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Archive for março \29\UTC 2008

Consta no registro que dia 20 de agosto de 1878 (ano 6 da era Meiji) o imperador Meiji realizou o DANPATSU (cortar o cabelo, desfazendo o CHON-MAGE, ou o penteado ao estilo antigo). Até então, ele usava o Chon-mage (lê-se tyon-mague), que aos poucos foi perdendo o prestígio ante a acelerada onda de ocidentalização que assolou o Japão logo após a revolução de Meiji, levando as pessoas a cortarem o tradicional chon-mage e trocar as vestimentas típicas japonesas às vestimentas e calçados ocidentais para serem mais chiques e modernos. Por outro lado, a tradição de 250 anos arraigada durante o Período Edo não se desfez tão facilmente. O danpatsu foi liberado em 1871 (ano 4 da era Meiji) mas antes disso, os altos funcionários do governo que eram enviados ou iam estudar nos Estados Unidos ou na Europa já adotavam o cabelo curto, surpreendendo os compatriotas ao regressar ao Japão. O corte ocidental se tornou comum entre os diplomatas e os ligados ao comércio exterior, tornando-se um símbolo do florescimento da civilização. Mas entre os populares ainda existiam os que usavam o chon-mage. Dizem que devido a isso, até houve uma província que cobrasse impostos sobre o chon-mage. Dizem também que os funcionários públicos percorriam toda a vila e, ao achar alguém com tal penteado, imediatamente cortavam-no. O Imperador Meiji também decidiu-se pelo danpatsu.Os penteados dos cabelos sofreram transformações com a época. Nos tempos primitivos, o penteado visto em mitologia ou nos amuletos em forma de bonecos é um penteado masculino chamado hamizuta, que consiste em dividir os cabelos ao meio da atesta, amarrando-os nas laterais da cabeça acima de cada orelha em formato de 8. Desde o Período Nara (710 a 784 D.C.) até o final do Período Muromachi (1392 a 1573 D.C.) foi adotado o sistema de utilização de kanmuri ou eboshi (tipos de chapéu que indicavam a hierarquia – imagem abaixo). Como todos os homens utilizavam esses chapéus, seus cabelos ficavam invariavelmente amarrados no alto da cabeça, não tendo então alterações nas suas formas.

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No período Kamakura, com as contínuas guerras civis, os samurais utilizavam com freqüência o elmo, e apra evitar que os cabelos da região sobre a cabeça provocasse excesso de umidade e calor começaram a raspá-los, dando início ao sakayaki(imagem abaixo). Depois de entrar na Era Edo, os protocolos da corte e demais classes socais se tornaram rigorosos, determinando até as cores dos cordões com que amarravam os cabelos presos: violetas para a nobreza, vermelha para os shoguns (generais), branca para os guerreiros de classe inferior. Quando este costume de raspar o alto da cabeça se espalhou entre os populares, surgiram os profissionais dessa atividade. Surgiram então em Edo centenas de kamiyuidoko, ou seja, barbeiros especializados.

 

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Quanto ao cabelo feminino, na antigüidade usava-se cabelos lisos, amarrados ou soltos, mas no Período Nara, sob influência da China, passou a usar 2 biotes no alto da cabeça. Posteriormente, na Era Heian usou-se os cabelos lisos e soltos bem ao estilo japonês e, especialmente nas classes sociais altas o normal era tê-los com 2 metros de comprimento, sendo considerado ideal se estivessem por volta de 50 cm. Mais longo do que a vestimenta. Porém, para as mulheres que trabalhavam, os cabelos longos não eram práticos, então prendiam-nos nas faixas ou nos cozes da vestimenta ou ainda na cabeça.

Do período Muromachi ao Período Edo, os cabelos ficaram mais curtos, e os penteados com cabelos presos passam a ser mais comuns. Essa moda começou a ser propagada pelas cortesãs, artistas de kabuki, e gravuras como ukiyo-ê, tendo perto de 300 tipos diferentes de penteado.

Em 1885 foi fundada a Associação feminina de sokuhatsu (cabelos presos ao estilo ocidental) que, sob influência do danpatsu masculino defendia o fim do penteado estilo oriental e o uso do penteado ocidental. Devido a isso, até os anos 30 e 40 Meiji, a moda foi difundida desde as altas classes sociais até as camadas mais humildes. Nas Eras Taisho e início de Shouwa a vestimenta ocidental se generalizou e o permanente passou a ser moda no pós-guerra.

(Fonte: Artigo retirado do jornal S.Paulo Sinbum)

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O Samurai

Os samurais eram os guerreiros do Japão feudal (Período de 1185 à 1867, cerca de 700 anos). A palavra samurai vem do verbo Saburai, que significa “aquele que serve ao senhor”.

Inicialmente, os samurais eram apenas coletores de impostos e servidores civis do império. Era preciso homens fortes e qualificados para estabelecer a ordem e se necessário, ir contra a vontade dos camponeses. Posteriormente no século X, estes guerreiros foram destacados para serem guardiões da corte imperial, em Kyoto e como membros de milícias particulares dos senhores provinciais. Nessa época, qualquer cidadão poderia tornar-se um samurai. Este cidadão por sua vez, teria que se alistar nas artes militares, manter uma reputação e ser habilidoso o suficiente para ser contratado por um daimyo (título dado ao senhor feudal, chefe de um distrito) prestando-lhes serviços com total lealdade, mas enquanto isso não acontecia, esses samurais, eram chamados de ronin. Em troca de seus serviços, estes recebiam privilégios (terras e/ou pagamentos), que geralmente eram efetuados em arroz, numa medida denominada koku (200 litros).

A relação de suserania e vassalagem era muito semelhante à da Europa medieval, entre os senhores feudais e os seus cavaleiros. Entretanto, o que mais difere o samurai de quaisquer outros guerreiros da antiguidade é o seu modo de encarar a vida e seu peculiar código de honra e ética.
E assim foi até o xogunato dos Tokugawa (iniciado em 1603), quando a classe dos samurais passou a ser uma casta (camada social hereditária e endógama, cujos membros pertencem à mesma etnia, profissão ou religião). A partir deste momento, o título de “samurai” começou a ser passado de pai para filho.
Ao se tornar um bushi (guerreiro samurai), o cidadão e sua família ganhavam o privilégio do sobrenome. Além disso, os samurais tinham o direito e o dever de portar um par de espadas à cintura. O daishô era composto por uma espada pequena (wakizashi), cuja lâmina tinha aproximadamente 40 cm, e uma grande (katana), com lâmina de 60 cm.

Todos os samurais dominavam o Kyudo (arco e flechas). Alguns usavam também bastões, lanças e outras armas mais exóticas.
Alguns senhores feudais foram aumentando o seu poder de combate treinando guerreiros primeiro para proteger suas terras da invasão alheia, depois para conquistar novas terras. Esses senhores rurais se tornaram funcionários de kokushi (espécie de governador), administradores rurais ou guardiões das terras, recebendo títulos de nobreza mais baixas. Eles passaram a liderar grupos de guerreiros.
Entre os nobres mandados para o interior como kokushi, surgiram aqueles que preferiram permanecer no campo, mesmo após o término do seu mandato, já que não havia perspectiva de uma vida melhor na capital. Alguns destes nobres optaram pela vida rural, onde se tornavam líderes de grupos samurais, iniciando, dessa forma, a criação dos clãs.

A criança samurai

Todo samurai considera ponto de honra ele próprio cuidar da educação de seus filhos, com a indispensável ajuda de sua esposa. A educação que a criança recebe por seus pais tem por finalidade moldar suas almas com os princípios da classe guerreira, tais quais: lealdade e devoção ao senhor, coragem, auto-disciplina e destemor da morte, para que assim os filhos do samurai se tornem dignos de seu nome.
Desde os 5 anos de idade as crianças já aprendem a manejar o arco-e-flecha atirando contra alvos ou em caçadas, sob a orientação paterna. Posteriormente treinam também a equitação – indispensável ao bom samurai.
A educação possuía 2 ramos essenciais:
A escrita chinesa e conhecimento de clássicos japoneses e chineses e o manejo de armas.
Shakuhashi Aos 10 anos de idade, a criança ficava durante 4 ou 5 anos recebendo educação intensiva. Isso consistia no treinamento da caligrafia, matérias gerais e exercícios físicos. A noite era reservada para a poesia e a música (os samurais tocavam o shakuhachi, a flauta de bambu japonesa).
A leitura consistia em crônicas de guerra, história antiga, coleções de máximas, etc., todos destinados a moldar uma mentalidade marcial no jovem samurai.
Aos 15 anos, o samurai é reconhecido como adulto. Nessa idade ele passa pela cerimônia do gempuku, através da qual é confirmada sua nova condição adulta. A partir daí ele passa a portar também duas espadas de verdade à cintura e tem de obedecer ao bushidô (código de honra). Há também uma mudança em sua aparência, tanto no penteado como na forma de vestir-se.

O casamento

O casamento era mais uma união de interesses do que uma união amorosa. Muitas vezes o casamento era arranjado pelos pais, mas com o consentimento dos jovens. Segundo velhos costumes, muitas vezes as preliminares eram confiadas a um intermediário.
No caso da mulher do samurai ser estéril, o marido tem por direito uma segunda esposa, para que esta possa lhe dar descendentes. A partir do século XV esse costume vai desaparecendo, prevalecendo assim a monogamia. É importante ressaltar também que o homossexualismo era prática considerada normal entre os samurais, apesar de não haver casamentos entre eles.
Sucessão
Por tradição, o herdeiro do samurai tende a ser o seu filho primogênito. Entretanto isso não chega a ser regra, pois o mais importante para o samurai é escolher o filho mais apto a ser bom guerreiro, e a defender o nome de sua família. Na ausência de um herdeiro homem, ou se o samurai achar que nenhum de seus filhos é digno de honrar o nome de sua família, ele pode recorre à adoção (chamada yôshi), geralmente de um parente ou genro.
O processo de adoção surge da necessidade primordial do samurai de encontrar um herdeiro capaz de honrar e cultuar os seus antepassados, e proteger o nome e as posses de sua família contra eventuais rivais. O herdeiro tem por função sustentar seus irmãos e irmãs, que se tornam seus dependentes após a morte de seu pai.

A mulher do samurai

Na classe dos bushi, a mulher ocupa importantes funções, apesar de não possuir autoridade absoluta. Tem de cuidar da cozinha e das roupas de todos os membros da casa. Outra função importante era a educação das crianças, era de sua obrigação instruí-los sobre os ideais da classe samurai e princípios básicos do budismo e confucionismo. Toda a educação dos filhos era supervisionada pelo marido.
Quando o samurai não se encontrava em casa, o que acontecia com freqüência, a mulher assumia o controle do lar. Isso incluía, além dos trabalhos domésticos, a defesa do lar. Em tempos de guerra, se a casa do samurai fosse atacada, a mulher tinha por função defendê-la com as próprias mãos, usando uma espécie de espada denominada naginata ou atiravam com arcos.

A mulher também tinha de servir ao seu marido, sendo fiel e compenetrada em suas funções. Além de tudo isto, elas não se esqueciam de sua feminilidade e vaidade. Cuidavam muito de sua aparência, gostavam de manter a pele clara, arrancam sobrancelhas, vestiam-se com luxo e usavam cosméticos, tais qual o batom e o pó-de-arroz. Também era hábito das mulheres casadas pintarem os dentes de preto.

A limpeza da honra – Sepukku

Ao serem derrotados no campo de batalha, estes cometiam o sepukku, popularmente chamado de harakiri (cortar a barriga ou cortar o estômago) a fim de evitar ser feito prisioneiro em campos de batalha, pois era considerada imensa desonra entre os samurais se render ao adversário, eles preferiam renunciar à vida a se entregarem para seus inimigos. Além disso, se render não era uma escolha muito agradável, pois os prisioneiros eram geralmente torturados e maltratados. Estes guerreiros também realizavam o sepukku como castigo para recuperar a sua honra, quando esta fosse perdida por alguma atitude indigna; Em um ato de pura lealdade, o samurai poderia chegar a se matar para chamar a atenção de seu senhor tentando adverti-lo sobre algo de errado que ele estivesse fazendo. Alguns samurais também se suicidavam ao ver o declínio dos seus senhores, ou quando estes morriam, eles se suicidavam como forma de acompanhá-los eternamente para seguir a doutrina de que um samurai não serve a mais de um daimyo em sua vida. O primeiro sepukku registrado na história data de 1170, quando Minamoto Tametomo, suicida-se após perder uma batalha contra o clã dos Taira.O samurai que se submeteria ao sepukku se banhava para purificar o seu corpo e a sua alma, dirigia-se ao local de execução e se sentava na posição seiza (forma japonesa tradicional de se sentar sobre os calcanhares). Pegava então sua wakizashi (espada curta) ou um punhal e perfurava o lado esquerdo do abdômen, cortando a região central do corpo e terminava por puxar a lâmina para cima. O corte era realizado na região do abdômen porque este a região era considerada o centro do corpo, das emoções e do espírito. O samurai também escrevia um poema de morte, uma pequena composição poética onde o deixava registradas as suas últimas impressões do mundo, algum desejo oculto ou simplesmente uma despedida formal.

A morte por sepukku era lenta e dolorosa, e podia levar horas. Apesar disso, o samurai devia demonstrar total autocontrole diante das testemunhas que assistiam o ritual, não podendo dar sinais de dor ou medo.
Ao lado do suicida ficava um amigo ou parente, o kaishakunin, que portava uma espada. Se o samurai demonstrava não estar mais suportando a dor, este lhe dava o golpe de misericórdia, decepando sua cabeça.

Seria considerada imensa falta de respeito se a cabeça do samurai rolasse diante de seus parentes, que geralmente também assistiam à execução. Por causa disso o kaishakunin devia acertar o pescoço do samurai de modo a deixar a sua cabeça pendendo, para que esta não fosse degolada. Assim, este devia ser um exímio espadachim. Esta era uma função considerada honrosa.

O campo de batalha

A morte, nos campos de batalha, quase sempre era acompanhada de decapitação. A cabeça do derrotado era tida como um troféu além de ser uma prova de que ele realmente fora derrotado. Samurais que matavam grandes generais eram fartamente recompensados pelos seus senhores, que lhe davam terras e mais privilégios.

Outros dotes dos samurais

Enganam-se aqueles que avaliam os samurais apenas como guerreiros rudes e de hábitos grosseiros, os samurais destacaram-se também pela grande variedade de habilidades que apresentaram fora de combate. Eles também praticavam as artes como kendo (esgrima), a alfabetização era parte obrigatória do currículo, muitos eram excelentes poetas, calígrafos, pintores e escultores. Algumas formas de artes como o Ikebana (arte dos arranjos florais) e a Chanoyu (arte do chá) eram também consideradas artes marciais, pois treinavam a mente e as mãos do samurai.

 

 

 

 

(Fonte: Grupo Jishin – http://www.jishin.lemacsi.com.br/samurais.html)

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Aikido

O Aikido, é uma arte marcial criada no Japão nas décadas de 1920 pelo mestre Morihei Ueshiba (1883-1969)(foto abaixo), a quem os praticantes desta arte respeitosamente chamam Ô-Sensei (“grande mestre”) ou fundador (a expressão sensei quer dizer aquele que sabe). Ueshiba concebeu o Aikido a partir da sua experiência com dezenas de artes marciais, sendo as principais o daito-ryu aikijujutsu, com sensei Sokaku Takeda, o kenjutsujojutsu (técnica da espada) e o (técnica do bastão curto), sendo outro de seus mestres Onisaburo Deguchi, líder da seita Oomoto-kyo, no Japão. Seus sucessores principais no Aikido foram Kishomaru Ueshiba (1921 – 1999) e Moriteru Ueshiba (1951)

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O termo aikido é composto por três caracteres kanji:

  • Ai : harmonia
  • Ki : energia
  •  : caminho

Em tradução livre, “caminho da harmonização das energias”.

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Na sua teoria espiritual, parte fundamental da luta, o Aikido busca a harmonia dos seres com uma energia universal chamada Ki, comum as práticas zen e ao yoga. Este termo não tem uma tradução estrita para o português, podendo denotar diversos conceitos: respiração, sopro vital, espírito, energia ou intenção (nas imagens quem está aplicando a técnica é denominado tori ou nage e quem sofre a aplicação é chamado uke).

    Todos os movimentos do Aikido, seguem as leis da natureza; são cheios de vigor e força, sem forçar de forma alguma nossos movimentos naturais. Consequentemente, pessoas de todas as idades e de ambos os sexos sentem-se atraídas pelo Aikido como uma forma ideal para temperar, forjar e treinar a mente e o corpo. Nas aulas práticas, usa-se a didática do método repetitivo (reiterada repetição de uma mesma técnica), ao invés do método competitivo.O Aikido é mais do que esporte, porque não busca objetivos relativos como o de uma competição, mas busca, isto sim, os valores absolutos que transcendem os desejos de glória pessoal.

Segundo mestre Ueshiba:

    “O Aikido não é uma técnica para lutar contra um inimigo ou derrotá-lo. É uma maneira de conciliar as diferenças que existem no mundo e fazer dos seres humanos uma família. Significa que o segredo do Aikido é a busca da harmonia com o Universo, é tornar-nos unos com o Universo. Seus praticantes devem buscar esse entendimento por meio de treinamento diário”.

 O termo aiki refere-se ao princípio da luta de absorver o movimento dos atacantes para controlar suas ações com o mínimo esforço. Se inspira no Tao ou o todo ou o caminho, não se admitindo competição e onde o treino procura desenvolver sentimentos de fraternidade e cooperação. Baseia-se em movimentos fluidos e circulares.

 

 (Fonte: Wikipedia e Instituto Maruyama de Aikido)

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    Ninjai:The Little Ninja é um desenho animado feito em animação flash, produzido pelo grupo Ninjai Gang.

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Ninjai é o protagonista da estória, um pequeno Ninja que percorre o japão antigo atrás de respostas sobre sua existência, na sua jornada se depara com clãs ninja, demônios, ladrões e vilões. O único amigo de Ninjai, é um canário que começa a segui-lo num certo episódio da série, Ninjai chama o pássaro de ‘Little Bird’, e estes se tornam bons amigos com o decorrer do desenho.

Ninjai: The Little Ninja, apesar de ser um desenho animado, não é recomendado para menores de 13 anos, e alguns episódios da série tiveram uma segunda versão, pois a original era considerada muito violenta.

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  Alguns fatos interessantes acerca da série, é que Ninjai não segue o estereótipo Ninja, não usando roupas pretas nem máscara, e um dos seus inimigos se chama Tokugawa(nome de um importante xogum para a história do Japão).

Mesmo sendo uma série considerada violenta, Ninjai:The Little Ninja, conta com algumas cenas emocionantes, como a preocupação de Little Bird com Ninjai, e mostra um modo de vida simples e reto do herói, que de certa forma, nos remete ao modo Zen de agir.

Ninjai: The Little Ninja pode ser assistido na integra(a série atualmente conta com apenas 12 episódios), no site http://www.ninjai.com

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Sudoku

    O nome Sudoku é a abreviação japonesa para a longa frase, suuji wa dokushin ni kagiru que significa os dígitos devem permanecer únicos; e é uma marca registrada da Nikoli Co. Ltd no Japão.

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No Japão, os jogos numéricos são mais populares que palavras-cruzadas e caça-palavras, que não funcionam muito bem na língua japonesa. Em 1986, depois de alguns aperfeiçoamentos no nível de dificuldade e na distribuição dos números, o sudoku tornou-se um dos jogos mais vendidos do Japão.
O jogo é mais frequentemente uma grade de 9×9 constituída de sub-grades de 3×3 chamadas de regiões (outros termos incluem caixas, blocos, algumas vezes porém o termo quadrante é utilizado, apesar de ser um termo impreciso para uma grade de 3×3). Algumas células já contém números, chamadas como números dados (ou algumas vezes pistas). O objetivo é preencher as células vazias, com um número em cada célula, de maneira que cada coluna, linha e região contenham os números 1–9 apenas uma vez. Portanto, na solução do jogo, cada número aparece apenas uma vez em qualquer um dos sentido ou regiões, daí portanto “únicos números” originaram o nome do jogo ou enigma.

Para quem gosta deste jogo, ou nunca jogou e gostaria de tentar, eis aqui um site onde se pode jogar Sukodu no site  http://sudoku.hex.com.br  contando com uma variedade de mais de 310 jogos, passando pelos níveis Fácil, Médio e Difícil.

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    O Xintoísmo é a religião nativa do Japão. É, antes de qualquer influência, o componente básico de toda a cultura japonesa. O seu culto tem origem na Pré-História e se estende até os dias de hoje, sendo a célula matriz de toda a organização social do povo japonês. Por ser um culto ligado a natureza, o Caminho de Kanagara ou, em japonês, Kanagara no Miti, é a essência e o elo desse povo com a terra-mãe, que lhe transmitiu suas características, é a visão da vida como expressão do universo.

    O Caminho de Kanagara é, por certo, um culto pacífico e acolhedor como um útero, pois de outra forma não aceitaria de bom grado tantas influências como o budismo e o confucionismo. Apesar de uma convivência relativamente pacífica com outras filosofias, a sua fecundidade incomparável se impôs e propiciou mais uma vez o ninho em que gerou, com esses novos fluxos religiosos, uma nova forma e vida essencialmente japonesa. Ajudou a criar algo único – como somente ela e os seus deuses da natureza poderiam fazer – de incomparável força e beleza como o Zen.

    Assim sendo, conta a mitologia japonesa que um casal de deuses, Isanagui no Kami(homem) e Isanami no Kami(mulher), dá origem ao Japão. Este casal era o último, visto que o mundo já estava habitado o suficiente para um bom começo.

    Com a nova terra organizada, Isanagui e Isanami decidem viajar pelo território para melhor conhecê-lo e explorá-lo. Isanagui quer ir para o Sul, e Isanami quer começar pelo Norte. Dando origem a uma séria divergência entre o casal, que vai terminar em separação.

 

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    Isanami vai para o Norte como queria, apesar do Norte ser ainda um lugar com territórios totalmente desconhecidos, como o de Yômi(que significa escuridão, morte), cujos habitantes são pouco civilizados, sujos e primitivos como os habitantes dos vales infernais, e decidiu que lá seria o seu trabalho.

Isanagui segue para o Sul, mas a falta de notícias de sua mulher o deixa preocupado. Decide procurá-la. Passa-se muito tempo até que a encontre e tente convencê-la a voltar para viverem juntos na terra abençoada.

    Isanami, zangada, se queixa da demora do marido, e explica que justamente pela demora, acabou por adaptar-se à nova terra. Comera do seu alimento e se tornara um deles, e dessa forma era impossível voltar. Isanagui insiste, e ela aceita se consultar com algumas pessoas de sua confiança sobre a possibilidade de voltar. Isanagui a segue até o seu palácio, mas ela lhe pede que não entre, e que espere na porta enquanto estiver lá.

    Esperando por algum tempo, impaciente e curioso, ainda mais pelo estranho pedido, penetra no palácio contrariando a promessa que fizera. Entretanto, ao entrar, sente um terrível mau-cheiro que vem de dentro do palácio. Depara-se, então, com o corpo de sua esposa inerte, já em estado de decomposição. Sentados ao redor do corpo, numerosos homens e mulheres muito feios e deformados contemplam a deusa.

    Horrorizado, Isanagui se afasta e se põe a correr. Mas o tumulto causado pela visita indevida acorda Isanami, que irada ordena às mulheres que persigam seu marido e o tragam à sua presença.

    Ao ser perseguido, Isanagui joga a sua peruca, que se transforma em vários cachos de uva. As mulheres,como todos os habitantes desse lugar horrível, são por natureza famintas e se põem a devorá-las, mas tão logo terminam, retornam a sua perseguição. Ele então atira os dentes de seu pente, que se transformam em saborosos brotos de bambu. Enquanto saboreiam a comida, as mulheres esquecem de persegui-lo.

    Na fuga ele é novamente alcançado. Dessa vez escapa usando a própria urina que, transformada em um grande rio, o separa das mulheres. De volta ao palácio as mulheres relatam o fracasso da captura. Isanami irada, envia uma tropa de mil demônios chefiados,agora, pelo Deus do Raio.

    Novamente perseguido,Isanagui vibra sua espada de dez palmos, ora lutando ora correndo, até se deparar com um pomar de ameixeiras carregadas. Lembra-se então que ameixas são odiadas por demônios, arremessa-as contra os atacantes e acontece um verdadeiro milagre: consegue pôr fim à perseguição.

    Isanagui fica desolado, resolve voltar para o Sul e continuar o seu trabalho. Antes porém, é preciso que ele se purifique, pois se contaminou ao entrar em contato com os habitantes de Yômi. Lembra-se da esposa com muita tristeza e quando recebe a notícia de seu falecimento. Senta-se e chora, e de suas lágrimas nasce uma deusa, percorre um longe caminho em busca de um lugar para purificar-se, até que encontra um riacho um límpido riacho. Despe-se. Em absoluto e concentrado silêncio, começa a se lavar em um ritual de purificação. Dos primeiros pingos de água ainda sujos nascem dois deuses. Que serão os responsáveis pelas pessoas e as más obras deste Terra, como conseqüência ainda de sua viagem a Yômi.

    À medida que Isanagui se purifica, surgem outros deuses abençoados que vão nascendo por todos os lugares por onde ele se banha, até chegar o momento de lavar seus olhos. Do olho esquerdo se dá a origem de uma de deusa de grande nobreza e luz. É Amaterasu, que de tão resplandescente se faz a Deusa do Sol.

    De seu olho direito nascendo assim outro deus, Tsukiyomi, o Deus da Lua, muito inteligente e virtuoso.

    Ao lavar o nariz, nasce por fim um deus que representa a coragem e bravura, e recebe o nome de Sussanô.

 

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    A cada deus é dada uma tarefa, Amaterasu é em terra nos territórios do Sul, juntamente com Tsukiyomi que a auxiliará nos territórios do Norte. Para Sussanô designou os mares com suas profundezas ocultas, pois para essa tarefa são necessárias bravura e coragem. Isanagui volta ao seu lugar de partida, onde um dia havia feito planos com sua esposa Isanami, e veio falecer satisfeito e tranqüilo com sua missão cumprida.

    Amaterasu e Tsukiyomi obtém ótimos resultados. Infelizmente o mesmo não acontece com Sussanô. Contrariado com seu legado, que considera uma maldição, se volta contra a irmã, invadindo seus domínios e culminando na morte das damas de companhia de Amaterasu. Indignada, ela se retira do mundo, esconde-se em uma sombria caverna e fecha a entrada. Com isso, céus e terra mergulham em profunda escuridão, ameaçando a sobrevivência de todos.

    Os outros deuses, preocupados, promovem uma reunião diante da caverna, com danças, cantos e oferendas, numa estratégia pra trazer a Deusa do Sol devolta.

    Amaterasu estranhou todo aquele barulho àquela hora,ainda mais com a escuridão que tomava conta do mundo. Provocada pelo convite de um deus para que olhasse e visse um espelho de impressionante beleza e luz, entreabriu a porta, o que lhe permitiu vislumbrar, apenas por uma fresta, a luz do espelho na árvore. Mas um deus, aproveitando desse momento de descuidado encantamento, segurou-lhe a mão, convidando-a pra sair, voltando assim ao mundo que imediatamente recuperava a sua verdadeira luz.

    Depois disso Sussanô é julgado e punido. Vai para o Norte, cuja trajetória é permeada de grandes aventuras, inclusive a de enfrentar um monstro de oito cabeças, responsável pela morte de sete jovens, restando uma última. Ao derrotar o monstro, casa-se com a jovem, pois deseja reconstruir sua nova vida de maneira digna.

    Com sinal de suas boas intenções, propõe a irmã dar à luz juntamente com ele. Ele teria seus filhos, enquanto ela filhas, em um ritual conciliatório, onde seria isso possível, e que viria a ser a prova de sua firme conduta e lealdade para com ela. Essa reconciliação permite o afastamento dos espíritos malignos e restabelece a ordem no mundo. É o triunfo da Luz.

    Esse conto, um sistema hipotético de formação do universo, nos mostra de forma clara a concepção de mundo do japonês. Podemos notar a coexistência harmoniosa do mundo profano, do concreto, da matéria do mundo fantástico, do sagrado, ou seja, com o universo divino.

    Outra coisa importante é o otimismo dessa concepção, pois sempre o bem sobrepuja o mal, ainda que este domine por algum tempo. As virtudes que nos levam a essa vitória são a bravura, a coragem, a doçura, a nobreza de sentimentos e os arrependimento com o reconhecimento dos erros.

    Essa concepção fala sobre a alternância de luz e sombras em busca de novas formas que revelem novamente a luz, fala da revelação e da preservação do mundo criado. Nos leva ao auto-conhecimento.

 

 

 

 

 

(Fonte: O Caminho do Guerreiro – Vera Lucia Sugai – Volume I – Adaptado)

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Seiza

Seiza e a Tranquilidade

A maneira dos japoneses se sentarem sobre os calcanhares, com uma mão sobre a outra, conhecida como nipon-za (postura japonesa), é um tipo de seiza. Diz-se que só os japoneses sentam em tal posição. Mas tal postura é praticada por qualquer pessoa que se dedique à cerimônia do chá, ao teatro nô ou ao bailado japonês. Muitas vezes, em trens e ônibus, deparamos com japoneses sentados nessa posição. Houve época em que o nipon-za foi quase abandonado no Japão, mas, quiçá pela influência do zen-budismo, vem sendo novamente adotado em todo o mundo.
Na postura, ou seiza, conhecida por nipon-za, as pessoas se sentam sobre os calcanhares, de pernas dobradas. Os homens deixam os joelhos abertos de modo que entre eles possam passar dois punhos fechados e meio; as mulheres, dois punhos. Quando sentamos por pouco tempo, colocamos o peito do pé direito para baixo e apoiamos o peito do pé esquerdo sobre a sola do pé direito. Quando sentamos por longo tempo, o dedão do pé direito é colocado por baixo do pé esquerdo e de vez em quando invertem-se as posições. As mãos descansam sobre o baixo-ventre, a mão direita por baixo. Entretanto, o ponto crucial está na parte superior do corpo: o tronco deve ficar bem ereto e todos os músculos relaxados, exceto os do baixo ventre, que precisam estar bem tensionados.
Sei significa tranqüilidade. É nossa intenção expor alguns aspectos deste conceito de tranqüilidade. O ideograma sei tem um grande número de significados, dentre os quais destacamos os mais amplos:

  1. repouso, antônimo de dô (movimento); diz-se de algo que está firme e imóvel.
  2. estar calado, antônimo de ken (vozerio).
  3. calmo, tranqüilo.
  4. correto, polido.
  5. descansar.
  6. tornar-se claro, transparente.
  7. abrandar-se, amolecer.
  8. valoroso.

Tais sentidos podem ser observados em uma série de palavras compostas como sei-i (vontade serena), sei-kan (visão serena), sei-za (prática de meditação que é feita sentando-se imóvel); sei-shi (contemplação), sei-jaku (concentração), sei-yô (cura, recuperação), etc.
Falaremos de seiza e seishi. Seiza é sentar-se numa atitude calma, tranqüilidade, repouso, silêncio e transparência, ao passo que seishi é um estado de espírito calmo, transparente e correto. Seiza é, então, a expressão de quietude do corpo, ao passo que seishi exprime a tranqüilidade do espírito. Temos assim expressada a quietude dos dois aspectos que fazem o ser humano: corpo e espírito. As duas palavras expressam a quietude do ser humano.
Como os japoneses passaram a usar tal sistema de seiza? Foi por influência do zen. Entre as mais primorosas manifestações da cultura japonesa, que chamam a atenção das pessoas de todo o mundo, vemos o teatro nô, o poema haikai, o arranjo floral ikebana e a cerimônia do chá. Todas essas artes datam de um período que se estende dos fins do século XIV até o século XVI (Período Muromachi), no qual o zen foi totalmente incorporado à vida prática.
Nos tempos antigos, os japoneses não viviam sobre esteiras; sentavam em cadeiras ou de pernas cruzadas sobre o chão de terra batida. Mas gradual progresso foi transformando essas posturas, principalmente depois da classe guerreira dos samurais tomar o poder político. Talvez porque o sentimento de impermanência das coisas, originado na vida do guerreiro sempre exposto a muitos perigos, levasse os samurais a procurar uma resposta para o problema de como viver. Assim, eles praticaram o zen e logo formularam o Bushido, código de honra samurai. Essa atitude dos guerreiros, de dedicação ao zen, foi se popularizando, e depois dos agitados anos de guerra civil do século XIV, na Era Muromachi, generalizou-se e o uso de cadeiras foi completamente substituído pelo seiza. Aí então brotaram e cresceram os elementos culturais acima mencionados. Podemos dizer que a cultura japonesa é a “cultura do seiza”.
Um elemento importante no processo de substituição das cadeiras por essa postura foi o código de etiqueta dos samurais. Organizado por Sadamung Ogasawara, sob a orientação do monge chinês naturalizado japonês Socho, sofreu pequenas alterações na época do shogun Yoshimitsu Ashikaga e tornou-se, enfim, o código oficial da classe guerreira, com o nome de Sangi-ito, conhecido vulgarmente como estilo Ogasawara de etiqueta.
Entre as várias formas de praticar a meditação zen existe a bosatsu-za, ou postura do bodisatva, que consiste em sentar sobre os calcanhares. Essa postura se transformou no nipon-za provavelmente pelo fato do código de honra dos samurais ser calcado nas virtudes do bodisatva, aquele que no seio da comunidade humana se esforça na prática e na difusão dos ensinamentos de Buda. Para manter uma posição na qual se está sempre pronto para instantaneamente atender ao apelo de outrem é preciso a maior calma, até para discernir os ruídos exteriores. Senta-se sobre os calcanhares, sem cruzar as pernas, para conseguir esses dois objetivos. Os guerreiros, que como um bodisatva precisavam responder imediatamente a apelos diversos, manifestaram um grande interesse por essa postura. O uso das esteiras tatami tornou-se comum no início do século XVII. Assim que as vantagens do seiza foram reconhecidas pelos guerreiros, sua prática passou a ser obrigatória no treinamento das artes militares. Os elementos da cultura japonesa são qualificados com a palavra “caminho” � caminho das artes militares, caminho das flores, caminho do chá, etc. Todos eles são aperfeiçoados e sublimados graças ao emprego do seiza.
Certa vez, numa escola de Formosa, investigando as relações entre a disposição mental e a prática do seiza, pediu-se aos professores de judô e esgrima que adiassem o ensino de suas respectivas artes aos alunos recém-matriculados, que foram exercitados na prática do seiza. Os alunos chineses não tinham nenhuma experiência no seiza. Alguns sofriam bastante com apenas cinco minutos de prática, empalidecendo e caindo, ou então expelindo gases. Com perseverança, passaram a tolerar dez, quinze, trinta minutos. Precisaram de dois anos para agüentar uma hora. Depois de adestrados no seiza, passaram ao aprendizado das técnicas. No fim do terceiro ano, muitos, além de alcançarem melhores resultados nos estudos, tinham obtido graus de judô e esgrima. Quando esses alunos chegaram ao quinto ano, foram infelizmente derrotados na competição de esgrima, mas venceram todos os competidores de Formosa no judô e representaram Formosa no Campeonato de Educação Física do Santuário Meiji. Os naturais de Formosa, até então considerados pouco fortes, foram assim recebidos no mundo das artes militares. Esse exemplo é suficiente para mostrar quão útil é o seiza para o aprimoramento do corpo e da mente. Com isso nós podemos compreender a disposição de espírito com que os samurais praticavam o seiza.
Como o zen é a alma mater do seiza? Nos fins da Segunda Guerra Mundial, intelectuais do mundo inteiro, transcendendo o sectarismo religioso, passaram a demonstrar profundo e especial interesse pela maneira zen do homem viver a vida. Isso levou a um verdadeiro boom do zen, que passou a atrair intensamente a atenção das pessoas. Em muitas universidades dos Estados Unidos, de Los Angeles a Cincinati, há professores publicando trabalhos minuciosos sobre zen. O Dr. Clark, do laboratório de psicologia infantil de Detroit, vem realizando trabalhos práticos sobre a utilização do zen na terapia de distúrbios mentais, abrindo, assim, um novo caminho para o zen. Misako Miyamoto, professora de uma universidade feminina japonesa, que realizou tais estudos na América do Norte, publicou um apanhado geral dos mesmos em Psychologia, revista internacional de psicologia do Oriente. Fala ela de seu espanto por ter estudado o zen nos Estados Unidos e manifesta vergonha pelo fato de só no estrangeiro lhe terem ensinado o que há de bom em sua própria cultura. Assim, nos Estados Unidos já foi ultrapassada a fase dos meros estudos e se atingiu a da utilização prática do zen. A teoria de Freud explica as reações psicológicas humanas pelos instintos, mas a moderna psicologia americana já reconhece, além dos instintos, algo real que toca a vida do ser humano. Parece que muitos pensam que o zen é o único caminho que levará ao reconhecimento desse “algo”.

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A revista Kyoiko to Igaku (Educação e Medicina) relatou o seguinte fato: em lares ingleses da classe média para cima, as crianças não aprendem boas maneiras sob coerção, obrigadas a fazerem determinadas coisas e a se absterem de outras. A partir dos três anos, as mães fazem os filhos praticarem seiza consigo, sentados em cadeiras, eretos, calados, respirando ritmicamente. Essa prática diária pode continuar até os vinte anos e chega a ter uma hora de duração. Considera-se, então, terminado o aprendizado de boas maneiras. Diante da ineficácia da coerção externa, procura-se levar o educado a espontaneamente manifestar o desejo de praticar boas maneiras. Aí encontramos uma proximidade entre o Oriente e a Inglaterra, ao que tudo indica por influência do Bushido. No seiza, a parte superior do corpo é mais importante que as pernas, e este relato, que nos informa sobre uma utilização pouco conhecida do seiza, demonstra essa afirmação.
O termo zen vem do sânscrito diana, que na China modificou-se para zen-na, vindo posteriormente a ser abreviado para zen. Zen-na foi traduzido para “pensamento tranqüilo”. Os antigos comparavam a mente à água dentro de uma vasilha, e diziam: Quando a vasilha se move a água se agita, mas quando fica imóvel o líquido fica tranqüilo. Daí a idéia da prática do seiza, que passou a ser considerado o método correto para a abtenção da tranqüilidade mental. Isso porque, quando se está em pé, o centro de gravidade do nosso corpo se acha em posição elevada, sem estabilidade suficiente, o que acarreta um estado de inquietude mental. E, quando se deita, a estabilidade do corpo é excessiva e provoca quietude mental também exagerada, gerando sonolência. Quando se dorme, obviamente não se está no estado de quietude mental visado. Quando tomamos a posição sentada, porém, obtemos o grau ideal de estabilidade física e mental, o estado de quietude mental mais conveniente.
Além da posição sentada, buscaram-se condições ideais para a obtenção da quietude mental. Verificou-se que, de olhos fechados, o praticante tem a sensação de estar balançando e se torna mais propenso ao sono. Por isso, os olhos devem ficar sempre abertos. Como não é bom que o corpo fique apertado, aconselha-se também que as vestes sejam folgadas. Recomenda-se ainda que a coluna vertebral fique rigorosamente na vertical e que seja aumentada a quantidade de ar inspirada no processo respiratório. Para isso, o ideal é a respiração abdominal. Assim, pouco a pouco os antigos foram estabelecendo a posição e as regras propícias para o seiza.
Que esclarecimentos nos dá a ciência moderna sobre o seiza? Vejamos primeiramente a respiração. Ela começa por ocasião do nascimento, quando o ar penetra no interior do corpo do bebê, produzindo seu primeiro vagido. A vida depende da respiração. O fim da respiração é um dos sinais da morte, fim da vida. Existe uma profunda relação entre respiração e saúde. Para ter uma vida longa, é necessário ter uma respiração profunda. Corpo e mente entram em quietude e são criadas melhores condições para a vida.
Um adulto saudável respira doze vezes por minuto. A emoção aumenta esse número. Cólera, a emoção mais fácil de se observar, pode elevá-lo a quarenta por minuto. O corpo fica então extremamente exausto, o que prejudica a saúde. Quando, porém, se pratica o seiza, provocando uma tensão nos músculos do baixo-ventre e regulando a respiração, dentro de dois ou três minutos a freqüência baixa para quatro ou mesmo duas vezes por minuto. Nota-se um aumento da capacidade pulmonar normal, de 500cc., para 1000 ou 2000. Também melhoram as condições da circulação sangüínea. Uma pessoa normal, respirando normalmente, conserva um terço de seu volume sangüíneo mais ou menos estagnado no baixo-ventre. A respiração abdominal controlada acarreta uma circulação perfeita. A pessoa treinada consegue condições ideais de circulação sangüínea após os primeiros quinze minutos de controle. Os batimentos do coração, o pulso e a pressão também atingem condições ideais. Baixa a pressão daquele que a tem alta demais e vice-versa.
Agora, vejamos a questão do gasto de energia pelo organismo. Um homem adulto em repouso necessita por dia um mínimo de 1400 calorias. A prática do seiza e do controle da respiração faz baixar essa necessidade para 1000 calorias. A saúde é mantida com um mínimo de alimentação. A alimentação frugal dos antigos samurais e dos praticantes da cerimônia do chá está relacionada com essas práticas.
Os antigos diziam que a mente estava localizada no ventre. Depois colocaram-na no peito. Hoje, a ciência a situa na cabeça, no cérebro. Vimos como o seiza faz baixar o consumo de calorias. Essa economia é feita com calorias gastas pelo cérebro. Uma pessoa normal gasta mais de 400 calorias no cérebro, mas a prática do seiza diminui esse número mais da metade, e em certas pessoas o faz baixar quase até zero. Isso mostra que o seiza não provoca esforço cerebral. No cérebro humano existem cerca de vinte bilhões de neurônios, como tubos de vácuo num rádio. Cerca de 90% deles são ocupados com funções inconscientes e só 10% com as conscientes. Atuamos voluntária e conscientemente apenas sobre 5% de nossos neurônios, exercitando o pensamento, a memória, etc. Portanto, a recuperação da fadiga sofrida por essa parte é fácil. Entretanto, quando agimos de má vontade, obrigados por outrem, aumenta a atividade inconsciente, já que não o fazemos por vontade própria. Isso coloca em atividade 90% de nosso cérebro e provoca uma fadiga da qual não é fácil se recuperar. Além disso, o trabalho dos neurônios do inconsciente é dez vezes mais rápido do que os ligados ao consciente. Os antigos recomendavam, “Torna-te senhor em todas as circunstâncias”, para resolver todos os problemas da vida e obter realização integral como ser humano. Quando agimos voluntária e independentemente em relação a quaisquer circunstâncias, não atuamos sobre as células vinculadas ao inconsciente e o esforço é muitíssimo menor. O esforço voluntário produz o máximo de resultados com um mínimo de gastos. Este espírito de independência nasce espontaneamente com a prática do seiza. O treinamento nas artes tradicionais japonesas, como em ikebana ou teatro nô, demora longos anos e demanda, através da prática do seiza, que seja desenvolvido o espírito de independência, a fim de se conseguir o máximo trabalho mental com o mínimo de esforço. O Caminho deve ser palmilhado com espírito de independência.

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O cérebro humano emite ondas elétricas de baixíssima freqüência. O psicólogo alemão Hans Berger descobriu a relação entre essas ondas e os vários aspectos da vida psíquica. Uma pessoa de olhos fechados, em atitude de repouso, diminui sua atividade psíquica e tende a adormecer se permanece como está, ou, pelo contrário, tende a aumentar sua atividade se abre os olhos. Porém aquele que pratica corretamente o seiza, consegue, mesmo de olhos abertos, penetrar num estado profundo de repouso que nada tem a ver com o sono. Este é um fenômeno natural, ao passo que o repouso alcançado pelo seiza é obtido através de uma atividade consciente e independente.

A diferença entre o estado de repouso devido ao seiza e o sono pode ser demonstrada através de estímulos sonoros. Quem dorme reage a um ruído através de movimentos lentos. O praticante do seiza reage a ruídos imperceptíveis às pessoas comuns, como o da queda de um alfinete, mas imediatamente se desfaz a tensão provocada pelo ruído e a pessoa volta ao estado de repouso. Uma pessoa comum leva dez segundos para voltar ao normal após um estímulo, mas o praticante do seiza leva apenas um. Ele capta e interpreta com extrema rapidez os mais débeis fenômenos do mundo exterior, não permanecendo apegado a eles sem necessidade. Um poema antigo dizia:

“Para aquele que pratica zen
As pessoas que passam pela ponte
São como árvores.”

Este poema está errado. A versão correta é:

“Para aquele que pratica o zen
As pessoas que passam pela ponte
São aquilo que são.”

O máximo em tranqüilidade mental consiste em ver a realidade tal como ela é. Assim, a postura do seiza é a expressão do máximo em tranqüilidade possível a um ser humano. A prática constante do exercício permitirá, inclusive, conservar esse estado de tranqüilidade em todas as circunstâncias da vida, andando, descansando ou trabalhando. Se isso não acontecer, as ondas cerebrais estarão agitadas e tensas e a pessoa não terá a verdadeira tranqüilidade. A ciência moderna define essa tranqüilidade como sendo a perfeita integração do corpo e da mente ou a manifestação do verdadeiro Eu.
O mundo de hoje está repleto dos mais variados ruídos. Uma entre dez pessoas apresenta distúrbios mentais e oito estão em situação periclitante. Vivemos numa época neurótica. Todos desejam tranqüilidade física e mental. Talvez se deva a isso a atual procura dos métodos orientais para tranqüilizar a mente. Procuremos todos nos esforçar para o alcance dessa tranqüilidade.

Gostaria de agradecer a Senpai Mogami, por colaborar com esse brilhante texto, e me ajudar mais uma, de incontáveis vezes, trilhar o caminho.
Domo Arigato Mogami Senpai.

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