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Archive for janeiro \18\UTC 2011

Kyudô – Kyudou

KYUDO

“Uma flecha, uma vida”

Kyudo é o termo japonês para a arte do arco e flecha, em tradução livre: “Caminho do Arco” (Kyu: arco; Do: caminho).

Hoje o Kyudo é um Budo, ou seja, um caminho marcial cujo o principal objetivo é a meditação, filosofia e auto-conhecimento, um meio para se atingir o estado Zen.

Inicialmente o Kyudo era conhecido como Kyujutsu, ou seja, uma técnica marcial, em que a sua utilização tinha como intenção o combate, assim como, dessa mesma forma o arco e a flecha eram instrumentos/armas para guerra.

Com o passar do tempo, das influências budistas, shintoístas e confucionistas, bem como com as influências dos acontecimentos históricos no Japão, o Kyujutsu perdeu seu aspecto beligerante e se tornou, aos poucos, uma Arte Marcial de ampla divulgação e prática entre os japoneses e no mundo.

O Kyujutsu tornou-se Kyudo no período da Segunda Guerra Mundial, quando o governo japonês inseriu a prática dessa arte no currículo escolar. Ao término da guerra, o treino marcial foi suspenso em todo o país, mas posteriormente, retomado, assumindo a forma de Arte Marcial, ou seja, não mais com intenção de combate, mas sim com objetivo de manter as tradições do país, perpetuar a cultura, aprimorar os esportes e inserir o aspecto filosófico e meditativo.

Obviamente essa transição não ocorreu instantaneamente e o Kyujutsu, antes mesmo da Segunda Guerra Mundial, já havia ganhado elementos cerimoniais e contemplativos referente principalmente ao confucionismo e budismo até que culminou no Kyudo.

Atualmente, a Federação Nacional de Kyudo (ANFK) é o órgão que regulamenta as atividades do Kyudo no mundo e estimula a sua prática em locais em que houver interessados. Uma das peculiaridades do Kyudo é a grande adesão do público feminino nessa prática.

No Brasil a prática organizada do Kyudo é recente, datando de 2007, com a fundação da Associação Brasileira de Kyudo por Nobuo Yanai Sensei (2º Dan), Elisa Figueira Senpai (Mudan) e com o apoio de Yoshiko Buchanan Sensei (6º Dan). Nobuo Yanai Sensei é responsável pela Kyudo Kai Brasil, Kyudo Kai Rio de Janeiro e Kyudo Kai Distrito Federal, onde existem treinos semanais e organizados (para saber mais: http://kyudo.bandalo.net e http://kyudokai-df.webnode.com.br )

O Kyudo possui algumas ramificações, estilos, como por exemplo a Honda Ryu criada por Honda Toshizane durante a Era Edo.  Apesar dos diferentes estilos, o formato básico do treino se centra sobre o Hassetsu, os oito passos fundamentais do Caminho do Arco.

Durante a execução de um disparo existe uma preparação cerimonial e complexa em regras e etiquetas a ser seguida pelo praticante, é por meio desses passos que o kyudoca aprende e desenvolve: postura, empunhadura, respiração, concentração, centro de energia, moral, sinceridade, beleza e o aprimoramento pessoal.

Assim, afirma-se que o Kyudo é centrado em três fatores essenciais: Shin, Zen e Bi – Verdade, Bem e Beleza. Por assim dizer, o kyudoca exercita a Verdade, ou seja, por meio do treino com arco e flecha tem visão da realidade da sua vida e do meio em que se encontra. Desenvolve o Bem, pois com as regras e cerimônial ganha a disciplina e a moral inabalável de um praticante de Arte Marcial e, por fim, treina a Beleza dos movimentos, sua firmeza, decisão e serenidade perante o alvo.

Aparentemente o treino do Kyudo pode transparecer algo solitário, com exercícios meditativos e silenciosos, contudo, é uma arte que visa também o crescimento coletivo, dessa forma se dá importância ao treino em conjunto e às trocas de experiência entre os praticantes. Outro ponto que é perfil do Kyudo é a relação estreita entre mestre-discipulo, de extremo respeito e devoção.

Durante a prática do Kyudo, ao contrário do que muitos imaginam, o objetivo não é acertar o alvo ou disparar uma flecha o mais longe possível, mas sim, atingir a perfeição do eu. Dessa forma, não interessa se a flecha atinge o alvo, uma vez que a flecha, o arco, o arqueiro e o alvo, no ápice do exercício, devem ser um só. Este é o princípio do Zen e a premissa do Kyudo. Muito embora o Kyudo tenha como objetivo o aprimoramento espiritual, existem competições de Kyudo, apresentações esportivas e ramificações como o Kyuba (arqueiria montada).

Sobre o aspecto de meditação, recomenda-se a bibliografia: “A arte cavalheiresca do arqueiro Zen” por Eugen Herrigel e “O arqueiro zen e a arte de viver” por Kenneth Kushner. Os dois livros abordam a caracteristica Zen do treino de arco e flecha, Eugen Herrigel mostra com ênfase a relação mestre-discipulo importantíssima ao aprendizado. Já Kenneth Kushner coloca mais em evidência o aspecto formal e técnico, explorando a experiência Zen pelo Hassetsu.

Infelizmente a prática do Kyudo no Brasil ainda é muito restrita, pois é uma arte que exige um Dojo com espaço amplo e adequado para efetuar os disparos, bem como seguro. Além disso, não existe material que não sejam importados dos EUA e do Japão, o que dificulta e aumenta os custos da prática. Embora seja uma arte de apenas uma arma, essa tem seus cuidados e peculiaridades de manutenção, o que exige uma série de acessórios. Mais que isso, a medida que o kyudoca ganha experiência vai necessitando avançar com novos materiais. Apesar disso, são mantido os esforços para que o Kyudo se difunda no território brasileiro, pois o Kyudo também acredita que:

“Assim como com uma vela acesa se acende outra,se transmite o genuíno espírito da arte, de coração a coração, para que eles se iluminem.”

(Eugen Herrigel)

 

Texto gentilmente enviado por Simone Mogami

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