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Archive for agosto \29\UTC 2008

O jiu-jitsu, jujutsu ou ju-jitsu(as 3 variantes são escritas com os mesmos Kanji)é uma arte marcial japonesa que utiliza golpes de articulação, como torções de braço, tornozelo e estrangulamentos, para imobilizar o oponente. Inclui também quedas, golpes traumáticos e defesas, como saídas de chaves, esquivas, contra-golpes.

Basicamente usa-se o peso e a força do adversário contra ele mesmo. Essa característica da luta possibilita que um lutador, mesmo sendo menor que o oponente, consiga vencer. Outra característica marcante o diferencia de outras artes: suas avançadas técnicas de luta de chão, com a qual é possível finalizar um adversário por meio de uma projeção e usando-se torções com ambos deitados.

História

A história mais divulgada de praticamente todas as artes marciais orientais se insere na mesma tradição lendária da origem do Zen, ao qual se pretende que estas Artes Marciais estejam ligadas em sua origem: o Zen teve origem na Índia, através da difusão feita por missionários budistas saídos desta região e, nesta linha, se chega à figura lendária de Bodhidharma, indiano que teria sido o 28.º patriarca do Zen, fundador do Monastério Shaolim na China, de onde se teriam originado os estilos de “Kung Fu” (Wu Shu) na China, que teriam sido exportados para o resto do Oriente, nesta clara tentativa de ligar todas as Artes Marciais orientais a esta lendária origem comum com a origem do Zen.

Mas se mesmo esta origem do Zen, na literatura especializada no assunto, é vista pelos estudiosos sérios, como Allan Watts, como tentativa piedosa de traçar uma ligação contínua da tradição com a origem remota na figura do Buda, com muito mais razão o estudioso sério de Artes Marciais deve ser alertado para o perigo de aceitar a Índia ou mesmo a China como “origem” de todos os estilos de luta oriental.

Segundo um especialista do quilate de Donn Draeger, Ph D em Haplologia e especialista em Artes Marciais orientais, “o jujutsu em si é produto japonês”. Para ele, atribuir ao Jujutsu origem mesmo chinesa (sobre a “origem indiana” ele nem cogita) “é o mesmo que atribuir ao inventor da roda o desenvolvimento dos carros modernos”(Donn F. Draeger. Classical Budo. p. 113). Mesmo numa obra escrita por autores da família Gracie, como o livro de Jujutsu do Royce e do Renzo Gracie, vemos uma discussão mais realista sobre esta questão das origens do Jujutsu.

Antigamente havia vários estilos de Jujutsu, e cada clã tinha seu estilo próprio. Por isso o jiu-jitsu era conhecido por vários nomes, tais como: kumiuchi, aiki-ju-jitsu, koppo, gusoku, oshi-no-mawari, yawara, hade, jutai-jutsu, shubaku e outros.

No fim da era Tokugawa, existiam cerca de 700 estilos de Jujutsu, cada qual com características próprias. Alguns davam mais ênfase às projeções ao solo, torções e estrangulamentos, ao passo que outros enfatizavam golpes traumáticos como socos e chutes. A partir de então, cada estilo deu origem ao desenvolvimento de artes marciais conhecidas atualmente de acordo com suas características de luta, entre elas o judô, o caratê e o aikidô.

O Jujutsu era tratado como jóia das mais preciosas do Oriente. Era tão importante na sociedade japonesa que chegou a ser _ por decreto imperial _ proibido de ser ensinado fora do Japão ou aos não japoneses, proibição que atravessou os séculos até a primeira metade do século XX. Era considerado crime de lesa-pátria ensiná-lo aos não japoneses. Quem o fizesse era considerado traidor do Japão, condenado à morte, sua família perdia todos os bens que tivesse e sua moradia era incendiada. Com a introdução da cultura ocidental no Japão, promovida pelo Imperador Meiji (1867-1912), as Artes Marciais caíram em relativo desuso em função do advento das armas de fogo, que ofereciam a possibilidade de eliminação rápida do adversário sem o esforço da luta corporal. As artes de luta só voltaram a ser revalorizadas mais tarde, quando o Ocidente também já apreciava esse tipo de luta.

Por muito tempo, o Jujutsu foi a luta mais praticada no Japão, até o surgimento do Judô, em 1882. O Jujutsu caiu em desuso e perdeu a sua popularidade quando a polícia de Tóquio organizou um combate entre as escolas mais famosas de Judô e Jujutsu que teve por resultado 12 combates de 15 ganhos pelo Judô e um empate. Desta forma a polícia de Tóquio, que resume a sua eficácia a arte marcial pois não usavam armas, escolheu a prática do Judô, desta forma o Judô ganhou fama e popularidade por todo o Japão. Mas o Jujutsu não foi esquecido nem apagado, a sua prática foi mantida viva por algumas escolas. Nos dias de hoje é difícil encontrar a arte marcial antiga e original do Jujutsu pois sofreu algumas variantes e influencias de outras artes marciais de forma a adaptar-se as novas realidades e necessidades dos praticantes.

As principais escolas japonesas de Jujutsu são as seguintes:

* Araki-ryu
* Daito-ryu aiki-jujutsu
* Hontai Yoshin-ryu
* Sekiguchi Shinshin-ryu
* Sosuishitsu-ryu
* Takenouchi-ryu
* Tatsumi-ryu
* Tenjin Shinyo-ryu
* Yagyu Shingan Ryu
* Yoshin Ryu

No Brasil

Em 1917, Mitsuyo Maeda, também conhecido como conde Koma, foi enviado ao Brasil em missão diplomática com o objetivo de receber os imigrantes japoneses e fixá-los no país.Sensei da Academia  Kodokan de judô, Maeda ensinou Carlos Gracie em virtude da afinidade com seu pai, Gastão Gracie. Carlos por sua vez ensinou a seus demais irmãos, em especial a Hélio Gracie. Neste ponto surgem duas teorias. A primeira alega que Maeda ensinou somente o judô de Jigoro Kano a Carlos, e esse o repassou a Hélio, que era o mais franzino dos Gracie, adaptando-o com grande enfoque no Ne-Waza – técnicas de solo do judô, ponto central do jiu-jitsu desportivo brasileiro. Para compensar seu biotipo, a partir dos ensinamentos de Carlos, Hélio aprimorou a parte de solo pelo uso do dispositivo de alavanca, dando-lhe a força extra que o mesmo não dispunha. A segunda teoria, apoiada pelos Gracies, fala que Maeda era, também, exímio praticante de jiu-jitsu antigo, como Jigoro Kano, e foi essa a arte que ensinou ao brasileiros. Porém, em uma recente entrevista, Hélio Gracie afirma que “Carlos lutava judô”. Mas o certo é que o jiu-jitsu tradicional de muito difere do praticado no Brasil atualmente. Este possui mais imobilizações, chaves e finalizações, privilegiando o uso da técnica em detrimento da força.

Na atualidade

Actualmente ainda se pratica o jujutsu associado aos samurais do antigo Japão. Note-se que no caso dessa arte tradicional as palavras ju (flexibilidade, gentil, suave) e jutsu (arte) são diferentes das jiu-jitsu mais utilizadas para classificar o chamado jiu-jitsu brasileiro, criado pelos irmãos Gracie. Crê-se que essa vertente tenha sido propagada na Europa por Minuro Mochizuki.

No caso do jujutsu tradicional são utilizadas armas como o tanto (faca), o tambo (bastão), o kubotan ou kashinobo (semelhante a uma caneta), a tonfa (utilizada pelas forças policiais), o bo (bastão comprido) e a katana, entre outros.

Tendo a vertente de defesa pessoal, militar ou policial compreende técnicas de batimento, projeção, imobilização, controle, estrangulamento e reanimação, além de poder ser combinado com as técnicas de massagem terapêutica (shiatsu ou seitai).

A maior diferença entre os estilos tradicional e brasileiro talvez seja o uso de diferentes armas (bukiwaza) e também uma menor utilização da luta no chão no jujutsu tradicional, sendo que esse utiliza também técnicas de controle como o hojojutsu. Nessa arte também as graduações são diferentes, além de um maior vínculo aos usos e tradições japonesas. A ligação ao mestre é muito forte e são utilizadas com muita freqüências expressões e nomes japoneses no tocante às técnicas.

Fonte: Wikipedia(com adaptações)

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Um monge aproximou-se de seu mestre, que se encontrava em meditação no pátio do templo à luz da lua, com uma grande dúvida:
– Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?
O velho sábio respondeu:
– As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta.
O monge replicou:
– Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?
– Poderia – confirmou o mestre – e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio.
– Então – o monge perguntou – por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?
– Porque – completou o sábio – da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário.
O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

Fonte: O Samurai

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Texto de Ronan Alves Pereira

O Xintoísmo (Shintô) e o Budismo (Bukkyô) são os principais protagonistas do cenário religioso japonês. Porém, séculos antes dessas tradições religiosas tomarem corpo no arquipélago, inúmeras manifestações do sagrado já se faziam presentes — achados arqueológicos (como clavas de pedra e figuras de barro) sugerem ritos de fertilidade e práticas mágicas; com a introdução da rizicultura surgem as cerimônias religiosas ligadas a cada aspecto do cultivo do arroz; escritos chineses antigos falam de práticas xamânicas, mediúnicas e adivinhatórias entre os japoneses do começo da era cristã.
Até o século VI, as crenças autóctones não se encontravam organizadas teologicamente ou centralizadas numa única instituição. Nessa época, em que fora introduzido oficialmente o Budismo no Japão, via Coréia, sacerdotes ligados à corte começaram a organizar as crenças nativas, para distinguí-las do ensinamento budista, sob as denominações alternativas Shintô, Kami-no-michi ou ainda Kannagara-no-michi (shin/kami/kan, “deus”, “espírito”; tô/dô/michi, “via”, “caminho”). Se, por um lado, a tradição proto-xintoísta, para sobreviver ao impacto da introdução do Budismo, teve de organizar-se tomando emprestado da religião importada termos, doutrinas, iconografia etc; por outro, o Budismo, sendo uma religião originária da Índia, também teve de “japonizar-se” e fazer empréstimos da tradição religiosa dos japoneses para conquistar seus corações.

Essas duas tradições religiosas mantiveram uma duradoura e frutífera relação simbiótica ao longo dos séculos e desenvolveram uma espécie de divisão de trabalho, particularmente no que tange a ritos de passagem. Enquanto o Xintoísmo se relaciona mais freqüentemente com ritos de nascimento, matrimônio, inauguração de edifícios etc, o Budismo mantém-se na esfera do culto aos antepassados e rituais fúnebres.
Além do Budismo, cumpre ainda citar o papel do Confucionismo (Jukyô), do Taoísmo(Dôkyô) e do Cristianismo (Kirisutokyô) no mosaico da religiosidade nipônica. O Taoísmo, ensinamento de origem chinesa que enfatiza práticas místicas e a ordenação do Universo, foi adotado oficialmente no Japão no ano 702, como Repartição Governamental de Adivinhação (Onmyôryô). O Confucionismo, escola filosófica chinesa que enfatiza a ação social e a ordem política, tornou-se o fundamento moral e ideológico da elite governante no período Tokugawa (1600-1868). Embora ambos não tenham-se tornado religiões formais no Japão, as práticas adivinhatórias e certos conceitos taoístas foram perpetuados na religiosidade popular, enquanto a ética confucionista passou a reger as relações sociais e influenciou praticamente todas as religiões no Japão. O Cristianismo foi introduzido no país em 1549 por São Francisco Xavier e obteve ampla aceitação no primeiro século de prosetilismo cristão. No entanto, ele ficou proibido de 1639 até o final do século 19, e não se tornou uma religião “naturalizada” como foi o caso do Budismo.
Essas tradições religiosas não ficaram separadas, diferenciadas ou livres de influência recíproca na história multi-milenar do país, resultando numa cultura onde a afiliação exclusiva a determinada religião é uma exceção, e onde o sincretismo é uma constante. De fato, o Japão é um dos raros países no mundo onde as pessoas veneram divindades de religiões diferentes sem maiores constrangimentos; onde há capelas de uma religião no espaço sagrado de outra; ou um sacerdote de uma religião conduza cerimônias em outra religião.

Tal atitude flexível e pragmática frente à religião pode ser creditada como um dos elementos que facilitou, por um lado, a integração dos imigrantes japoneses no universo religioso brasileiro; por outro, a difusão das religiões japonesas fora da colônia nikkei.

Ronan Alves Pereira, Ph.D. Professor de cultura e língua japonesas na Universidade de Brasília. Mestre em Antropologia Cultural pela Universidade de Tóquio e doutor em Ciências Sociais (Antropologia) pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente é pesquisador-visitante do Centro de Estudos Japoneses da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Fonte: Japanfoundation

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Mokuso

Mokuso é simplesmente ser, sem fazer nada – nenhuma ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é puro prazer. De onde vem esse profundo prazer, quando você não está fazendo nada? Não vem de lugar nenhum, ou vem de toda parte. Ele é não-motivado, porque a existência é feita de uma matéria chamada alegria.

Quando você não está fazendo absolutamente nada – corporalmente, mentalmente, em nenhum nível – quando toda a atividade cessou e você simplesmente é, apenas sendo, isso é Mokuso. Você não pode fazê-la, você não pode praticá-la: você tem apenas que compreendê-la. Nas aulas de Aikido praticamos Mokuso como um exercicio no começo e no final da aula, porém ela deve ser Praticada durante todo o período que entramos no Tatami e no final devemos entender a pratica para nossa vida. Sempre que você encontrar tempo para apenas ser, abandone todo o fazer. Pensar também é um fazer, concentração também é um fazer, contemplação também é um fazer. Mesmo que apenas por um único momento você fique sem fazer nada, simplesmente permanecendo no seu centro, totalmente relaxado – isso é mokuso. E uma vez que você tenha descoberto o jeito, você pode permanecer nesse estado tanto tempo quanto quiser; finalmente você poderá permanecer nesse estado durante as vinte e quatro horas do dia.

Uma vez que você se tomou consciente de como seu ser pode permanecer imperturbado, então, vagarosamente, você pode começar a fazer coisas, mantendo-se alerta para que seu ser não se agite. Essa é a segunda parte de Mokuso – primeiro, aprender simplesmente a ser, sentado em Seiza com os olhos semi abertos, deixando os pensamentos passarem sem se fixar em nada, simplesmente observando em estado de alerta. Depois levar este estado durante a apresentação das técnicas.
A ideia é levar este estado para o dia a die e então aprender pequenas ações: limpar o chão, tomar um banho, mas permanecendo centrado. Então você poderá fazer coisas mais complicadas.

Por exemplo, eu estou falando com você, mas o meu ” mokuso!, não deve ser perturbado. O Aikidoista pode continuar falando, mas lá no seu centro não há nem sequer uma pequena ondulação; ele está absolutamente silencioso, completamente silencioso.

Assim, a meditação não é contra a ação. Não é que você tenha que escapar da vida. Ela simplesmente lhe ensina uma nova maneira de vida: você se toma o centro do ciclone. Este estado o treinamento correto do Aikido deve levar o praticante. Por esta razão é necessário se conhecer a técnica correta e Ter um professor experimentado para avisar o Praticante quando ele está se distanciando deste objetivo.

A sua vida continua, continua de uma maneira muito mais intensa – com mais alegria, com mais claridade, mais visão, mais criatividade – todavia você está distanciado, apenas um observador nas colinas, simplesmente assistindo o que está acontecendo ao seu redor.

Você não é o que faz, você é o observador mas ao mesmo tempo faz tudo. Quanto se vai executar Jiu Waza e vários atacantes lhe vem em encontro , o estado de Mokuso lhe permite Observar todos os movimentos dos oponentes e voce os sente como partes de seu proprio corpo, em uma grande ligação Harmonica. Aí é possível de defender e realizar técnicas eficientes de defesa pessoal.

Esse é todo o segredo de Mokuso, você se toma o observador. O fazer continua em seu próprio nível, não há nenhum problema: cortar madeira, tirar água do poço. Você pode fazer coisas pequenas e coisas grandes; só uma coisa não é permitida, e isso significa: seu centramento não pode se perder.

Essa consciência, esse estado de observação deve permanecer absolutamente desanuviado, imperturbado.

Se um galo está cantando… você está ouvindo. São dois elementos: objeto e sujeito. Mas você não pode ver uma testemunha que está vendo ambos? O galo o ouvinte, e ainda há alguém que está observando ambos. É um fenômeno tão simples!

Você está vendo uma árvore: você está aí, a árvore está aí, mas será que você não pode encontrar alguma coisa mais? – que você está vendo a árvore e que há uma testemunha em você que está vendo você vendo a árvore.

Observação em estado de alerta é mokuso. O que você observa é irrelevante. Você pode observar as árvores, pode observar o rio, pode observar as nuvens, pode observar as crianças brincando. Observação é mokuso. O que você observa não é a questão; o objeto não é a questão.

A qualidade do estado de Mokuso, o Zanchin, , a qualidade de estar consciente, alerta – é isso o que definirá o verdadeiro nível de seu aikido e de sua capacidade em se ligar com o Universo.

Lembre-se de uma coisa: Mokuso significa consciência. O que quer que você faça com consciencia em estado de Zanchin é Mokuso. A ação não é a questão, mas a qualidade que você traz para a ação. O caminhar pode ser Mokuso, se você caminha alerta. Sentar-se pode ser Mokuso, se você senta-se alerta. Ouvir os pássaros pode ser mokuso , se você ouve com consciência. Simplesmente ouvir o barulho interior da sua mente pode ser mokuso, se você permanece alerta e observador é isto que se faz no começo e no principio das aulas de Aikido do Instituto Takemussu e em quase todos os dojos tradicionais do mundo que herdaram os ensinamentos de Morihei Ueshiba.

A questão toda se resume em não mover-se adormecido. Então o que quer que você faça é Mokuso.

O primeiro passo para a consciência é tomar-se muito atento ao seu corpo. É muito importante os treinamentos iniciais do Aikido quando se faz os movimentos individuais. Pouco a pouco, a pessoa vai se tomando alerta para cada gesto, cada movimento e pode começar a praticar este estado quando estiver praticando com o parceiro, e, à medida que você vai se tomando consciente, um milagre começa a acontecer: muitas coisas que você costumava fazer antes, simplesmente desaparecem; seu corpo se torna mais relaxado, seu corpo se torna mais harmonizado. Uma paz profunda começa a prevalecer até mesmo no seu corpo, uma música sutil pulsa em seu corpo.

Então, comece a se tomar consciente de seus pensamentos; o mesmo tem que ser feito com os pensamentos. Eles são mais sutis do que o corpo e, naturalmente, mais perigosos também. E quando você se toma consciente de seus pensamentos, você fica surpreso com o que se passa dentro de você. Se você anotar o que quer que passe em sua mente em qualquer momento, você nem pode imaginar que grande surpresa o espera. Você não acreditará que tudo isso está se passando dentro de você.

No cotidiano não estamos alertas, toda esta loucura mental de pensamentos continua movendo-se como uma corrente subterrânea. Ela afeta o que quer que você esteja fazendo, afeta o que quer que você não esteja fazendo; afeta tudo. E a soma total vai ser a sua vida!. Assim sendo, esse homem louco tem que ser transformado. E o milagre da consciência é que você não precisa fazer nada exceto apenas tomar-se alerta. Daí ser fundamental ao se praticar Aikido imaginar que podemos ser atacados a qualquer instante de qualquer lado. Isto vai nos obrigar a praticar Mokuso.

O próprio fenômeno de observar a mente, a transforma. Pouco a pouco o homem louco desaparece, pouco a pouco os pensamentos começam a cair em um certo padrão; seu caos não existe mais, eles se tomam mais como um cosmo. E então, novamente, prevalece uma profunda paz. E quando seu corpo e sua mente estiverem em paz, você verá que eles estão sintonizados um com o outro, há uma ponte. Agora eles não se movem em direções diferentes, eles não estão galopando em cavalos diferentes. Pela primeira vez há acordo, e esse acordo ajuda tremendamente a trabalhar o terceiro passo que é tomar-se consciente dos seus sentimentos, emoções.

Esta é a camada mais sutil e a mais difícil, mas se você pode estar consciente dos pensamentos, então basta apenas mais um passo. Uma consciência um pouco mais intensa é necessária e você começa a refletir suas emoções, seus sentimentos. Uma vez que você ganhou consciência em todos esses três passos, eles se juntam todos em um fenômeno. E quando todos esses três são um – funcionando juntos perfeitamente, zunindo juntos, você pode sentir a música de todos os três; eles se tomam uma orquestra – então o quarto, aquilo que você não pode fazer, acontece. Acontece por sua própria conta. E um presente do todo, é uma recompensa para aqueles que passaram por estes três.

E o quarto é a consciência definitiva, que o toma a pessoa acordada. Ela toma-se consciente da própria consciência e se torna um verdadeiro mestre de Aikido um shihan. Não um shihan que recebeu titulos por politica, mas aquele que recebeu o titulo do proprio universo, por estar Em harmonia com a Natureza.

O corpo conhece o prazer, a mente conhece a felicidade, o coração conhece a alegria, o quarto conhece a sabedoria de viver..

A coisa importante é que você seja observador, que você não tenha se esquecido de observar que você está observando … observando …. observando. E pouco a pouco, à medida que o observador se toma mais e mais sólido, estável, seguro, uma transformação acontece. As coisas que você esteve observando desaparecem.
Pela primeira vez, o próprio vigia se toma o vigiado, o próprio observador se toma o observado. Você chegou em casa se tornou um mestre!


Fonte: http://www.aikikai.org.br/ – Adaptado pelo prof. Wagner Bull

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A carroça

Um Imperador, sabendo que um grande sábio do Zen estava às portas de seu palácio, foi até ele para fazer uma importante pergunta:
– Mestre, onde está o Eu?
O mestre então pediu-lhe:
– Por favor traga-me aquela carroça que está lá.
A carroça foi trazida. O sábio perguntou:
– O que é isso?
– Uma carroça, é claro,- respondeu o Imperador.
O mestre pediu que retirasse os cavalos que puxavam a carroça. Então disse:
– Os cavalos são a carroça?
– Não.
O mestre pediu que as rodas fossem retiradas.
– As rodas são a carroça?
– Não, mestre.
O mestre pediu que retirassem os assentos.
– Os assentos são a carroça?
Não, eles não são a carroça.
Finalmente apontou para o eixo e falou:
– O eixo é a carroça?
– Não, mestre, não é.
Então o sábio concluiu:
– Da mesma forma que a carroça, o Eu não pode ser definido por suas partes. O Eu não está aqui, não está lá. O Eu não se encontra em parte alguma. Ele não existe. E, não existindo, ele existe.
Dito isso, ele começou a se afastar do surpreso monarca. Quando estava já afastado, voltou-se e perguntou-lhe:
Onde Eu estou?

Fonte: O samurai

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Um intrigante ser, um monstro, além da compreensão humana.

Um espectro de gato que habitou o Japão. Era originalmente um gato comum, que com o avançar de sua idade, ganhou força sobrenatural e teve sua cauda partida em duas, tornando-se um gato-monstro horrendo e assustador. Supostamente o seu pêlo brilha quando ouve uma mentira. Também pode andar sobre duas pernas.

Nekomata gosta de lamber querosene de lanternas em acampamentos, também é capaz de falar e de disfarçar-se como um humano, assim podendo estuprar mulheres e trazer problemas à saúde às pessoas. Ao contrário de famosos Gatos da fantasia o Nekomata gosta de matar as pessoas e comer pessoas.

Fonte: http://www.irezumi.us

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Ikebana

O Ikebana é a tradicional arte japonesa dos arranjos florais. Ikebana significa “a arte de fazer as flores viverem”. Esta arte milenar teve início na Índia, com o propósito de expressar conceitos budistas através da beleza e sutileza das flores. Muito mais do que simples forma de arte, o Ikebana pode ser também considerado um ato religioso. Uma arte com apuração estética aliada à tradição, à elegância e às técnicas milenares de composição. O Ikebana traz em si muitos significados, é uma arte de caráter místico. Seu praticante deve seguir alguns conceitos básicos, mas também tem de estar em perfeita harmonia com a natureza, para que a sua imaginação possa fluir em um belo arranjo.
Apesar de não ter suas origens no Japão, foi nesse país que o Ikebana se expandiu e se transformou, devido à grande variedade e beleza de suas flores, e conquistou um importante lugar nos costumes e na cultura do povo. Desde então os arranjos saíram do templos; ultrapassaram suas influências religiosas e passaram a ser praticados também nas casas, com a mesma dedicação, técnica e disciplina.
Dentro do arranjo deve sempre existir 3 elementos considerados essenciais: Sin, Soe e Tai. Temos aí a trindade existente em vários cultos religiosos, ou simplesmente: O Céu, o Homem e a Terra. Além disso, os espaços vazios são importantes, pois representam o silêncio. É preciso ter o cuidado de não colocar 4 flores diferentes, pois no Japão este número é considerado negativo (o ideograma que representa o número 4 e o que representa a morte têm a mesma pronúncia).
O mais importante do Ikebana sem dúvida é a harmonia. O arranjo deve estar em sintonia com o ambiente, e com as características pessoais de seu autor. Segundo os mestres, o Ikebana possui também qualidades terapêuticas, pois harmoniza e embeleza ambientes. Sua presença pode ajudar na cura de enfermidades ou situações conflituosas. Por causa disso eles são requisitados em ambientes terapêuticos, de medicina tradicional ou alternativa, entre outros.
No Japão feudal o Ikebana era praticado tanto por homens quanto por mulheres. Alguns samurais, ao atingir a maturidade, isolavam-se do mundo e abandonavam seus cargos militares, apenas para dedicarem-se à arte do chá, à caligrafia e ao Ikebana.

Fonte: O Samurai

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