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Teatro Nô

Palco do teatro Nô O Nô é a arte teatral clássica do Japão, um drama lírico que combina a música, a dança e a poesia. O Nô adquiriu a sua forma definitiva no fim do século XIV, graças ao trabalho de Kanami e seu filho Zeami, este último um estudioso da estética inspirada no Zen. Pai e filho inovaram o Sarugaku, uma antiga e popular forma de entretenimento, introduzindo refinamentos estéticos e tornando esta arte teatral a mais rica em simbolismos do mundo.
O repertório do Nô é formado de aproximadamente 240 peças, entre as quais um terço foi escrito por Kanami e Zeami. O Nô cresceu como arte popular durante o período das guerras interfeudais (séculos XV e XVI). Durante a Era Edo, o Nô foi considerado pelo xogunato Tokugawa a cerimônia artística oficial do Estado. Assim, o Nô recebeu proteção e incentivos do governo tendo inclusive vários daimyo que o estudavam e eram conhecidos atores.
A forma teatral alterna diálogos em prosa com declamações poéticas cantadas por um coro. Todos os papéis são representados por homens, mesmo os femininos.
O personagem principal de uma peça é denominado shite, e o seu companheiro, tsure. O ator secundário é chamado de waki, que às vezes também tem um companheiro chamado de waki-zure. O shite é sempre um fantasma, um espírito ou uma criatura fantástica; um ser sobrenatural. O waki é um personagem que vive no presente e tem por função trazer o shite e seu companheiro ao mundo da realidade.
Máscara de criatura fantástica O shite geralmente usa máscaras nas suas interpretações. Já o seu companheiro, o tsure, utiliza-a apenas quando o seu papel é de mulher. O waki e o seu companheiro nunca usam esses objetos. A máscara utilizada pelo shite tem a função de dar uma maior profundidade emocional ao seu personagem, impossível de ser realizada pelo rosto humano, ao mesmo tempo em que o destaca dos outros atores.
O traje do shite é também o mais rico e lustroso, sempre mais bonito do que o dos outros personagens. Essa característica nunca é prejudicada a favor do realismo: mesmo que o personagem principal seja um simples camponês, o vestuário elegante não é alterado.
Máscara de mulher Um curioso ponto é que o Nô em muitos aspectos despreza o realismo, utilizando-se de uma extrema sutileza nos simbolismos. Por exemplo, em algumas peças em que o tsure aparece antes do shite, então se usa uma criança para interpretar o papel de companheiro do shite, de modo que a sua presença não prejudique a atenção dirigida ao ator principal. Isto acontece até mesmo quando a criança representa o papel de um guerreiro, amante da personagem feminina do shite. O ator infantil é conhecido por kokata e nunca faz uso de máscaras.
Existe uma grande variedade de máscaras de Nô, que podem ser divididas em máscaras masculinas, femininas e demoníacas. Entre as máscaras de demônio estão algumas que reproduzem rostos humanos, porém com uma expressão bastante exagerada de alguma emoção.
Máscara de demônio O palco projeta-se para dentro da platéia, para que se dê uma idéia de arte tridimensional que pode ser vista de vários ângulos. O palco é coberto por um telhado de estilo clássico, com a finalidade de recriar o ambiente original que, no Japão feudal, era ao ar livre. O cenário é muito simples e austero; a tela de fundo tem sempre a imagem de um pinheiro estilizado, nunca mudando de uma peça a outra, mesmo que a história se passe dentro de um palácio.
Nos fundos do palco encontram-se os músicos. Os instrumentos tocados são uma flauta de bambu e três tambores, de diferentes timbres e tamanhos. Todos eles são indispensáveis na relação entre a canção, a música e a dança, seja na harmonia da flauta, seja na marcação do ritmo dos tambores.
Músicos e coro do Nô À direita do palco está o coro, formado geralmente de oito pessoas dispostas em duas fileiras, uma atrás da outra. O papel dos músicos é criar uma atmosfera ideal à representação e à dança, sem nunca sobrepujar a interpretação dos atores.
Os trajes do Nô são extremamente formais e de tecido abundante, de modo que os contornos naturais do corpo do ator praticamente desaparecem. Dessa forma, as características da roupagem, somadas ao emprego das máscaras, tem por função apagar a individualidade do intérprete, e aí está a essência e o princípio estético dessa forma de arte. O sutil impacto do Nô está justamente no talento artístico que surge das restrições severamente formais que o caracterizam.

Kyogen

Cena de Kyogen O Kyogen é um gênero teatral inseparável do Nô; tem um caráter cômico e é apresentado entre os intervalos das peças de um programa de Nô. O objetivo do Kyogen é descontrair a tensão, provocar o riso e oferecer um contraste ao drama.
Ao contrário do Nô, o Kyogen dá ênfase ao diálogo falado e coloquial, e geralmente não há acompanhamento musical. Também não existe personagem principal. Ao invés disso, dois atores, ou grupos de atores, são lançados uns contra os outros.

Um programa tradicional de Nô é composto de cinco peças, intercaladas por três ou quatro peças de Kyogen. Atualmente, contudo, é costume fazer programas de apenas duas peças de Nô intercaladas por uma Kyogen, ou até mesmo programas compostos exclusivamente de peças de Kyogen.
Cena de Kyogen Todo programa de Nô apresenta o princípio do Jô-Há-Kyu, independentemente do número de peças. Jô é a introdução, Há, o trecho central, e Kyu, a conclusão.
A arte do Nô e do Kyogen foi passada durante séculos de pai para filho. Existem, hoje em dia, cerca de 1500 profissionais que trabalham com essa forma teatral. Nesse número incluem-se os atores, os professores e os músicos especializados em acompanhar as representações. O Nô firmou-se como forma de arte cristalizada assim como o Kabuki. Embora não tão popular como este último, em sua história de 600 anos o Nô ainda se mantém vivo no Japão e, nesse aspecto, é único no teatro mundial.

Fonte: O Samurai

O aluno perguntou ao mestre:
- Como faço para me tornar o maior dos guerreiros?
O mestre respondeu:
- Vá atras daquelas colinas e insulte a rocha que se encontra no meio da planície.
- Mas pra que, se ela não vai me responder? – retruca o aluno.
- Então golpeie-a com tua espada.
- Mas minha espada se quebrará!
- Então agrida-a com tuas próprias mãos. – Aconselha o mestre.
- Assim eu vou machucar minhas mãos – diz o aluno insatisfeito com as respostas do mestre – E também, não foi isso que eu perguntei, o que eu queria saber, era como eu faço para me tornar o maior dos guerreiros.
O mestre diz:
- O maior guerreiro é aquele que é como a rocha, não liga para insultos nem provocações, mas está sempre pronto para desvencilhar qualquer ataque do inimigo.

Fonte: O Samurai

Teatro Kabuki

O Kabuki é a tradicional forma de teatro japonesa que se originou no período Edo, no começo do séc. XVII. A palavra “Kabuki” é resultado da junção de 3 ideogramas chineses; “ka”, “bu” e “ki”, que significam respectivamente: cantar, dançar e representar. Foi criado por Okuni, uma dançarina de grande talento.
Inicialmente, o Kabuki era uma espécie de drama leve, em que os principais personagens eram cantores e dançarinas. Eles eram acompanhados por instrumentos tradicionais japoneses, tais quais o shakuhachi (flauta de bambu japonesa, de aproximadamente 55 cm), o shamisen e a biwa (instrumentos de cordas).
Essa forma de teatro era cultivada principalmente pelos mercadores da época. Eles expressavam seus ideais nas peças; faziam críticas à sociedade, ao governo e à fatos históricos, através de sátiras, ironias e dramas. Assim, o tema principal do Kabuki era a insatisfação dos mercadores com a classe samurai e o sistema feudal, pois a classe mercantil já gozava de alto poder econômico mas ainda tinha que baixar a cabeça aos seus superiores. Além disso, também era tema do Kabuki o dia-a-dia da classe plebéia.
Entretanto, o que mais atraía o público da época (artesãos, camponeses, mercadores, povo da cidade, etc) eram as atrizes. Através das danças enfaticamente sensuais, o público do Kabuki comparecia a esses eventos não mais pela atuação em si, e sim pela beleza dessas mulheres. Prova disso é que muitas delas eram prostitutas.
Assim, temendo uma séria desmoralização do público, em 1.629 o governo do xogunato Tokugawa proíbe oficialmente a participação de atrizes no teatro Kabuki. Estabelecia-se então uma das características mais tradicionais dessa forma de teatro, que é a atuação apenas de homens. Como o povo já aceitava o Kabuki como forma de arte, os atores masculinos imediatamente substituíram os papéis femininos. Isso gerou o que ficou conhecido por “onnagata” que é a arte do ator de se travestir de mulher e representar como uma atriz. Os “onnagata” são verdadeiros especialistas em interpretar papéis femininos. Para isso usam de artifícios como maquiagem, pó-de-arroz e batom, para que a sua atuação, assim como a sua aparência, encontre o máximo de semelhança com uma mulher de verdade.
Tendo a proibição da atuação feminina durado cerca de 250 anos, e a arte da “onnagata” já atingido quase a perfeição, a atuação de mulheres no Kabuki acabou por perder o sentido. Por isso, ainda hoje os espetáculo são apresentados só por homens, como reza a tradição.
Um característica marcante do teatro Kabuki, além da inexistência de atrizes, é a grande beleza dos cenários. Assim como o cenário, a maquilagem e as roupas das personagens contam com um fascinante e extraordinário colorido; talvez o conjunto mais extravagante do mundo encontrado em peças teatrais. Assim, mesmo que a história não seja muito interessante, o espectador deleita-se com o arranjo das cores.
Logo que surgiu, o Kabuki expandiu-se assimilando características de todas as formas teatrais que já existiam no Japão, tais quais o teatro Nô, o Kiogen e, posteriormente, o Bunraku (teatro de marionetes). Desses, o Kabuki extraiu técnicas e repertório para tornar-se, assim, a forma de teatro mais popular do Japão, ainda nos dias de hoje.
No Japão feudal os atores do Kabuki, apesar de muito populares, pertenciam a baixas classes sociais. Atualmente, porém, esse quadro mudou: os artistas gozam de grande prestígio social. Durante as apresentações de Kabuki é comum fãs fanáticos aplaudirem entusiasticamente seus atores preferidos no momento em que eles entram no palco, durante curtas pausas apropriadas para isso. O Kabuki se firmou como forma de arte cristalizada: mesmo tratando dos temas que tratava há quase 400 anos atrás, continua lotando platéias em todo o Japão.

Fonte: O Samurai

Presentes de Insultos

Um grande samurai, já idoso, adorava ensinar sua filosofia para os jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda que ele ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e contra-atacava com velocidade fulminante.
O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. E, conhecendo a reputação do velho samurai, estava ali para derrotá-lo, aumentando sua fama de vencedor.
Todos os estudantes manifestaram-se contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos – ofendeu inclusive seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho mestre permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo- se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou- se.

Desapontados pelo fato do mestre ter aceito tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: Como o senhor pode suportar tanta indignidade ? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?

- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente ? – perguntou o velho samurai.
- A quem tentou entregá-lo – respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos – disse o mestre – Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo.

Fonte: O Samurai

Kakushibori, assim como o Munewari, não é um desenho, e sim um padrão de tatuagem.

Kakushibori são as tatuagens feitas no lado interno dos braços, perto das axilas. Esse local se difere dos outros, pois é onde pode-se tatuar coisas particulares,como: uma tatuagem-piada, um símbolo religioso, um desenho erótico. Hoje em dia é muito comum encontrar nesta área, personagens de animes como Pikachu ou Doraemon, ou até mesmo personagens Hentai.

No geral, são desenhos que apenas pessoas mais íntimas do tatuado tem acesso. Na imagem abaixo, temos um Kakushibori erótico. De uma gueixa nua lavando roupa.

Fonte: www.irezumi.us

Origami

Origami (折り紙) é a arte japonesa de dobrar o papel. A origem da palavra advém do japonês ori (dobrar) kami (papel), que ao juntar as duas palavras a pronúncia fica “origami”. Geralmente parte-se de um pedaço de papel quadrado, cujas faces podem ser de cores diferentes, prosseguindo-se sem cortar o papel.

No entanto, a cultura do Origami Japonês, que se desenvolve desde o Período Edo, não é tão restritiva acerca destas definições, por vezes cortando o papel durante a criação do modelo, ou começando com outras formas de papel que não a quadrada (rectangular, circular, etc.). Segundo a cultura japonêsa aquele que fizer mil origamis teria um pedido realizado.

História

Conforme se foram desenvolvendo métodos mais simples de criar papel, o papel foi tornando-se menos caro, e o Origami, cada vez mais uma arte popular. Contudo, os japoneses sempre foram muito cuidadosos em não desperdiçar; guardavam sempre todas as pequenas réstias de papel, e usavam-nas nos seus modelos de origami.

Durante séculos não existiram instruções para criar os modelos origami, pois eram transmitidas verbalmente de geração em geração. Esta forma de arte viria a tornar-se parte da herança cultural dos japoneses. Em 1787 foi publicado um livro (Hiden Senbazuru Orikata) contendo o primeiro conjunto de instruções origami para dobrar um pássaro sagrado(Tsuru – imagem abaixo) do Japão. O Origami tornou-se uma forma de arte muito popular, conforme indica uma impressão em madeira de 1819 intitulada “Um mágico transforma folhas em pássaros”, que mostra pássaros a serem criados a partir de folhas de papel.

Em 1845 foi publicado outro livro (Kan no mado) que incluía uma coleção de aproximadamente 150 modelos Origami. Este livro introduzia o modelo do sapo, muito conhecido hoje em dia. Com esta publicação, o Origami espalha-se como atividade recreativa no Japão.

Não seriam apenas os Japoneses a dobrar o papel, mas também os Mouros, no Norte de África, que trouxeram a dobragem do papel para Espanha na sequência da invasão árabe no século VIII. Os mouros usavam a dobragem de papel para criar figuras geométricas, uma vez que a religião proibia-os de criar formas animais. Da Espanha espalhar-se-ia para a América do Sul. Com as rotas comerciais marítimas, o Origami entra na Europa e, mais tarde, nos Estados Unidos.

A grande divisão entre a antiga dobragem do papel e a nova surgiu cerca de 1950 quando o trabalho de Akira Yoshizawa se tornou conhecido. Foi Yoshizawa quem criou a idéia da dobragem criativa (Sasaku Origami) e inventou todo um conjunto de métodos que nada devia

m ao origami do passado, permitindo dobrar uma série de animais e pássaros. Porém, ainda precisava de duas partes de papel para conseguir animais de quatro patas, o que só viria a ser ultrapassado com a invenção das Bases Blintzed em meados da década de 1950 por outros entusiastas, particularmente o norte-americano George Rhoades. Até lá, apenas era possível dobrar animais muito primitivos, incluindo o tradicional porco.

Segue abaixo um tutorial, em 21 passos, que ensina como fazer um tsuru, partindo de uma folha quadrada:

(Fonte: Wikipedia e www.sushiyoshi.com.br)

Tomoe

Este símbolo está presente em praticamente todos os templos budistas e xintoístas pelo Japão. Seu nome é Tomoe, com o significado de ciclo ou giro, referindo-se ao movimento da terra. O tomoe é relacionado ao símbolo do yin-yang (tao), e também é apresentado com um significado semelhante: as diferentes forças no universo. Visualmente o tomoe é constituido de “vírgulas” interligadas.

O tomoe mais facilmente encontrado é o triplo(mitsu tomoe), mas também pode ser encontrado sozinho, em duo ou em quatro. O Mitsutomoe representa a divisão da universo numa visão Xintoísta, onde suas vírgulas representam A Terra, Os Céus e a Humanidade. Abaixo alguns modelos de tomoe:

Budismo

Introdução ao Budismo

Sistema ético, religioso e filosófico fundado pelo príncipe hindu Sidarta Gautama (563-483 a.C.), ou Buda(imagem ao lado), por volta do século VI. O relato da vida de Buda está cheia de fatos reais e lendas, as quais são difíceis de serem distinguidas historicamente entre si.

O príncipe Sidarta nasceu na cidade de Lumbini, em um clã de nobres e viveu nas montanhas do Himalaia, entre Índia e Nepal. Seu pai, era um regente e sua mãe, Maya, morreu quando este tinha uma semana de vida. Apesar de viver confinado dentro de um palácio, Sidarta se casou aos 16 anos com a princesa Yasodharma e teve um filho, o qual chamou-o de Rahula.

História do Budismo

Aos 29 anos, resolveu sair de casa, e chocado com a doença, com a velhice e a com morte, partiu em busca de uma resposta para o sofrimento humano. Juntou-se a um grupo de ascetas e passou seis anos jejuando e meditando. Praticou o ioga (numa forma que não é a mesma que é hoje seguida nos países ocidentais), e seguiu práticas ascéticas extremas, mas acabou por abandoná-las, vendo que não conseguia obter nada delas. Durante muitos dias, sua única refeição era um grão de arroz por dia. Após esse período, cansado dos ensinos do Hinduísmo e sem encontrar as respostas que procurava, separou-se do grupo. Depois de sete dias sentado debaixo de uma figueira, diz ele ter conseguido a iluminação, a revelação das Quatro Verdades. Pouco depois decidiu retomar a sua vida errante, tendo chegado a um bosque perto de Benares, onde pronunciou um discurso religioso diante de cinco jovens, que convencidos pelos seus ensinamentos, se tornaram os seus primeiros discípulos e com que que formou a primeira comunidade monástica. O Buda dedicou então o resto da sua vida (talvez trinta ou cinquenta anos) a pregar a sua doutrina através de um método oral, não tendo deixado quaisquer escritos.

Prática de Fé do Budismo

O Budismo consiste no ensinamento de como superar o sofrimento e atingir o nirvana (estado total de paz e plenitude) por meio da disciplina mental e de uma forma correta de vida. Também crêem na lei do carma, segundo a qual, as ações de uma pessoa determinam sua condição na vida futura. A doutrina é baseada nas Quatro Grandes Verdades de Buda:

  • A existência implica a dor: O nascimento, a idade, a morte e os desejos são sofrimentos.
  • A origem da dor é o desejo e o afeto: As pessoas buscam prazeres que não duram muito tempo e buscam alegria que leva a mais sofrimento.
  • O fim da dor: só é possível com o fim do desejo.
  • A Quarta Verdade: se prega que a superação da dor só pode ser alcançada através de oito passos:
  1. Compreensão correta: a pessoa deve aceitar as Quatro Verdades e os oito passos de Buda.
  2. Pensamento correto: A pessoa deve renunciar todo prazer através dos sentidos e o pensamento mal.
  3. Linguagem correta: A pessoa não deve mentir, enganar ou abusar de ninguém.
  4. Comportamento correto: A pessoa não deve destruir nenhuma criatura, ou cometer atos ilegais.
  5. Modo de vida correto: O modo de vida não deve trazer prejuízo a nada ou a ninguém.
  6. Esforço correto: A pessoa deve evitar qualquer mal hábito e desfazer de qualquer um que o possua.
  7. Desígnio correto: A pessoa deve observar, estar alerta, livre de desejo e da dor.
  8. Meditação correta: Ao abandonar todos os prazeres sensuais, as más qualidades, alegrias e dores, a pessoa deve entrar nos quatro graus da meditação, que são produzidos pela concentração.

Missões do Budismo

Um dos grandes generais hindus, Asoka, depois do ano 273 a.C., ficou tão impressionado com os ensinos de Buda, que enviou missionários para todo o subcontinente indiano, espalhando essa religião também na China, Afeganistão, Tibete, Nepal, Coréia, Japão e até a Síria. Essa facção do Budismo tornou-se popular e conhecida como Mahayana. A tradicional, ensinado na Índia, é chamado de Teravada.

O Budismo Teravada possui três grupos de escrituras consideradas sagradas, conhecidas como “Os Três Cestos” ou Tripitaka:

  • O primeiro, Vinaya Pitaka (Cesto da Disciplina), contêm regras para a alta classe.
  • O segundo, Sutta Pitaka (Cesto do Ensino), contêm os ensinos de Buda.
  • O terceiro, Abidhamma Pitaka (Cesto da Metafísica), contêm a Teologia Budista.

O Budismo começou a ter menos predominância na Índia desde a invasão muçulmana no século XIII. Hoje, existem mais de 300 milhões de adeptos em todo o mundo, principalmente no Sri Lanka, Mianmá, Laos, Tailândia, Camboja, Tibete, Nepal, Japão e China. Ramifica-se em várias escolas, sendo as mais antigas o Budismo Tibetano e o Zen-Budismo. O maior templo budista se encontra na cidade de Rangoon, em Burma, o qual possui 3,500 imagens de Buda.

Teologia do Budismo

A divindade: não existe nenhum Deus absoluto ou pessoal. Os que querem ser iluminados, necessitam seguir seus próprios caminhos espirituais e transcendentais.
Antropologia: o homem não tem nenhum valor e sua existência é temporária.
Salvação: as forças do universo procurarão meios para que todos os homens sejam iluminados (salvos).
A alma do homem: a reencarnação é um ciclo doloroso, porque a vida se caracteriza em transições. Todas as criaturas são ficções.
O caminho: o impedimento para a iluminação é a ignorância. Deve-se combater a ignorância lendo e estudando.

Posição ética: existem cinco preceitos a serem seguidos no Budismo:

  • proibição de matar
  • proibição de roubar
  • proibição de ter relações sexuais ilícitas
  • proibição do falso testemunho
  • proibição do uso de drogas e álcool

No Budismo a pessoa pode meditar em sua respiração, nas suas atitudes ou em um objeto qualquer. Em todos os casos, o propósito é se livrar dos desejos e da consciência do seu interior.

Karma e a Lei de Causa e Efeito

Uma pessoa é uma combinação de matéria e mente. O corpo pode ser encarado como uma combinação de quatro componentes: terra, água, calor e ar; a mente é a combinação de sensação, percepção, idéia e consciência. O corpo físico — na verdade, toda a matéria na natureza – está sujeito ao ciclo de formação, duração, deterioração e cessação.

O Buda ensinou que a interpretação da vida através de nossos seis sensores (olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente) não é mais do que ilusão. Quando duas pessoas experimentam um mesmo acontecimento, a interpretação de uma, pode levar à tristeza, enquanto a da outra, pode levar à felicidade. É o apego às sensações, derivadas desses seis sentidos, que resulta em desejo e ligação passional, vida após vida.

O Buda ensinou que todos os seres sencientes estão em um ciclo contínuo de vida, morte e renascimento, por um número ilimitado de vidas, até que finalmente alcancem a iluminação. Os budistas acreditam que os nascimentos das pessoas estão associados à consciência proveniente das memórias e do karma de suas vidas passadas. “Karma” é uma palavra em sânscrito que significa “ação, trabalho ou feito”. Qualquer ação física, verbal ou mental, realizada com intenção, pode ser chamada de karma. Assim, boas atitudes podem produzir karma positivo, enquanto más atitudes podem resultar em karma negativo. A consciência do karma criado em vidas passadas nem sempre é possível; a alegria ou o sofrimento, o belo ou o feio, a sabedoria ou a ignorância, a riqueza ou a pobreza experimentados nesta vida são, no entanto, determinados pelo karma passado.

Neste ciclo contínuo de vida, denominado Samsara, seres renascem em várias formas de existência. Há seis tipos de existência: Devas (deuses), Asuras (semideuses), Humanos, Animais, Pretas (espíritos famintos) e Seres do Inferno. Cada um dos reinos está sujeito às dores do nascimento, da doença, do envelhecimento e da morte. O renascimento em formas superiores ou inferiores é determinado pelos bons ou maus atos, ou karma, que foi sendo produzido durante vidas anteriores. Essa é a lei de causa e efeito. Entender essa lei nos ajuda a cessar com todas nossas ações negativas. Abaixo uma imagem do ciclo de renascimento, ou samsara.

As seis perfeições

As Quatro Nobres Verdades são o fundamento do Budismo e entender o seu significado é essencial para o auto desenvolvimento e alcance das Seis Perfeições, que nos farão atravessar o mar da imortalidade até o nirvana.

As Seis Perfeições consistem de:

  1. Caridade. Inclui todas as formas de doar e compartilhar o Dharma.
  2. Moralidade. Elimina todas as paixões maléficas através da prática dos preceitos de não matar, não roubar, não ter conduta sexual inadequada, não mentir, não usar tóxicos, não usar palavras ásperas ou caluniosas, não cobiçar, não praticar o ódio nem ter visões incorretas.
  3. Paciência. Pratica a abstenção para prevenir o surgimento de raiva por causa de atos cometidos por pessoas ignorantes.
  4. Perseverança. Desenvolve esforço vigoroso e persistente na prática do Dharma.
  5. Meditação. Reduz a confusão da mente e leva à paz e à felicidade.
  6. Sabedoria. Desenvolve o poder de discernir realidade e verdade.

A prática dessas virtudes ajuda a eliminar ganância, raiva, imoralidade, confusão mental, estupidez e visões incorretas. As Seis Perfeições e o Nobre Caminho Óctuplo nos ensinam a alcançar o estado no qual todas as ilusões são destruídas, para que a paz e a felicidade possam ser definitivamente conquistadas.

Escolas

O budismo dividiu-se em várias escolas, das quais algumas vieram a se extinguir. A principal divisão atualmente existente é entre a escola Theravada e as linhagens Mahayana e Vajrayana.

As escolas numericamente mais expressivas na atualidade são:[carece de fontes?]

  • Theravada, estabelecida no sudeste asiático;
  • Zen japonês e Chan chinês, escolas com ênfase na meditação . Alguns estudiosos consideram estas escolas como uma linhagem Mahayana. Outros, no entanto, dizem que, pela ênfase ser diferente, e pelo Zen/Chan ser “descendentes” também do Taoísmo, devem ser considerados uma escola à parte;
  • As escolas japonesas devocionais da Terra Pura (Jodo Shu) e Verdadeira Terra Pura (Jodo Shinshu), e as escolas ligadas à Nitiren, todas Mahayana;
  • As escolas tântricas do Budismo tibetano (Nyingma, Kagyu, Gelug, Sakya) que fazem parte da linhagem Vajrayana.

Há muita polêmica e confusão no ocidente em torno do budismo, devido principalmente à falta de informação correta. Muitos movimentos esoteristas e sincréticos procuram se apresentar como “verdadeiros budismos”, “adaptações para o Ocidente”, etc. Freqüentemente questiona-se quanto ao budismo ser ou não uma religião (por não aceitar a existência de um deus criador do mundo).

Abaixo, cena do filme O pequeno Buda, de Bernardo Betolucci, onde Sidarta ao meditar, tem um confronto com suas tentações, medo e ego. Um ótimo filme para simpatizantes da filosofia Budista

Fontes: (http://hsingyun.dharmanet.com.br/, Wikipedia, http://www.sepoangol.org/)

Primeiro gostaria de me desculpar, pela falta de um ritmo nas postagens, já que nem sempre tenho um texto pronto, e às vezes falta-me tempo ou paciência de criar um.

Às vezes o conteúdo postado é de certa forma pobre, textos pequenos. Mas são assuntos interessantes, que despertam a curiosidade de muitas pessoas.

Alguns dos textos postados aqui, são copiados de outros sites. Isto é simples, outros sites expressaram tão bem o assunto abordado, que não necessitaria de algum complemento superficial. Outros posts são pesquisas de vários textos e livros e são postados aqui. Alguns são apenas traduções, não quero tirar o mérito dos autores dos textos, e sempre que possível, quando disponível, eu posto a fonte do texto aqui. Caso eu venha postar um texto que seja de desagrado do autor, só me contactarem que o mesmo será retirado o mais rápido possível.

Bom, e venho agradecer aos visitantes do site, e também às pessoas que colaboraram com correções e sugestões: Nat, Hunt, Rafael Primão e Senpai Simone, muito obrigado

Irezumi – Koi

A Koi (carpa), é um peixe símbolo no Japão, largamente criado como peixe ornamental, e frequentemente fazendo parte do Jardim Japonês. Os Samurais da era Muromachi admiravam as Carpas por sua bravura.

Huang Ho(Rio amarelo),é um rio que cruza a china em sua extensão, onde as carpas nadam contra o fluxo da água, simbolizando a bravura. Diz a lenda que entre a montanha Jishishan, existe uma rápida queda d’agua chamada de portal do dragão, caso uma carpa conseguisse subir esta queda, ela se tornaria um dragão simbolizando a persitência e a coragem. O portal do dragão(foto abaixo) simboliza o obstáculo a ser vencido.

Em seus desenhos, suas escamas representam proteção, e frequentemente é desenhada com um circulo na cabeça, que simboliza a sabedoria. O significado da lenda de que uma carpa se torna um dragão, é a evolução. A ainda carpa pode alcançar idade de até 70 anos, simbolizando assim a longeividade.

Existem ainda algumas categorias das tatuagens de carpa:

Higoi: Uma carpa avermelhada, nadando embaixo das águas, com bolhas saindo de sua boca(foto abaixo)

Magoi: Uma carpa preta, saltando para fora da água.(foto abaixo)

Nishikigoi : uma carpa de cor mista, é fruto de cruzamentos sucessivos, que tiveram início na era Meiji, entre a Magoi e a Higoi.Na china, esses cruzamentos ainda são feitos, para tentar tornar a carpa um peixe ainda mais exótico, enquanto no japão os cruzamentos são feitos para tentar torna-la um peixe mais refinado em sua forma. Isso nos mostra um pouco a diferença entre o pensamento Chinês e Japonês.

Existe ainda a imagem de uma carpa com pêlos e chifres, suas escamas devem ser douradas. Esse é o estágio onde a carpa começa a evoluir até tornar-se um dragão. Simboliza a força(foto abaixo)

Fonte: www.irezumi.us

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