor do Japão, condenado à morte, sua família perdia todos os bens que tivesse e sua moradia era incendiada. Com a introdução da cultura ocidental no Japão, promovida pelo Imperador Meiji (1867-1912), as Artes Marciais caíram em relativo desuso em função do advento das armas de fogo, que ofereciam a possibilidade de eliminação rápida do adversário sem o esforço da luta corporal. As artes de luta só voltaram a ser revalorizadas mais tarde, quando o Ocidente também já apreciava esse tipo de luta.

Por muito tempo, o Jujutsu foi a luta mais praticada no Japão, até o surgimento do Judô, em 1882. O Jujutsu caiu em desuso e perdeu a sua popularidade quando a polícia de Tóquio organizou um combate entre as escolas mais famosas de Judô e Jujutsu que teve por resultado 12 combates de 15 ganhos pelo Judô e um empate. Desta forma a polícia de Tóquio, que resume a sua eficácia a arte marcial pois não usavam armas, escolheu a prática do Judô, desta forma o Judô ganhou fama e popularidade por todo o Japão. Mas o Jujutsu não foi esquecido nem apagado, a sua prática foi mantida viva por algumas escolas. Nos dias de hoje é difícil encontrar a arte marcial antiga e original do Jujutsu pois sofreu algumas variantes e influencias de outras artes marciais de forma a adaptar-se as novas realidades e necessidades dos praticantes.

As principais escolas japonesas de Jujutsu são as seguintes:

* Araki-ryu
* Daito-ryu aiki-jujutsu
* Hontai Yoshin-ryu
* Sekiguchi Shinshin-ryu
* Sosuishitsu-ryu
* Takenouchi-ryu
* Tatsumi-ryu
* Tenjin Shinyo-ryu
* Yagyu Shingan Ryu
* Yoshin Ryu

No Brasil

Em 1917, Mitsuyo Maeda, também conhecido como conde Koma, foi enviado ao Brasil em missão diplomática com o objetivo de receber os imigrantes japoneses e fixá-los no país.Sensei da Academia  Kodokan de judô, Maeda ensinou Carlos Gracie em virtude da afinidade com seu pai, Gastão Gracie. Carlos por sua vez ensinou a seus demais irmãos, em especial a Hélio Gracie. Neste ponto surgem duas teorias. A primeira alega que Maeda ensinou somente o judô de Jigoro Kano a Carlos, e esse o repassou a Hélio, que era o mais franzino dos Gracie, adaptando-o com grande enfoque no Ne-Waza – técnicas de solo do judô, ponto central do jiu-jitsu desportivo brasileiro. Para compensar seu biotipo, a partir dos ensinamentos de Carlos, Hélio aprimorou a parte de solo pelo uso do dispositivo de alavanca, dando-lhe a força extra que o mesmo não dispunha. A segunda teoria, apoiada pelos Gracies, fala que Maeda era, também, exímio praticante de jiu-jitsu antigo, como Jigoro Kano, e foi essa a arte que ensinou ao brasileiros. Porém, em uma recente entrevista, Hélio Gracie afirma que “Carlos lutava judô”. Mas o certo é que o jiu-jitsu tradicional de muito difere do praticado no Brasil atualmente. Este possui mais imobilizações, chaves e finalizações, privilegiando o uso da técnica em detrimento da força.

Na atualidade

Actualmente ainda se pratica o jujutsu associado aos samurais do antigo Japão. Note-se que no caso dessa arte tradicional as palavras ju (flexibilidade, gentil, suave) e jutsu (arte) são diferentes das jiu-jitsu mais utilizadas para classificar o chamado jiu-jitsu brasileiro, criado pelos irmãos Gracie. Crê-se que essa vertente tenha sido propagada na Europa por Minuro Mochizuki.

No caso do jujutsu tradicional são utilizadas armas como o tanto (faca), o tambo (bastão), o kubotan ou kashinobo (semelhante a uma caneta), a tonfa (utilizada pelas forças policiais), o bo (bastão comprido) e a katana, entre outros.

Tendo a vertente de defesa pessoal, militar ou policial compreende técnicas de batimento, projeção, imobilização, controle, estrangulamento e reanimação, além de poder ser combinado com as técnicas de massagem terapêutica (shiatsu ou seitai).

A maior diferença entre os estilos tradicional e brasileiro talvez seja o uso de diferentes armas (bukiwaza) e também uma menor utilização da luta no chão no jujutsu tradicional, sendo que esse utiliza também técnicas de controle como o hojojutsu. Nessa arte também as graduações são diferentes, além de um maior vínculo aos usos e tradições japonesas. A ligação ao mestre é muito forte e são utilizadas com muita freqüências expressões e nomes japoneses no tocante às técnicas.

Fonte: Wikipedia(com adaptações)

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Mokuso

Mokuso é simplesmente ser, sem fazer nada – nenhuma ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é puro prazer. De onde vem esse profundo prazer, quando você não está fazendo nada? Não vem de lugar nenhum, ou vem de toda parte. Ele é não-motivado, porque a existência é feita de uma matéria chamada alegria.

Quando você não está fazendo absolutamente nada – corporalmente, mentalmente, em nenhum nível – quando toda a atividade cessou e você simplesmente é, apenas sendo, isso é Mokuso. Você não pode fazê-la, você não pode praticá-la: você tem apenas que compreendê-la. Nas aulas de Aikido praticamos Mokuso como um exercicio no começo e no final da aula, porém ela deve ser Praticada durante todo o período que entramos no Tatami e no final devemos entender a pratica para nossa vida. Sempre que você encontrar tempo para apenas ser, abandone todo o fazer. Pensar também é um fazer, concentração também é um fazer, contemplação também é um fazer. Mesmo que apenas por um único momento você fique sem fazer nada, simplesmente permanecendo no seu centro, totalmente relaxado – isso é mokuso. E uma vez que você tenha descoberto o jeito, você pode permanecer nesse estado tanto tempo quanto quiser; finalmente você poderá permanecer nesse estado durante as vinte e quatro horas do dia.

Uma vez que você se tomou consciente de como seu ser pode permanecer imperturbado, então, vagarosamente, você pode começar a fazer coisas, mantendo-se alerta para que seu ser não se agite. Essa é a segunda parte de Mokuso – primeiro, aprender simplesmente a ser, sentado em Seiza com os olhos semi abertos, deixando os pensamentos passarem sem se fixar em nada, simplesmente observando em estado de alerta. Depois levar este estado durante a apresentação das técnicas.
A ideia é levar este estado para o dia a die e então aprender pequenas ações: limpar o chão, tomar um banho, mas permanecendo centrado. Então você poderá fazer coisas mais complicadas.

Por exemplo, eu estou falando com você, mas o meu ” mokuso!, não deve ser perturbado. O Aikidoista pode continuar falando, mas lá no seu centro não há nem sequer uma pequena ondulação; ele está absolutamente silencioso, completamente silencioso.

Assim, a meditação não é contra a ação. Não é que você tenha que escapar da vida. Ela simplesmente lhe ensina uma nova maneira de vida: você se toma o centro do ciclone. Este estado o treinamento correto do Aikido deve levar o praticante. Por esta razão é necessário se conhecer a técnica correta e Ter um professor experimentado para avisar o Praticante quando ele está se distanciando deste objetivo.

A sua vida continua, continua de uma maneira muito mais intensa – com mais alegria, com mais claridade, mais visão, mais criatividade – todavia você está distanciado, apenas um observador nas colinas, simplesmente assistindo o que está acontecendo ao seu redor.

Você não é o que faz, você é o observador mas ao mesmo tempo faz tudo. Quanto se vai executar Jiu Waza e vários atacantes lhe vem em encontro , o estado de Mokuso lhe permite Observar todos os movimentos dos oponentes e voce os sente como partes de seu proprio corpo, em uma grande ligação Harmonica. Aí é possível de defender e realizar técnicas eficientes de defesa pessoal.

Esse é todo o segredo de Mokuso, você se toma o observador. O fazer continua em seu próprio nível, não há nenhum problema: cortar madeira, tirar água do poço. Você pode fazer coisas pequenas e coisas grandes; só uma coisa não é permitida, e isso significa: seu centramento não pode se perder.

Essa consciência, esse estado de observação deve permanecer absolutamente desanuviado, imperturbado.

Se um galo está cantando… você está ouvindo. São dois elementos: objeto e sujeito. Mas você não pode ver uma testemunha que está vendo ambos? O galo o ouvinte, e ainda há alguém que está observando ambos. É um fenômeno tão simples!

Você está vendo uma árvore: você está aí, a árvore está aí, mas será que você não pode encontrar alguma coisa mais? – que você está vendo a árvore e que há uma testemunha em você que está vendo você vendo a árvore.

Observação em estado de alerta é mokuso. O que você observa é irrelevante. Você pode observar as árvores, pode observar o rio, pode observar as nuvens, pode observar as crianças brincando. Observação é mokuso. O que você observa não é a questão; o objeto não é a questão.

A qualidade do estado de Mokuso, o Zanchin, , a qualidade de estar consciente, alerta – é isso o que definirá o verdadeiro nível de seu aikido e de sua capacidade em se ligar com o Universo.

Lembre-se de uma coisa: Mokuso significa consciência. O que quer que você faça com consciencia em estado de Zanchin é Mokuso. A ação não é a questão, mas a qualidade que você traz para a ação. O caminhar pode ser Mokuso, se você caminha alerta. Sentar-se pode ser Mokuso, se você senta-se alerta. Ouvir os pássaros pode ser mokuso , se você ouve com consciência. Simplesmente ouvir o barulho interior da sua mente pode ser mokuso, se você permanece alerta e observador é isto que se faz no começo e no principio das aulas de Aikido do Instituto Takemussu e em quase todos os dojos tradicionais do mundo que herdaram os ensinamentos de Morihei Ueshiba.

A questão toda se resume em não mover-se adormecido. Então o que quer que você faça é Mokuso.

O primeiro passo para a consciência é tomar-se muito atento ao seu corpo. É muito importante os treinamentos iniciais do Aikido quando se faz os movimentos individuais. Pouco a pouco, a pessoa vai se tomando alerta para cada gesto, cada movimento e pode começar a praticar este estado quando estiver praticando com o parceiro, e, à medida que você vai se tomando consciente, um milagre começa a acontecer: muitas coisas que você costumava fazer antes, simplesmente desaparecem; seu corpo se torna mais relaxado, seu corpo se torna mais harmonizado. Uma paz profunda começa a prevalecer até mesmo no seu corpo, uma música sutil pulsa em seu corpo.

Então, comece a se tomar consciente de seus pensamentos; o mesmo tem que ser feito com os pensamentos. Eles são mais sutis do que o corpo e, naturalmente, mais perigosos também. E quando você se toma consciente de seus pensamentos, você fica surpreso com o que se passa dentro de você. Se você anotar o que quer que passe em sua mente em qualquer momento, você nem pode imaginar que grande surpresa o espera. Você não acreditará que tudo isso está se passando dentro de você.

No cotidiano não estamos alertas, toda esta loucura mental de pensamentos continua movendo-se como uma corrente subterrânea. Ela afeta o que quer que você esteja fazendo, afeta o que quer que você não esteja fazendo; afeta tudo. E a soma total vai ser a sua vida!. Assim sendo, esse homem louco tem que ser transformado. E o milagre da consciência é que você não precisa fazer nada exceto apenas tomar-se alerta. Daí ser fundamental ao se praticar Aikido imaginar que podemos ser atacados a qualquer instante de qualquer lado. Isto vai nos obrigar a praticar Mokuso.

O próprio fenômeno de observar a mente, a transforma. Pouco a pouco o homem louco desaparece, pouco a pouco os pensamentos começam a cair em um certo padrão; seu caos não existe mais, eles se tomam mais como um cosmo. E então, novamente, prevalece uma profunda paz. E quando seu corpo e sua mente estiverem em paz, você verá que eles estão sintonizados um com o outro, há uma ponte. Agora eles não se movem em direções diferentes, eles não estão galopando em cavalos diferentes. Pela primeira vez há acordo, e esse acordo ajuda tremendamente a trabalhar o terceiro passo que é tomar-se consciente dos seus sentimentos, emoções.

Esta é a camada mais sutil e a mais difícil, mas se você pode estar consciente dos pensamentos, então basta apenas mais um passo. Uma consciência um pouco mais intensa é necessária e você começa a refletir suas emoções, seus sentimentos. Uma vez que você ganhou consciência em todos esses três passos, eles se juntam todos em um fenômeno. E quando todos esses três são um – funcionando juntos perfeitamente, zunindo juntos, você pode sentir a música de todos os três; eles se tomam uma orquestra – então o quarto, aquilo que você não pode fazer, acontece. Acontece por sua própria conta. E um presente do todo, é uma recompensa para aqueles que passaram por estes três.

E o quarto é a consciência definitiva, que o toma a pessoa acordada. Ela toma-se consciente da própria consciência e se torna um verdadeiro mestre de Aikido um shihan. Não um shihan que recebeu titulos por politica, mas aquele que recebeu o titulo do proprio universo, por estar Em harmonia com a Natureza.

O corpo conhece o prazer, a mente conhece a felicidade, o coração conhece a alegria, o quarto conhece a sabedoria de viver..

A coisa importante é que você seja observador, que você não tenha se esquecido de observar que você está observando … observando …. observando. E pouco a pouco, à medida que o observador se toma mais e mais sólido, estável, seguro, uma transformação acontece. As coisas que você esteve observando desaparecem.
Pela primeira vez, o próprio vigia se toma o vigiado, o próprio observador se toma o observado. Você chegou em casa se tornou um mestre!


Fonte: http://www.aikikai.org.br/ – Adaptado pelo prof. Wagner Bull

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Judo

Judo (caminho suave, em língua japonesa) é uma arte marcial praticada como desporto, fundada por Jigoro Kano em 1882. Os seus objetivos são fortalecer o físico, a mente e o espírito de forma integrada, para além de desenvolver técnicas de defesa pessoal.

Jigoro Kano


O Judo teve uma grande aceitação em todo o mundo, pois Kano conseguiu reunir a essência do jujutsu, arte marcial praticada pelos bushi, ou cavaleiros durante o período Kamakura (1185-1333), a outras artes de luta praticadas no Oriente e fundi-las numa única e básica. O Judô foi considerado desporto oficial no Japão nos finais do século XIX e a polícia nipônica introduziu-o nos seus treinos. O primeiro clube judoca na Europa foi o londrino Budokway (1918).

A vestimenta utilizada nessa modalidade é o keikogi (não confundir com kimono), que no judô recebe o nome de judogi, e que com o cinturão forma o equipamento necessário à sua prática. O judogi pode ser branco ou azul, ainda que o azul seja quase apenas utilizado para facilitar as arbitragens em campeonatos oficiais.

Com milhares de praticantes e federações espalhados pelo mundo, o judô se tornou um dos esportes mais praticados, representando um nicho de mercado fiel e bem definido. Não restringindo seus adeptos a homens com vigor físico e estendendo seus ensinamentos para mulheres, crianças e idosos, o judô teve um aumento significativo no número de praticantes.

Sua técnica utiliza basicamente a força e peso do oponente contra ele. Palavras ditas por mestre Kano para definir a luta: “arte em que se usa ao máximo a força física e espiritual”. A vitória, ainda segundo seu mestre fundador, representa um fortalecimento espiritual.

Em 1864, o comodoro Matthew Perry, comandante de uma expedição naval americana, conseguiu fazer com que os japoneses abrissem seus portos ao mundo com o tratado “Comércio, Paz e Amizade”. Abrindo seus portos para o ocidente, surgiu na Terra do Sol Nascente uma tremenda transformação político-social, denominada Era Meiji ou “Renascença Japonesa”, promovido pelo imperador Matsuhito Meiji (1868-1912). Anteriormente, o imperador exercia sobre o povo influência e poderes espirituais, porém com a “Renascença Japonesa” ele passou a ser o verdadeiro comandante da Terra das Cerejeiras.

Nessa dinâmica época de transformações e inovações radicais, os nipônicos ficaram ávidos por modernizar-se e adquirir a cultura ocidental. Tudo aquilo que era tradicional ficou um pouco esquecido, ou melhor, quase que totalmente renegado. Os mestres do jujutsu perderam as suas posições oficiais e viram-se forçados a procurar emprego em outros lugares. Muitos se voltaram então para a luta e exibição em feiras.

A ordem proibindo os samurai de usar espadas em 1871 assinalou um declínio em todas as artes marciais, e o jujutsu não foi uma exceção, sendo considerado como uma relíquia do passado. Como não era difícil acreditar, tempos depois surgiu uma onda contrária às inovações radicais. Havia terminada a onda chamada febre ocidental. O jujutsu foi recolocado na sua posição de arte marcial, tendo o seu valor reconhecido, principalmente pela polícia e pela marinha. Apesar de sua indiscutível eficiência para a defesa pessoal, o antigo jujutsu não podia ser considerado um esporte, muito menos ser praticado como tal. Não haviam regras tratadas pedagogicamente e nem mesmo padronizadas.

Os professores ensinavam às crianças os denominados golpes mortais e os traumatizantes e perigosos golpes baixos. Sendo assim, quase sempre, os alunos menos experientes, machucavam-se seriamente. Valendo-se das suas superioridades físicas, os maiores chegavam a espancar os menores e mais fracos. Tudo isso fazia com que o jujutsu gozasse de uma certa impopularidade, logicamente, entre as pessoas esclarecidas e que possuíssem um pouco de bom senso. O jujutsu entrava em outra fase de decadência.

Baseado nesses inconvenientes, Jigoro Kano, um jovem que na adolescência se sentia inferiorizado sempre que precisasse desprender muita energia física para resolver um problema, resolveu modificar o tradicional jiu-jitsu, unificando os diferentes sistemas, transformando-o em um poderoso veículo de educação física.

Pessoa de alta cultura geral, ele era um esforçado cultor de jujutsu. Procurando encontrar explicações científicas aos golpes, baseados em leis de dinâmica, ação e reação, selecionou e classificou as melhores técnicas dos vários sistemas de jujutsu, dando ênfase principalmente no ataque aos pontos vitais e nas lutas de solo do estilo Tenshin-Shinyo-Ryu e nos golpes de projeção do estilo Kito-Ryu. Inseriu princípios básicos como o do equilíbrio, gravidade e sistema de alavancas nas execuções dos movimentos lógicos.

Estabeleceu normas a fim de tornar o aprendizado mais fácil e racional. Idealizou regras para um confronto esportivo, baseado no espírito do ippon-shobu(luta pelo ponto completo). Procurou demonstrar que o jujutsu aprimorado, além de sua utilização para defesa pessoal, poderia oferecer aos praticantes, extraordinárias oportunidades no sentido de serem superadas as próprias limitações do ser humano.

Jigoro Kano tentava dar maior expressão à lenda de origem do estilo Yoshin-Ryu (Escola do Coração de Salgueiro), esta se baseava no princípio de “ceder para vencer”, utilizando a não resistência para controlar, desequilibrar e vencer o adversário com o mínimo de esforço. Em um combate o praticante tinha como o único objetivo à vitória. No entender de Kano, isso era totalmente errado. Uma atividade física deveria servir em primeiro lugar, para a educação global dos praticantes. Os cultores profissionais do jujutsu não aceitavam tal concepção. Para eles o verdadeiro espírito do jujutsu era o shin-ken-shobu (vencer ou morrer, lutar até a morte).

Os princípios que inspiraram Jigoro Kano quando da idealização do judô foram os três seguintes:

* Princípio da Máxima Eficácia do Corpo e do Espírito (Seiryoku Zen’Yo)
* Princípio da Prosperidade e Benefícios Mútuos (Jita Kyoei)
* Princípio da Suavidade (Ju)

Diz a lenda que um médico e filósofo japonês, Shirobei-Akyama, estava convencido que a origem dos males humanos seria resultado da má utilização do corpo e do espírito. Deste modo partiu para estudos de técnicas terapêuticas chinesas, estudou o princípio do taoísmo, acupuntura e algumas técnicas de wushu, luta chinesa que usava as projeções, as luxações e os golpes. Quando Shirobei retornou ao Japão passou a ensinar seus discípulos o que havia assimilado do princípio positivo da filosofia taoísta, tanto na medicina como na luta, ou seja, ao mal ele opunha o mal, à força, a força. No entanto este princípio só se aplicava a doenças menos complexas como em situações fáceis de lutas, ao enfrentar um oponente mais forte não dava resultados. Assim, seus discípulos o abandonaram e ele perplexo retirou-se para um pequeno templo e por cem dias meditou. Durante este espaço, tudo foi colocado em questão, a filosofia chinesa ying e yang, a acupuntura e por fim todos os métodos de combate, na medida que “opor uma ação a outra ação não é vantajoso a não ser que a minha força seja superior à força adversa”. Certo dia quando passeava no jardim doa templo enquanto nevava, escutava os estalidos dos galhos das cerejeiras que se quebravam sob ao peso da neve. Por outro lado, observou um salgueiro que com o peso da neve curvava os seus ramos até que a neve era depositada no solo e depois retornava a sua posição inicial.

Por suas idéias, Jigoro Kano era desafiado e desacatado insistentemente pelos educadores da época, mas não mediu esforços para idealizar o novo jujutsu, diferente, mais completo, mais eficaz, muito mais objetivo e racional, denominado de judô, e transformando-o num poderoso veículo de educação física. Chamando o seu novo sistema de judô, ele pretendeu elevar o termo “jutsu” (arte ou prática) para “do”, ou seja, para caminho ou via, dando a entender que não se tratava apenas de mudança de nomes, mas que o seu novo sistema repousava sobre uma fundamentação filosófica.

Em fevereiro de 1882, no templo de Eishoji de Kita Inaritcho, bairro de Shimoya em Tóquio, Jigoro Kano inaugura sua primeira escola de Judô, denominada Kodokan (Instituto do Caminho da Fraternidade), já que “Ko” significa fraternidade, irmandade; “Do” significa caminho, via; e “Kan” instituto.

Judo no Brasil

O judô surgiu no Brasil por volta de 1922, através de Thayan Lauzin . O conde Coma (Mitsuyo Maeda), como também era conhecido, fez sua primeira apresentação no país em Porto Alegre. Partiu para as demonstrações pelos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, transferindo-se depois para o Pará em outubro de 1915[1], onde popularizou seus conhecimentos dessa arte. Outros mestres também faziam exibições e aceitavam desafios em locais públicos. Mas foi um início difícil para um esporte que viria a se tornar tão difundido.

Um fator decisivo na história do judô foi a chegada ao país de um grupo de nipônicos em 1938. Tinham como líder o professor Riuzo Ogawa e fundaram a Academia Ogawa, com o objetivo de aprimorar a cultura física, moral e espiritual, por meio do esporte do quimono. Apesar de Riuzo Ogawa ser um mestre de jujutsu tradicional, chamou de Judô a arte marcial que lecionava quando este nome se popularizou. Portanto, ensinava um estilo que não era exatamente o Kodokan Judo, o que não diminui sua enorme contribuição ao começo do Judô no Brasil. Daí por diante disseminaram-se a cultura e os ensinamentos do mestre Jigoro Kano e em 18 de março de 1969 era fundada a Confederação Brasileira de Judô, sendo reconhecida por decreto em 1972. Hoje em dia o judô é ensinado em academias e clubes e reconhecido como um esporte saudável que não está relacionado à violência. Esse processo culminou com a grande oferta de bons lutadores brasileiros atualmente, tendo conseguido diversos títulos internacionais.

Técnicas

Na aplicação de waza (técnicas), tori é quem aplica a técnica e uke é aquele em que a técnica é aplicada. As técnicas do judô classificam-se em:

* Nage-Waza (técnicas de arremesso)
* Tachi-Waza (técnicas em pé)
* Te-Waza (técnicas de braço)
* Koshi-Waza (técnicas de quadril)
* Ashi-Waza (técnicas de perna)
* Sutemi-Waza (técnicas de sacrifício)
* Mae-sutemi-Waza (técnicas de sacrifício para frente)
* Yoko-sutemi-Waza (técnicas de sacrifício para o lado)
* Katame-Waza (técnicas de domínio no solo)
* Ossaekomi-Waza ou Ossae-Waza (técnicas de imobilização)
* Shime-Waza (técnicas de estrangulamento)
* Kansetsu-Waza (técnicas de luxação)

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Aikido

O Aikido, é uma arte marcial criada no Japão nas décadas de 1920 pelo mestre Morihei Ueshiba (1883-1969)(foto abaixo), a quem os praticantes desta arte respeitosamente chamam Ô-Sensei (“grande mestre”) ou fundador (a expressão sensei quer dizer aquele que sabe). Ueshiba concebeu o Aikido a partir da sua experiência com dezenas de artes marciais, sendo as principais o daito-ryu aikijujutsu, com sensei Sokaku Takeda, o kenjutsujojutsu (técnica da espada) e o (técnica do bastão curto), sendo outro de seus mestres Onisaburo Deguchi, líder da seita Oomoto-kyo, no Japão. Seus sucessores principais no Aikido foram Kishomaru Ueshiba (1921 – 1999) e Moriteru Ueshiba (1951)

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O termo aikido é composto por três caracteres kanji:

  • Ai : harmonia
  • Ki : energia
  •  : caminho

Em tradução livre, “caminho da harmonização das energias”.

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Na sua teoria espiritual, parte fundamental da luta, o Aikido busca a harmonia dos seres com uma energia universal chamada Ki, comum as práticas zen e ao yoga. Este termo não tem uma tradução estrita para o português, podendo denotar diversos conceitos: respiração, sopro vital, espírito, energia ou intenção (nas imagens quem está aplicando a técnica é denominado tori ou nage e quem sofre a aplicação é chamado uke).

    Todos os movimentos do Aikido, seguem as leis da natureza; são cheios de vigor e força, sem forçar de forma alguma nossos movimentos naturais. Consequentemente, pessoas de todas as idades e de ambos os sexos sentem-se atraídas pelo Aikido como uma forma ideal para temperar, forjar e treinar a mente e o corpo. Nas aulas práticas, usa-se a didática do método repetitivo (reiterada repetição de uma mesma técnica), ao invés do método competitivo.O Aikido é mais do que esporte, porque não busca objetivos relativos como o de uma competição, mas busca, isto sim, os valores absolutos que transcendem os desejos de glória pessoal.

Segundo mestre Ueshiba:

    “O Aikido não é uma técnica para lutar contra um inimigo ou derrotá-lo. É uma maneira de conciliar as diferenças que existem no mundo e fazer dos seres humanos uma família. Significa que o segredo do Aikido é a busca da harmonia com o Universo, é tornar-nos unos com o Universo. Seus praticantes devem buscar esse entendimento por meio de treinamento diário”.

 O termo aiki refere-se ao princípio da luta de absorver o movimento dos atacantes para controlar suas ações com o mínimo esforço. Se inspira no Tao ou o todo ou o caminho, não se admitindo competição e onde o treino procura desenvolver sentimentos de fraternidade e cooperação. Baseia-se em movimentos fluidos e circulares.

 

 (Fonte: Wikipedia e Instituto Maruyama de Aikido)

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Seiza

Seiza e a Tranquilidade

A maneira dos japoneses se sentarem sobre os calcanhares, com uma mão sobre a outra, conhecida como nipon-za (postura japonesa), é um tipo de seiza. Diz-se que só os japoneses sentam em tal posição. Mas tal postura é praticada por qualquer pessoa que se dedique à cerimônia do chá, ao teatro nô ou ao bailado japonês. Muitas vezes, em trens e ônibus, deparamos com japoneses sentados nessa posição. Houve época em que o nipon-za foi quase abandonado no Japão, mas, quiçá pela influência do zen-budismo, vem sendo novamente adotado em todo o mundo.
Na postura, ou seiza, conhecida por nipon-za, as pessoas se sentam sobre os calcanhares, de pernas dobradas. Os homens deixam os joelhos abertos de modo que entre eles possam passar dois punhos fechados e meio; as mulheres, dois punhos. Quando sentamos por pouco tempo, colocamos o peito do pé direito para baixo e apoiamos o peito do pé esquerdo sobre a sola do pé direito. Quando sentamos por longo tempo, o dedão do pé direito é colocado por baixo do pé esquerdo e de vez em quando invertem-se as posições. As mãos descansam sobre o baixo-ventre, a mão direita por baixo. Entretanto, o ponto crucial está na parte superior do corpo: o tronco deve ficar bem ereto e todos os músculos relaxados, exceto os do baixo ventre, que precisam estar bem tensionados.
Sei significa tranqüilidade. É nossa intenção expor alguns aspectos deste conceito de tranqüilidade. O ideograma sei tem um grande número de significados, dentre os quais destacamos os mais amplos:

  1. repouso, antônimo de dô (movimento); diz-se de algo que está firme e imóvel.
  2. estar calado, antônimo de ken (vozerio).
  3. calmo, tranqüilo.
  4. correto, polido.
  5. descansar.
  6. tornar-se claro, transparente.
  7. abrandar-se, amolecer.
  8. valoroso.

Tais sentidos podem ser observados em uma série de palavras compostas como sei-i (vontade serena), sei-kan (visão serena), sei-za (prática de meditação que é feita sentando-se imóvel); sei-shi (contemplação), sei-jaku (concentração), sei-yô (cura, recuperação), etc.
Falaremos de seiza e seishi. Seiza é sentar-se numa atitude calma, tranqüilidade, repouso, silêncio e transparência, ao passo que seishi é um estado de espírito calmo, transparente e correto. Seiza é, então, a expressão de quietude do corpo, ao passo que seishi exprime a tranqüilidade do espírito. Temos assim expressada a quietude dos dois aspectos que fazem o ser humano: corpo e espírito. As duas palavras expressam a quietude do ser humano.
Como os japoneses passaram a usar tal sistema de seiza? Foi por influência do zen. Entre as mais primorosas manifestações da cultura japonesa, que chamam a atenção das pessoas de todo o mundo, vemos o teatro nô, o poema haikai, o arranjo floral ikebana e a cerimônia do chá. Todas essas artes datam de um período que se estende dos fins do século XIV até o século XVI (Período Muromachi), no qual o zen foi totalmente incorporado à vida prática.
Nos tempos antigos, os japoneses não viviam sobre esteiras; sentavam em cadeiras ou de pernas cruzadas sobre o chão de terra batida. Mas gradual progresso foi transformando essas posturas, principalmente depois da classe guerreira dos samurais tomar o poder político. Talvez porque o sentimento de impermanência das coisas, originado na vida do guerreiro sempre exposto a muitos perigos, levasse os samurais a procurar uma resposta para o problema de como viver. Assim, eles praticaram o zen e logo formularam o Bushido, código de honra samurai. Essa atitude dos guerreiros, de dedicação ao zen, foi se popularizando, e depois dos agitados anos de guerra civil do século XIV, na Era Muromachi, generalizou-se e o uso de cadeiras foi completamente substituído pelo seiza. Aí então brotaram e cresceram os elementos culturais acima mencionados. Podemos dizer que a cultura japonesa é a “cultura do seiza”.
Um elemento importante no processo de substituição das cadeiras por essa postura foi o código de etiqueta dos samurais. Organizado por Sadamung Ogasawara, sob a orientação do monge chinês naturalizado japonês Socho, sofreu pequenas alterações na época do shogun Yoshimitsu Ashikaga e tornou-se, enfim, o código oficial da classe guerreira, com o nome de Sangi-ito, conhecido vulgarmente como estilo Ogasawara de etiqueta.
Entre as várias formas de praticar a meditação zen existe a bosatsu-za, ou postura do bodisatva, que consiste em sentar sobre os calcanhares. Essa postura se transformou no nipon-za provavelmente pelo fato do código de honra dos samurais ser calcado nas virtudes do bodisatva, aquele que no seio da comunidade humana se esforça na prática e na difusão dos ensinamentos de Buda. Para manter uma posição na qual se está sempre pronto para instantaneamente atender ao apelo de outrem é preciso a maior calma, até para discernir os ruídos exteriores. Senta-se sobre os calcanhares, sem cruzar as pernas, para conseguir esses dois objetivos. Os guerreiros, que como um bodisatva precisavam responder imediatamente a apelos diversos, manifestaram um grande interesse por essa postura. O uso das esteiras tatami tornou-se comum no início do século XVII. Assim que as vantagens do seiza foram reconhecidas pelos guerreiros, sua prática passou a ser obrigatória no treinamento das artes militares. Os elementos da cultura japonesa são qualificados com a palavra “caminho” � caminho das artes militares, caminho das flores, caminho do chá, etc. Todos eles são aperfeiçoados e sublimados graças ao emprego do seiza.
Certa vez, numa escola de Formosa, investigando as relações entre a disposição mental e a prática do seiza, pediu-se aos professores de judô e esgrima que adiassem o ensino de suas respectivas artes aos alunos recém-matriculados, que foram exercitados na prática do seiza. Os alunos chineses não tinham nenhuma experiência no seiza. Alguns sofriam bastante com apenas cinco minutos de prática, empalidecendo e caindo, ou então expelindo gases. Com perseverança, passaram a tolerar dez, quinze, trinta minutos. Precisaram de dois anos para agüentar uma hora. Depois de adestrados no seiza, passaram ao aprendizado das técnicas. No fim do terceiro ano, muitos, além de alcançarem melhores resultados nos estudos, tinham obtido graus de judô e esgrima. Quando esses alunos chegaram ao quinto ano, foram infelizmente derrotados na competição de esgrima, mas venceram todos os competidores de Formosa no judô e representaram Formosa no Campeonato de Educação Física do Santuário Meiji. Os naturais de Formosa, até então considerados pouco fortes, foram assim recebidos no mundo das artes militares. Esse exemplo é suficiente para mostrar quão útil é o seiza para o aprimoramento do corpo e da mente. Com isso nós podemos compreender a disposição de espírito com que os samurais praticavam o seiza.
Como o zen é a alma mater do seiza? Nos fins da Segunda Guerra Mundial, intelectuais do mundo inteiro, transcendendo o sectarismo religioso, passaram a demonstrar profundo e especial interesse pela maneira zen do homem viver a vida. Isso levou a um verdadeiro boom do zen, que passou a atrair intensamente a atenção das pessoas. Em muitas universidades dos Estados Unidos, de Los Angeles a Cincinati, há professores publicando trabalhos minuciosos sobre zen. O Dr. Clark, do laboratório de psicologia infantil de Detroit, vem realizando trabalhos práticos sobre a utilização do zen na terapia de distúrbios mentais, abrindo, assim, um novo caminho para o zen. Misako Miyamoto, professora de uma universidade feminina japonesa, que realizou tais estudos na América do Norte, publicou um apanhado geral dos mesmos em Psychologia, revista internacional de psicologia do Oriente. Fala ela de seu espanto por ter estudado o zen nos Estados Unidos e manifesta vergonha pelo fato de só no estrangeiro lhe terem ensinado o que há de bom em sua própria cultura. Assim, nos Estados Unidos já foi ultrapassada a fase dos meros estudos e se atingiu a da utilização prática do zen. A teoria de Freud explica as reações psicológicas humanas pelos instintos, mas a moderna psicologia americana já reconhece, além dos instintos, algo real que toca a vida do ser humano. Parece que muitos pensam que o zen é o único caminho que levará ao reconhecimento desse “algo”.

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A revista Kyoiko to Igaku (Educação e Medicina) relatou o seguinte fato: em lares ingleses da classe média para cima, as crianças não aprendem boas maneiras sob coerção, obrigadas a fazerem determinadas coisas e a se absterem de outras. A partir dos três anos, as mães fazem os filhos praticarem seiza consigo, sentados em cadeiras, eretos, calados, respirando ritmicamente. Essa prática diária pode continuar até os vinte anos e chega a ter uma hora de duração. Considera-se, então, terminado o aprendizado de boas maneiras. Diante da ineficácia da coerção externa, procura-se levar o educado a espontaneamente manifestar o desejo de praticar boas maneiras. Aí encontramos uma proximidade entre o Oriente e a Inglaterra, ao que tudo indica por influência do Bushido. No seiza, a parte superior do corpo é mais importante que as pernas, e este relato, que nos informa sobre uma utilização pouco conhecida do seiza, demonstra essa afirmação.
O termo zen vem do sânscrito diana, que na China modificou-se para zen-na, vindo posteriormente a ser abreviado para zen. Zen-na foi traduzido para “pensamento tranqüilo”. Os antigos comparavam a mente à água dentro de uma vasilha, e diziam: Quando a vasilha se move a água se agita, mas quando fica imóvel o líquido fica tranqüilo. Daí a idéia da prática do seiza, que passou a ser considerado o método correto para a abtenção da tranqüilidade mental. Isso porque, quando se está em pé, o centro de gravidade do nosso corpo se acha em posição elevada, sem estabilidade suficiente, o que acarreta um estado de inquietude mental. E, quando se deita, a estabilidade do corpo é excessiva e provoca quietude mental também exagerada, gerando sonolência. Quando se dorme, obviamente não se está no estado de quietude mental visado. Quando tomamos a posição sentada, porém, obtemos o grau ideal de estabilidade física e mental, o estado de quietude mental mais conveniente.
Além da posição sentada, buscaram-se condições ideais para a obtenção da quietude mental. Verificou-se que, de olhos fechados, o praticante tem a sensação de estar balançando e se torna mais propenso ao sono. Por isso, os olhos devem ficar sempre abertos. Como não é bom que o corpo fique apertado, aconselha-se também que as vestes sejam folgadas. Recomenda-se ainda que a coluna vertebral fique rigorosamente na vertical e que seja aumentada a quantidade de ar inspirada no processo respiratório. Para isso, o ideal é a respiração abdominal. Assim, pouco a pouco os antigos foram estabelecendo a posição e as regras propícias para o seiza.
Que esclarecimentos nos dá a ciência moderna sobre o seiza? Vejamos primeiramente a respiração. Ela começa por ocasião do nascimento, quando o ar penetra no interior do corpo do bebê, produzindo seu primeiro vagido. A vida depende da respiração. O fim da respiração é um dos sinais da morte, fim da vida. Existe uma profunda relação entre respiração e saúde. Para ter uma vida longa, é necessário ter uma respiração profunda. Corpo e mente entram em quietude e são criadas melhores condições para a vida.
Um adulto saudável respira doze vezes por minuto. A emoção aumenta esse número. Cólera, a emoção mais fácil de se observar, pode elevá-lo a quarenta por minuto. O corpo fica então extremamente exausto, o que prejudica a saúde. Quando, porém, se pratica o seiza, provocando uma tensão nos músculos do baixo-ventre e regulando a respiração, dentro de dois ou três minutos a freqüência baixa para quatro ou mesmo duas vezes por minuto. Nota-se um aumento da capacidade pulmonar normal, de 500cc., para 1000 ou 2000. Também melhoram as condições da circulação sangüínea. Uma pessoa normal, respirando normalmente, conserva um terço de seu volume sangüíneo mais ou menos estagnado no baixo-ventre. A respiração abdominal controlada acarreta uma circulação perfeita. A pessoa treinada consegue condições ideais de circulação sangüínea após os primeiros quinze minutos de controle. Os batimentos do coração, o pulso e a pressão também atingem condições ideais. Baixa a pressão daquele que a tem alta demais e vice-versa.
Agora, vejamos a questão do gasto de energia pelo organismo. Um homem adulto em repouso necessita por dia um mínimo de 1400 calorias. A prática do seiza e do controle da respiração faz baixar essa necessidade para 1000 calorias. A saúde é mantida com um mínimo de alimentação. A alimentação frugal dos antigos samurais e dos praticantes da cerimônia do chá está relacionada com essas práticas.
Os antigos diziam que a mente estava localizada no ventre. Depois colocaram-na no peito. Hoje, a ciência a situa na cabeça, no cérebro. Vimos como o seiza faz baixar o consumo de calorias. Essa economia é feita com calorias gastas pelo cérebro. Uma pessoa normal gasta mais de 400 calorias no cérebro, mas a prática do seiza diminui esse número mais da metade, e em certas pessoas o faz baixar quase até zero. Isso mostra que o seiza não provoca esforço cerebral. No cérebro humano existem cerca de vinte bilhões de neurônios, como tubos de vácuo num rádio. Cerca de 90% deles são ocupados com funções inconscientes e só 10% com as conscientes. Atuamos voluntária e conscientemente apenas sobre 5% de nossos neurônios, exercitando o pensamento, a memória, etc. Portanto, a recuperação da fadiga sofrida por essa parte é fácil. Entretanto, quando agimos de má vontade, obrigados por outrem, aumenta a atividade inconsciente, já que não o fazemos por vontade própria. Isso coloca em atividade 90% de nosso cérebro e provoca uma fadiga da qual não é fácil se recuperar. Além disso, o trabalho dos neurônios do inconsciente é dez vezes mais rápido do que os ligados ao consciente. Os antigos recomendavam, “Torna-te senhor em todas as circunstâncias”, para resolver todos os problemas da vida e obter realização integral como ser humano. Quando agimos voluntária e independentemente em relação a quaisquer circunstâncias, não atuamos sobre as células vinculadas ao inconsciente e o esforço é muitíssimo menor. O esforço voluntário produz o máximo de resultados com um mínimo de gastos. Este espírito de independência nasce espontaneamente com a prática do seiza. O treinamento nas artes tradicionais japonesas, como em ikebana ou teatro nô, demora longos anos e demanda, através da prática do seiza, que seja desenvolvido o espírito de independência, a fim de se conseguir o máximo trabalho mental com o mínimo de esforço. O Caminho deve ser palmilhado com espírito de independência.

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O cérebro humano emite ondas elétricas de baixíssima freqüência. O psicólogo alemão Hans Berger descobriu a relação entre essas ondas e os vários aspectos da vida psíquica. Uma pessoa de olhos fechados, em atitude de repouso, diminui sua atividade psíquica e tende a adormecer se permanece como está, ou, pelo contrário, tende a aumentar sua atividade se abre os olhos. Porém aquele que pratica corretamente o seiza, consegue, mesmo de olhos abertos, penetrar num estado profundo de repouso que nada tem a ver com o sono. Este é um fenômeno natural, ao passo que o repouso alcançado pelo seiza é obtido através de uma atividade consciente e independente.

A diferença entre o estado de repouso devido ao seiza e o sono pode ser demonstrada através de estímulos sonoros. Quem dorme reage a um ruído através de movimentos lentos. O praticante do seiza reage a ruídos imperceptíveis às pessoas comuns, como o da queda de um alfinete, mas imediatamente se desfaz a tensão provocada pelo ruído e a pessoa volta ao estado de repouso. Uma pessoa comum leva dez segundos para voltar ao normal após um estímulo, mas o praticante do seiza leva apenas um. Ele capta e interpreta com extrema rapidez os mais débeis fenômenos do mundo exterior, não permanecendo apegado a eles sem necessidade. Um poema antigo dizia:

“Para aquele que pratica zen
As pessoas que passam pela ponte
São como árvores.”

Este poema está errado. A versão correta é:

“Para aquele que pratica o zen
As pessoas que passam pela ponte
São aquilo que são.”

O máximo em tranqüilidade mental consiste em ver a realidade tal como ela é. Assim, a postura do seiza é a expressão do máximo em tranqüilidade possível a um ser humano. A prática constante do exercício permitirá, inclusive, conservar esse estado de tranqüilidade em todas as circunstâncias da vida, andando, descansando ou trabalhando. Se isso não acontecer, as ondas cerebrais estarão agitadas e tensas e a pessoa não terá a verdadeira tranqüilidade. A ciência moderna define essa tranqüilidade como sendo a perfeita integração do corpo e da mente ou a manifestação do verdadeiro Eu.
O mundo de hoje está repleto dos mais variados ruídos. Uma entre dez pessoas apresenta distúrbios mentais e oito estão em situação periclitante. Vivemos numa época neurótica. Todos desejam tranqüilidade física e mental. Talvez se deva a isso a atual procura dos métodos orientais para tranqüilizar a mente. Procuremos todos nos esforçar para o alcance dessa tranqüilidade.

Gostaria de agradecer a Senpai Mogami, por colaborar com esse brilhante texto, e me ajudar mais uma, de incontáveis vezes, trilhar o caminho.
Domo Arigato Mogami Senpai.

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Karate Shotokan

    Shotokan é uma escola de karatê criada por Gichin Funakoshi (1868-1957). Inicialmente o Mestre Funakoshi não acreditava em criação de estilos e sim que todo karatê deveria ser um só, mesmo com as diferenças naturais de ensino que variam de professor para professor. Shoto era como Funakoshi assinava seus poemas, significa pinheiros ondulando ao vento e kan significa edificação ou salão.
O estilo Shotokan caracteriza-se por bases fortes, predominancia de movimentos de mão e chutes no máximo até o peito. Os giros sobre o calcanhar em posição baixa dão fluidez ao deslocamento e todo movimento começa com uma defesa. Este é um estilo em que as posições têm o centro de gravidade muito baixo, e em que a técnica de um “simples” soco directo, pode nunca ser dominada, e só o é com muitos anos de treino, mas quando a técnica é dominada o seu poder é incrivel e quase sobre-humano. No karatê shotokan são levados a sério factos como a concentração e o estado de espirito, pois sem concentração e um estado de espirito leve mas determinado a técnina de pouco serve, devendo estes dois atributos expandirem-se com a pratica e determinação.
Possui 29 katas (ou forma, também mencionado como o “balé da morte” por se tratar de uma sequencia de movimentos contra 4 ou mais adversários executados de tal forma que se assemelha a uma dança), sendo 3 não reconhecidos por serem usados apenas para uma melhor introdução ao praticante). seguindo ainda um metedo de ensino que divide a aula em três partes (o já citado kata, o kumitê e o kihon.).

O karatê Shotokan está dividido em 8 níveis ou faixas (obi):

  • Branca (7º Kyu) (iniciante)
  • Amarela (6º Kyu)
  • vermelha (5º Kyu)
  • Laranja (4º Kyu)
  • Verde (3º Kyu)
  • Roxa (2* Kyu)
  • Marrom (1º Kyu)
  • Preta (1º Dan à 10°Dan)

Para cada nível existe um tipo diferente de kata, kumite e kihon, excepto a partir do 1º Dan, no qual apenas a kata e o kihon mudam.

 

(Fonte: Wikipedia)

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