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Archive for abril \30\UTC 2008

Budismo

Introdução ao Budismo

Sistema ético, religioso e filosófico fundado pelo príncipe hindu Sidarta Gautama (563-483 a.C.), ou Buda(imagem ao lado), por volta do século VI. O relato da vida de Buda está cheia de fatos reais e lendas, as quais são difíceis de serem distinguidas historicamente entre si.

O príncipe Sidarta nasceu na cidade de Lumbini, em um clã de nobres e viveu nas montanhas do Himalaia, entre Índia e Nepal. Seu pai, era um regente e sua mãe, Maya, morreu quando este tinha uma semana de vida. Apesar de viver confinado dentro de um palácio, Sidarta se casou aos 16 anos com a princesa Yasodharma e teve um filho, o qual chamou-o de Rahula.

História do Budismo

Aos 29 anos, resolveu sair de casa, e chocado com a doença, com a velhice e a com morte, partiu em busca de uma resposta para o sofrimento humano. Juntou-se a um grupo de ascetas e passou seis anos jejuando e meditando. Praticou o ioga (numa forma que não é a mesma que é hoje seguida nos países ocidentais), e seguiu práticas ascéticas extremas, mas acabou por abandoná-las, vendo que não conseguia obter nada delas. Durante muitos dias, sua única refeição era um grão de arroz por dia. Após esse período, cansado dos ensinos do Hinduísmo e sem encontrar as respostas que procurava, separou-se do grupo. Depois de sete dias sentado debaixo de uma figueira, diz ele ter conseguido a iluminação, a revelação das Quatro Verdades. Pouco depois decidiu retomar a sua vida errante, tendo chegado a um bosque perto de Benares, onde pronunciou um discurso religioso diante de cinco jovens, que convencidos pelos seus ensinamentos, se tornaram os seus primeiros discípulos e com que que formou a primeira comunidade monástica. O Buda dedicou então o resto da sua vida (talvez trinta ou cinquenta anos) a pregar a sua doutrina através de um método oral, não tendo deixado quaisquer escritos.

Prática de Fé do Budismo

O Budismo consiste no ensinamento de como superar o sofrimento e atingir o nirvana (estado total de paz e plenitude) por meio da disciplina mental e de uma forma correta de vida. Também crêem na lei do carma, segundo a qual, as ações de uma pessoa determinam sua condição na vida futura. A doutrina é baseada nas Quatro Grandes Verdades de Buda:

  • A existência implica a dor: O nascimento, a idade, a morte e os desejos são sofrimentos.
  • A origem da dor é o desejo e o afeto: As pessoas buscam prazeres que não duram muito tempo e buscam alegria que leva a mais sofrimento.
  • O fim da dor: só é possível com o fim do desejo.
  • A Quarta Verdade: se prega que a superação da dor só pode ser alcançada através de oito passos:
  1. Compreensão correta: a pessoa deve aceitar as Quatro Verdades e os oito passos de Buda.
  2. Pensamento correto: A pessoa deve renunciar todo prazer através dos sentidos e o pensamento mal.
  3. Linguagem correta: A pessoa não deve mentir, enganar ou abusar de ninguém.
  4. Comportamento correto: A pessoa não deve destruir nenhuma criatura, ou cometer atos ilegais.
  5. Modo de vida correto: O modo de vida não deve trazer prejuízo a nada ou a ninguém.
  6. Esforço correto: A pessoa deve evitar qualquer mal hábito e desfazer de qualquer um que o possua.
  7. Desígnio correto: A pessoa deve observar, estar alerta, livre de desejo e da dor.
  8. Meditação correta: Ao abandonar todos os prazeres sensuais, as más qualidades, alegrias e dores, a pessoa deve entrar nos quatro graus da meditação, que são produzidos pela concentração.

Missões do Budismo

Um dos grandes generais hindus, Asoka, depois do ano 273 a.C., ficou tão impressionado com os ensinos de Buda, que enviou missionários para todo o subcontinente indiano, espalhando essa religião também na China, Afeganistão, Tibete, Nepal, Coréia, Japão e até a Síria. Essa facção do Budismo tornou-se popular e conhecida como Mahayana. A tradicional, ensinado na Índia, é chamado de Teravada.

O Budismo Teravada possui três grupos de escrituras consideradas sagradas, conhecidas como “Os Três Cestos” ou Tripitaka:

  • O primeiro, Vinaya Pitaka (Cesto da Disciplina), contêm regras para a alta classe.
  • O segundo, Sutta Pitaka (Cesto do Ensino), contêm os ensinos de Buda.
  • O terceiro, Abidhamma Pitaka (Cesto da Metafísica), contêm a Teologia Budista.

O Budismo começou a ter menos predominância na Índia desde a invasão muçulmana no século XIII. Hoje, existem mais de 300 milhões de adeptos em todo o mundo, principalmente no Sri Lanka, Mianmá, Laos, Tailândia, Camboja, Tibete, Nepal, Japão e China. Ramifica-se em várias escolas, sendo as mais antigas o Budismo Tibetano e o Zen-Budismo. O maior templo budista se encontra na cidade de Rangoon, em Burma, o qual possui 3,500 imagens de Buda.

Teologia do Budismo

A divindade: não existe nenhum Deus absoluto ou pessoal. Os que querem ser iluminados, necessitam seguir seus próprios caminhos espirituais e transcendentais.
Antropologia: o homem não tem nenhum valor e sua existência é temporária.
Salvação: as forças do universo procurarão meios para que todos os homens sejam iluminados (salvos).
A alma do homem: a reencarnação é um ciclo doloroso, porque a vida se caracteriza em transições. Todas as criaturas são ficções.
O caminho: o impedimento para a iluminação é a ignorância. Deve-se combater a ignorância lendo e estudando.

Posição ética: existem cinco preceitos a serem seguidos no Budismo:

  • proibição de matar
  • proibição de roubar
  • proibição de ter relações sexuais ilícitas
  • proibição do falso testemunho
  • proibição do uso de drogas e álcool

No Budismo a pessoa pode meditar em sua respiração, nas suas atitudes ou em um objeto qualquer. Em todos os casos, o propósito é se livrar dos desejos e da consciência do seu interior.

Karma e a Lei de Causa e Efeito

Uma pessoa é uma combinação de matéria e mente. O corpo pode ser encarado como uma combinação de quatro componentes: terra, água, calor e ar; a mente é a combinação de sensação, percepção, idéia e consciência. O corpo físico — na verdade, toda a matéria na natureza – está sujeito ao ciclo de formação, duração, deterioração e cessação.

O Buda ensinou que a interpretação da vida através de nossos seis sensores (olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente) não é mais do que ilusão. Quando duas pessoas experimentam um mesmo acontecimento, a interpretação de uma, pode levar à tristeza, enquanto a da outra, pode levar à felicidade. É o apego às sensações, derivadas desses seis sentidos, que resulta em desejo e ligação passional, vida após vida.

O Buda ensinou que todos os seres sencientes estão em um ciclo contínuo de vida, morte e renascimento, por um número ilimitado de vidas, até que finalmente alcancem a iluminação. Os budistas acreditam que os nascimentos das pessoas estão associados à consciência proveniente das memórias e do karma de suas vidas passadas. “Karma” é uma palavra em sânscrito que significa “ação, trabalho ou feito”. Qualquer ação física, verbal ou mental, realizada com intenção, pode ser chamada de karma. Assim, boas atitudes podem produzir karma positivo, enquanto más atitudes podem resultar em karma negativo. A consciência do karma criado em vidas passadas nem sempre é possível; a alegria ou o sofrimento, o belo ou o feio, a sabedoria ou a ignorância, a riqueza ou a pobreza experimentados nesta vida são, no entanto, determinados pelo karma passado.

Neste ciclo contínuo de vida, denominado Samsara, seres renascem em várias formas de existência. Há seis tipos de existência: Devas (deuses), Asuras (semideuses), Humanos, Animais, Pretas (espíritos famintos) e Seres do Inferno. Cada um dos reinos está sujeito às dores do nascimento, da doença, do envelhecimento e da morte. O renascimento em formas superiores ou inferiores é determinado pelos bons ou maus atos, ou karma, que foi sendo produzido durante vidas anteriores. Essa é a lei de causa e efeito. Entender essa lei nos ajuda a cessar com todas nossas ações negativas. Abaixo uma imagem do ciclo de renascimento, ou samsara.

As seis perfeições

As Quatro Nobres Verdades são o fundamento do Budismo e entender o seu significado é essencial para o auto desenvolvimento e alcance das Seis Perfeições, que nos farão atravessar o mar da imortalidade até o nirvana.

As Seis Perfeições consistem de:

  1. Caridade. Inclui todas as formas de doar e compartilhar o Dharma.
  2. Moralidade. Elimina todas as paixões maléficas através da prática dos preceitos de não matar, não roubar, não ter conduta sexual inadequada, não mentir, não usar tóxicos, não usar palavras ásperas ou caluniosas, não cobiçar, não praticar o ódio nem ter visões incorretas.
  3. Paciência. Pratica a abstenção para prevenir o surgimento de raiva por causa de atos cometidos por pessoas ignorantes.
  4. Perseverança. Desenvolve esforço vigoroso e persistente na prática do Dharma.
  5. Meditação. Reduz a confusão da mente e leva à paz e à felicidade.
  6. Sabedoria. Desenvolve o poder de discernir realidade e verdade.

A prática dessas virtudes ajuda a eliminar ganância, raiva, imoralidade, confusão mental, estupidez e visões incorretas. As Seis Perfeições e o Nobre Caminho Óctuplo nos ensinam a alcançar o estado no qual todas as ilusões são destruídas, para que a paz e a felicidade possam ser definitivamente conquistadas.

Escolas

O budismo dividiu-se em várias escolas, das quais algumas vieram a se extinguir. A principal divisão atualmente existente é entre a escola Theravada e as linhagens Mahayana e Vajrayana.

As escolas numericamente mais expressivas na atualidade são:[carece de fontes?]

  • Theravada, estabelecida no sudeste asiático;
  • Zen japonês e Chan chinês, escolas com ênfase na meditação . Alguns estudiosos consideram estas escolas como uma linhagem Mahayana. Outros, no entanto, dizem que, pela ênfase ser diferente, e pelo Zen/Chan ser “descendentes” também do Taoísmo, devem ser considerados uma escola à parte;
  • As escolas japonesas devocionais da Terra Pura (Jodo Shu) e Verdadeira Terra Pura (Jodo Shinshu), e as escolas ligadas à Nitiren, todas Mahayana;
  • As escolas tântricas do Budismo tibetano (Nyingma, Kagyu, Gelug, Sakya) que fazem parte da linhagem Vajrayana.

Há muita polêmica e confusão no ocidente em torno do budismo, devido principalmente à falta de informação correta. Muitos movimentos esoteristas e sincréticos procuram se apresentar como “verdadeiros budismos”, “adaptações para o Ocidente”, etc. Freqüentemente questiona-se quanto ao budismo ser ou não uma religião (por não aceitar a existência de um deus criador do mundo).

Abaixo, cena do filme O pequeno Buda, de Bernardo Betolucci, onde Sidarta ao meditar, tem um confronto com suas tentações, medo e ego. Um ótimo filme para simpatizantes da filosofia Budista

Fontes: (http://hsingyun.dharmanet.com.br/, Wikipedia, http://www.sepoangol.org/)

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Primeiro gostaria de me desculpar, pela falta de um ritmo nas postagens, já que nem sempre tenho um texto pronto, e às vezes falta-me tempo ou paciência de criar um.

Às vezes o conteúdo postado é de certa forma pobre, textos pequenos. Mas são assuntos interessantes, que despertam a curiosidade de muitas pessoas.

Alguns dos textos postados aqui, são copiados de outros sites. Isto é simples, outros sites expressaram tão bem o assunto abordado, que não necessitaria de algum complemento superficial. Outros posts são pesquisas de vários textos e livros e são postados aqui. Alguns são apenas traduções, não quero tirar o mérito dos autores dos textos, e sempre que possível, quando disponível, eu posto a fonte do texto aqui. Caso eu venha postar um texto que seja de desagrado do autor, só me contactarem que o mesmo será retirado o mais rápido possível.

Bom, e venho agradecer aos visitantes do site, e também às pessoas que colaboraram com correções e sugestões: Nat, Hunt, Rafael Primão e Senpai Simone, muito obrigado

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Irezumi – Koi

A Koi (carpa), é um peixe símbolo no Japão, largamente criado como peixe ornamental, e frequentemente fazendo parte do Jardim Japonês. Os Samurais da era Muromachi admiravam as Carpas por sua bravura.

Huang Ho(Rio amarelo),é um rio que cruza a china em sua extensão, onde as carpas nadam contra o fluxo da água, simbolizando a bravura. Diz a lenda que entre a montanha Jishishan, existe uma rápida queda d’agua chamada de portal do dragão, caso uma carpa conseguisse subir esta queda, ela se tornaria um dragão simbolizando a persitência e a coragem. O portal do dragão(foto abaixo) simboliza o obstáculo a ser vencido.

Em seus desenhos, suas escamas representam proteção, e frequentemente é desenhada com um circulo na cabeça, que simboliza a sabedoria. O significado da lenda de que uma carpa se torna um dragão, é a evolução. A ainda carpa pode alcançar idade de até 70 anos, simbolizando assim a longeividade.

Existem ainda algumas categorias das tatuagens de carpa:

Higoi: Uma carpa avermelhada, nadando embaixo das águas, com bolhas saindo de sua boca(foto abaixo)

Magoi: Uma carpa preta, saltando para fora da água.(foto abaixo)

Nishikigoi : uma carpa de cor mista, é fruto de cruzamentos sucessivos, que tiveram início na era Meiji, entre a Magoi e a Higoi.Na china, esses cruzamentos ainda são feitos, para tentar tornar a carpa um peixe ainda mais exótico, enquanto no japão os cruzamentos são feitos para tentar torna-la um peixe mais refinado em sua forma. Isso nos mostra um pouco a diferença entre o pensamento Chinês e Japonês.

Existe ainda a imagem de uma carpa com pêlos e chifres, suas escamas devem ser douradas. Esse é o estágio onde a carpa começa a evoluir até tornar-se um dragão. Simboliza a força(foto abaixo)

Fonte: http://www.irezumi.us

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Dando continuidade ao tema de Tatuagens Japonesas, o estilo tratado neste Post será o Munewari.

O Munewari não é um desenho, e sim um estilo tradicional de como distribuir as tatuagens pelo corpo. No Munewari, a tatuagem não deve avançar ao pescoço, deixando-o assim sem tatuagens, e uma listra que divide o peito em 2, deve ser deixada em branco, isto é, sem tatuagens.

O Munewari foi desenvolvido com a intenção de que, nenhuma parte da tatuagem deve ser vista ao se vestir um Kimono. Provavelmente este estilo foi desenvolvido na era Tokugawa, partindo da necessidade dos Yakuza esconderem suas tatuagens.

Fonte: http://www.irezumi.us

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São duas palavras que também definem a palavra tatuagem no Japão. Irezumi define a tatuagem tradicional, a que é visível e cobre grandes partes do corpo sobretudo as costas.

A arte japonesa de tatuagem tem uma história muito antiga. A Influência do Confucionismo e o Budismo na cultura japonesa teve uma conotação negativa para a maioria do povo Japonês.

Kuniyoshi, expoente máximo da arte ukiyo-e, publicou em 1827 o Romance dos 108 Heróis de Suikoden, os bandidos honrados, baseado no romance clássico chinês Shui-Hi-Chuan . Este romance do séx. XIII/XIV foi traduzido pela 1ª vez em japonês em 1757 por Okajima Kanzanion e em finais do séc XVIII foi publicado com ilustrações por Katsushika Hokusai. O romance era muito popular no Japão e deu origem à moda Suikoden entre os Samurais mais versados da época. O ukiyo-e de Suikoden por Kuniyoshi projecta espectáculos que retratam os heróis com tatuagens corporais coloridas, em aventuras épicas, pelo que possuir o corpo tatuado com pinturas de heróis foi na ápoca considerado elegante. Mesmo assim apanágio das classes mais baixas. Ainda hoje a riqueza destas pinturas de heróis mostradas por Kuniyoshi são utilizadas pela grande maioria dos tatuadores no Japão.

Tatuagem no período Edo

No Japão feudal (período Edo 1603/1868) as tatuagens eram sinônimo de marginalidade e de criminalidade. As prostitutas usavam-nas para aumentar o seu sex-appeal e era também um castigo oficial instituído em 1720, uma punição utilizada em substituição ao corte dos nariz ou orelhas só abolida em 1870. Os prevaricadores recebiam um bracelete tatuado no braço por cada ofensa ou crime. Para o Japonês, que se procupava muito com o seu status, ser tatuado era pior castigo que a morte.

Tatuagem no período Tokugawa

Mais tarde, em tempos de repressão , na Era Tokugawa , criminalidade passou a ser sinônimo de resistência, por isso a tatuagem começou a ser popularizada. Foi o caso da Yakuza, que surgiu nessa altura. A máfia Japonesa, cujos membros têm os corpos todos tatuados. Simbolizando a sua oposição ao regime mas sobretudo a sua lealdade e sacrifício à organização. Crê-se que a base desta organização terá tido origem na classe formada pelos inúmeros marginais que tinham as suas marcas visíveis aos olhos de todos e como tal não tinham lugar na sociedade nem outra forma de sobreviver que não a de se agruparem em gangues. Desses grupos fariam ainda parte os bandidos Rounin, guerreiros samurais sem mestre que vagueavam errantes pelo país cometendo toda a espécie de crimes.
Durante a primeira metade do séc. XX, mais propriamente até 1948, a
tatuagem foi prescrita, mas entretanto a mesma já havia sido espalhada pelo Ocidente. Os marinheiros dos navios estrangeiros que ancoravam nos portos japoneses desde cedo se sentiram atraídos por este tipo de arte.

A tatuagem hoje

Se você tem o corpo inteiro cheio de tatuagens ou pretende ter, ir para o Japão pode não ser uma idéia muito boa. Lá, homens com os corpos cheios de “tattoo” são suspeitos de pertencerem à organização criminosa chamada Yakuza. A imagem abaixo, é um aviso na entrada de uma sauna no Japão, onde é proibida a entrada de pessoas tatuadas

Técnica

No Japão, a técnica utilizada data de cerca de 2000 anos, e é mantida até hoje pelos artistas mais tradicionais. O método, chamado de tebori, consiste no emprego de agulhas bem finas que são colocadas em fila e acopladas, também como no método polinésio, a uma haste de madeira.
Os pigmentos utilizados pelos artistas japoneses também provém de plantas, mas quando o desejo é a coloração em tons de cinza, utiliza-se uma pedra japonesa denominada insume(De onde também é extraida a tinta usada na arte do sumi-ê). Para obter o pigmento acinzentado, essa pedra é moída até se tornar um pó bem fino, como se fosse uma maizena ou farinha de trigo, e misturada à água. A haste é molhada nos pigmentos e então o artista começa a perfurar a pele da pessoa, dando o formato do desenho escolhido.Uma característica interessante do método do tebori é que são tatuados exclusivamente desenhos do folclore e da cultura japonesa, como carpas, dragões, samurais e gueixas.Atualmente a técnica da tatuagem evolui muito, permitindo a realização de desenhos cada vez mais complexos e com um maior número de detalhes. O vídeo abaixo nos mostra um renomado tatuador japones, Horiyoshi II, vindo de uma família onde a técnica de tatuagem é passada de geração em geração


Existem vários desenhos de Irezumi e Horimono, muitos conhecidos, como: Samurais, Carpas e Dragões, e alguns pouco conhecidos: como Aves, Demônios, Insetos, e até mesmo Sapos de 3 patas. Em futuros posts, irei mostrar alguns desses desenhos, e seus significados.

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Sado ou chado, que literalmente significa “caminho do chá”, é um ritual estilizado de preparar e servir chá verde em pó. É uma filosofia de vida que há séculos vem influenciando muitos aspectos da vida dos japoneses. Influenciada pelo Zen Budismo, a cerimônia de chá visa a purificação da mente e criar uma ligação com natureza. Foi aperfeiçoado na metade final do século XVIII, por Sen-no-Rikyu.
A cerimônia do chá japonesa (chanoyu) não é simplesmente a ação de servir o chá verde aos convidados. É uma arte japonesa tão importante e complicada quanto a escrita dos kanji, os ideogramas nipônicos. Isso porque a filosofia da cerimônia está oculta em cada gesto, desde o preparo do chá até a hora de serví-lo.
A seqüência de gestos é realizada pelos mestres e aprendizes que fazem a cerimônia. O preparo da bebida e o ato de servir têm um significado espiritual, ao qual se dá o nome de chado, que tem três princípios básicos: todos são iguais, respeito ao outro e gratidão por aquele que prepara o chá.
Em média uma cerimônia dura 40 minutos, mas em alguns casos pode chegar a 4 horas. O tempo se alonga se for considerado o início da cerimônia, quando ocorre a caminhada por um jardim de pedras tipicamente japonês. O ponto alto acontece quando os participantes compartilham o momento de tomar a bebida.

Cerimonial

A cerimonia do chá inicia-se ainda fora do recinto – sala do chá -, quando os convidados caminham pelo jardim, passando pelas pedras, uma a uma, com passos tranquilos, sentido a natureza que os envolve. O primeiro ato, durante a travessia, é lavar as mãos e a boca, uma forma exterior que propicia e prepara o encontro de cada um com a sua pureza interior.
Os convidados entram por uma porta, que não é a do anfitrião.Na sala há duas portas: uma mais alta, é do anfitrião, a outra, menor, dos convidados. Isso obriga o convidado a se inclinar, para entra na sala com humildade, mesmo que seja alguém ilustre. Todos os hóspedes, independente de raça, credo, nível social ou cultural são igualmente importantes e queridos para o anfitrião. Por essa razão, ele só aparece quando todos já estão reunidos e os conduz respeitosamente ao recinto do chá. Tudo deve evocar amor à natureza, à pureza, ao silêncio e à tranquilidade. E afastar o que é barulhento e insistente, e que ofende os olhos, agita os sentidos, como pensamentos borbulhantes e idéias excitantes.

Convidados e anfitrião entram na sala, que ainda não está pronta. Como se nada fosse acontecer ali, não há nenhuma louça, nenhum vestígio do que vai acontecer. Os utensílios somente serão trazidos quando todos os convidados estiverem presentes e serão retirados ainda na presença deles, justamente para enfatizar o Vazio, Vazio ao entrar, Vazio no final. Só o Vazio permance.

A cerimônia transcorre regularmente. Fala-se sobre temas transcedentais e até mesmo sobre decoração. Algum sentimento ou alguma coisa presente como, por exemplo, a beleza do arranjo de flores, porém, nada que diga respeito às coisas mundanas. Por fim, o convidado sai percorrendo o mesmo caminho de pedras, passo a passo, deixando pra trás somente o Vazio. Os desejos enfraquecem. É um mergulho no nada. É o silêncio – e com ele a serenidade e a paz no coração.

Utensílios

No sado, é usado um chá em pó, diferente do chá japonês geralmente utilizado. O natsume é um pequeno tipo de recipiente. A palavra natsume originalmente significa jujuba. Esse recipiente é assim chamado porque assemelha-se ao formato da jujuba. Coloca-se o pó do chá verde dentro do natsume. Chashaku é algo parecido com uma colher de chá, e é feita de bambu. Ela é usada para colocar o pó do chá verde dentro da xícara de chá, que é chamada de chawan.Chasen se parece com um pequeno batedor de ovos, feito de bambu e, é usado para misturar o chá e a água quente. Mizusashi é um tipo de tigela. É usado para despejar e manter a água fresca para fazer o chá. Kensui também é um tipo de tigela, onde é despejada a água, depois de lavarmos a xícara de chá. Hishaku é uma espécie de concha, que usamos para tirar a água quente. Chakin é algo parecido com um pano de pratos, feito de linho e usado para secar a xícara de chá. O descanso de tampa é chamado de futaoki, onde colocamos a tampa do kama (pote de ferro). O Fukasa é um tipo de guardanapo de seda.

Curiosidades – Fatos interessantes sobre o chá

Todos os chás vêm de uma planta chamada Camellia Sinensis e podem ser classificados em seis principais tipos de chá, não incluindo os herbais e outros que não possuem as verdadeiras folhas de chá. Essa planta é rica em antioxidantes, que demonstraram ser eficazes no combate ao envelhecimento.
É um fato interessante que o chá inglês, o chinês oolong e o chá verde japonês venham da mesma planta. No entanto, eles possuem sabores diferentes, por causa das diferenciadas maneiras do processo de fabricação.

Expressões:

Chato hyakushôwa shiboruhodo deru = Lavrador é como chá: rende tanto quanto se exigir dele.
Ochani suru = Fazer uma pausa (para o chá); descansar um pouco.
Chawa nemurio tsuru tsuribari = Literalmente, “chá é o anzol que fisga o sono”. Ou seja, é a bebida ideal para espantar o sono.
Ochao nigosu = Evadir-se, esquivar-se, temporizar

(Fontes: Aliança Cultural Brasil-Japão O caminho do Guerreiro Volume I – Vera Lucia Sugai)

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Pintura monocromática japonesa: Sumi-ê

Paisagem com técnica
haboku, de Sesshû Tôyô


Sumi-ê é a arte da pintura feita com tinta preta sumi. Conhecida, inicialmente, como suibokuga (“água sumi-pintura”), sua origem vincula- se aos mosteiros budistas chineses da Dinastia Sung (960-1274) e sua introdução no Japão remete ao século XIV, juntamente com a entrada da doutrina zen-budista no país.

O material usado em sua prática compreende pincéis de diferentes tipos, absorventes papéis chineses e japoneses, além, é claro, da própria tinta sumi, feita a partir da fuligem de pinheiros (ou de óleos vegetais), finamente moída e misturada ao aglutinante nikawa, e do suzuri, instrumento empregado para o preparo da tinta (friccionase o bastão de sumi no suzuri comágua e, assim, produz-se tinta de diversas tonalidades).

Elementos Fundamentais

Dois são os elementos fundamentais do sumi-ê: a linha e o espaço, que se definem mutuamente. E, apesar de monocromática, essa arte envolve uma vasta gama de tons, o que leva o observador a visualizar cores por meio de sua imaginação. Além disso, em muitas das pinturas assim executadas, o objeto representado não é concluído, o que faz com que o observador complete as formas que são apenas sugeridas pelo artista.

No Japão, Sesshû Tôyô (1420-1506) é considerado o maior expoente de sumi-ê – o criador do“estilo japonês”. Sesshû estudou o estilo de pintura chinês com o mestre de sumi-ê Shûbun e pôde ir, ele próprio, à China, a fim de conhecer de perto sua arte e paisagens. O estilo que desenvolveu, conhecido como haboku (“tinta-que-corre”), enfatiza não uma representação detalhada, mas, com um trabalho mínimo dos pincéis e da água, uma sugestão imaginativa de manchas e texturas que, entretanto, transformam-se em paisagens.

Pássaro em uma árvore árida,
de Miyamoto Musashi

Sumi-ê no Brasil

No Brasil, por sua vez, considera-se Massao Okinaka (1913-2000) como o artista de sumi-ê de maior destaque. Okinaka nasceu em Quioto e estudou sumi-ê com Onishi Kakyo (escola Sanae). Em 1932, veio para o Brasil, onde difundiu largamente essa arte, inclusive no meio acadêmico.

Também é bastante apreciado o trabalho do japonês Yoshiya Takaoka (1909–1978), que, tendo emigrado em 1925 para Cafelândia (Estado de São Paulo), presenteou o público com pinturas fluidas e essenciais com pincel fude e tinta sumi.

Talento Samurai

O espadachim mais famoso do Japão, Miyamoto Musashi (1584-1645), também foi um renomado artista de sumi-ê. Em suas obras, há vestígios não apenas do olhar de um artista, mas também do de um guerreiro. Em Pássaro em uma árvore árida, por exemplo, verifica-se isso tanto nos traços, intensos, vívidos, quanto na temática da obra: um pássaro solitário, em equilíbrio frágil, porém, contido e pronto para a ação.

(Fonte: Jornal Nippo-Brasil)

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