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Um monge aproximou-se de seu mestre, que se encontrava em meditação no pátio do templo à luz da lua, com uma grande dúvida:
- Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?
O velho sábio respondeu:
- As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta.
O monge replicou:
- Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?
- Poderia - confirmou o mestre - e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio.
- Então - o monge perguntou - por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?
- Porque - completou o sábio - da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário.
O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

Fonte: O Samurai

Texto de Ronan Alves Pereira

O Xintoísmo (Shintô) e o Budismo (Bukkyô) são os principais protagonistas do cenário religioso japonês. Porém, séculos antes dessas tradições religiosas tomarem corpo no arquipélago, inúmeras manifestações do sagrado já se faziam presentes — achados arqueológicos (como clavas de pedra e figuras de barro) sugerem ritos de fertilidade e práticas mágicas; com a introdução da rizicultura surgem as cerimônias religiosas ligadas a cada aspecto do cultivo do arroz; escritos chineses antigos falam de práticas xamânicas, mediúnicas e adivinhatórias entre os japoneses do começo da era cristã.
Até o século VI, as crenças autóctones não se encontravam organizadas teologicamente ou centralizadas numa única instituição. Nessa época, em que fora introduzido oficialmente o Budismo no Japão, via Coréia, sacerdotes ligados à corte começaram a organizar as crenças nativas, para distinguí-las do ensinamento budista, sob as denominações alternativas Shintô, Kami-no-michi ou ainda Kannagara-no-michi (shin/kami/kan, “deus”, “espírito”; tô/dô/michi, “via”, “caminho”). Se, por um lado, a tradição proto-xintoísta, para sobreviver ao impacto da introdução do Budismo, teve de organizar-se tomando emprestado da religião importada termos, doutrinas, iconografia etc; por outro, o Budismo, sendo uma religião originária da Índia, também teve de “japonizar-se” e fazer empréstimos da tradição religiosa dos japoneses para conquistar seus corações.

Essas duas tradições religiosas mantiveram uma duradoura e frutífera relação simbiótica ao longo dos séculos e desenvolveram uma espécie de divisão de trabalho, particularmente no que tange a ritos de passagem. Enquanto o Xintoísmo se relaciona mais freqüentemente com ritos de nascimento, matrimônio, inauguração de edifícios etc, o Budismo mantém-se na esfera do culto aos antepassados e rituais fúnebres.
Além do Budismo, cumpre ainda citar o papel do Confucionismo (Jukyô), do Taoísmo(Dôkyô) e do Cristianismo (Kirisutokyô) no mosaico da religiosidade nipônica. O Taoísmo, ensinamento de origem chinesa que enfatiza práticas místicas e a ordenação do Universo, foi adotado oficialmente no Japão no ano 702, como Repartição Governamental de Adivinhação (Onmyôryô). O Confucionismo, escola filosófica chinesa que enfatiza a ação social e a ordem política, tornou-se o fundamento moral e ideológico da elite governante no período Tokugawa (1600-1868). Embora ambos não tenham-se tornado religiões formais no Japão, as práticas adivinhatórias e certos conceitos taoístas foram perpetuados na religiosidade popular, enquanto a ética confucionista passou a reger as relações sociais e influenciou praticamente todas as religiões no Japão. O Cristianismo foi introduzido no país em 1549 por São Francisco Xavier e obteve ampla aceitação no primeiro século de prosetilismo cristão. No entanto, ele ficou proibido de 1639 até o final do século 19, e não se tornou uma religião “naturalizada” como foi o caso do Budismo.
Essas tradições religiosas não ficaram separadas, diferenciadas ou livres de influência recíproca na história multi-milenar do país, resultando numa cultura onde a afiliação exclusiva a determinada religião é uma exceção, e onde o sincretismo é uma constante. De fato, o Japão é um dos raros países no mundo onde as pessoas veneram divindades de religiões diferentes sem maiores constrangimentos; onde há capelas de uma religião no espaço sagrado de outra; ou um sacerdote de uma religião conduza cerimônias em outra religião.

Tal atitude flexível e pragmática frente à religião pode ser creditada como um dos elementos que facilitou, por um lado, a integração dos imigrantes japoneses no universo religioso brasileiro; por outro, a difusão das religiões japonesas fora da colônia nikkei.

Ronan Alves Pereira, Ph.D. Professor de cultura e língua japonesas na Universidade de Brasília. Mestre em Antropologia Cultural pela Universidade de Tóquio e doutor em Ciências Sociais (Antropologia) pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente é pesquisador-visitante do Centro de Estudos Japoneses da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Fonte: Japanfoundation

Mokuso

Mokuso é simplesmente ser, sem fazer nada - nenhuma ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é puro prazer. De onde vem esse profundo prazer, quando você não está fazendo nada? Não vem de lugar nenhum, ou vem de toda parte. Ele é não-motivado, porque a existência é feita de uma matéria chamada alegria.

Quando você não está fazendo absolutamente nada - corporalmente, mentalmente, em nenhum nível - quando toda a atividade cessou e você simplesmente é, apenas sendo, isso é Mokuso. Você não pode fazê-la, você não pode praticá-la: você tem apenas que compreendê-la. Nas aulas de Aikido praticamos Mokuso como um exercicio no começo e no final da aula, porém ela deve ser Praticada durante todo o período que entramos no Tatami e no final devemos entender a pratica para nossa vida. Sempre que você encontrar tempo para apenas ser, abandone todo o fazer. Pensar também é um fazer, concentração também é um fazer, contemplação também é um fazer. Mesmo que apenas por um único momento você fique sem fazer nada, simplesmente permanecendo no seu centro, totalmente relaxado - isso é mokuso. E uma vez que você tenha descoberto o jeito, você pode permanecer nesse estado tanto tempo quanto quiser; finalmente você poderá permanecer nesse estado durante as vinte e quatro horas do dia.

Uma vez que você se tomou consciente de como seu ser pode permanecer imperturbado, então, vagarosamente, você pode começar a fazer coisas, mantendo-se alerta para que seu ser não se agite. Essa é a segunda parte de Mokuso - primeiro, aprender simplesmente a ser, sentado em Seiza com os olhos semi abertos, deixando os pensamentos passarem sem se fixar em nada, simplesmente observando em estado de alerta. Depois levar este estado durante a apresentação das técnicas.
A ideia é levar este estado para o dia a die e então aprender pequenas ações: limpar o chão, tomar um banho, mas permanecendo centrado. Então você poderá fazer coisas mais complicadas.

Por exemplo, eu estou falando com você, mas o meu ” mokuso!, não deve ser perturbado. O Aikidoista pode continuar falando, mas lá no seu centro não há nem sequer uma pequena ondulação; ele está absolutamente silencioso, completamente silencioso.

Assim, a meditação não é contra a ação. Não é que você tenha que escapar da vida. Ela simplesmente lhe ensina uma nova maneira de vida: você se toma o centro do ciclone. Este estado o treinamento correto do Aikido deve levar o praticante. Por esta razão é necessário se conhecer a técnica correta e Ter um professor experimentado para avisar o Praticante quando ele está se distanciando deste objetivo.

A sua vida continua, continua de uma maneira muito mais intensa - com mais alegria, com mais claridade, mais visão, mais criatividade - todavia você está distanciado, apenas um observador nas colinas, simplesmente assistindo o que está acontecendo ao seu redor.

Você não é o que faz, você é o observador mas ao mesmo tempo faz tudo. Quanto se vai executar Jiu Waza e vários atacantes lhe vem em encontro , o estado de Mokuso lhe permite Observar todos os movimentos dos oponentes e voce os sente como partes de seu proprio corpo, em uma grande ligação Harmonica. Aí é possível de defender e realizar técnicas eficientes de defesa pessoal.

Esse é todo o segredo de Mokuso, você se toma o observador. O fazer continua em seu próprio nível, não há nenhum problema: cortar madeira, tirar água do poço. Você pode fazer coisas pequenas e coisas grandes; só uma coisa não é permitida, e isso significa: seu centramento não pode se perder.

Essa consciência, esse estado de observação deve permanecer absolutamente desanuviado, imperturbado.

Se um galo está cantando… você está ouvindo. São dois elementos: objeto e sujeito. Mas você não pode ver uma testemunha que está vendo ambos? O galo o ouvinte, e ainda há alguém que está observando ambos. É um fenômeno tão simples!

Você está vendo uma árvore: você está aí, a árvore está aí, mas será que você não pode encontrar alguma coisa mais? - que você está vendo a árvore e que há uma testemunha em você que está vendo você vendo a árvore.

Observação em estado de alerta é mokuso. O que você observa é irrelevante. Você pode observar as árvores, pode observar o rio, pode observar as nuvens, pode observar as crianças brincando. Observação é mokuso. O que você observa não é a questão; o objeto não é a questão.

A qualidade do estado de Mokuso, o Zanchin, , a qualidade de estar consciente, alerta - é isso o que definirá o verdadeiro nível de seu aikido e de sua capacidade em se ligar com o Universo.

Lembre-se de uma coisa: Mokuso significa consciência. O que quer que você faça com consciencia em estado de Zanchin é Mokuso. A ação não é a questão, mas a qualidade que você traz para a ação. O caminhar pode ser Mokuso, se você caminha alerta. Sentar-se pode ser Mokuso, se você senta-se alerta. Ouvir os pássaros pode ser mokuso , se você ouve com consciência. Simplesmente ouvir o barulho interior da sua mente pode ser mokuso, se você permanece alerta e observador é isto que se faz no começo e no principio das aulas de Aikido do Instituto Takemussu e em quase todos os dojos tradicionais do mundo que herdaram os ensinamentos de Morihei Ueshiba.

A questão toda se resume em não mover-se adormecido. Então o que quer que você faça é Mokuso.

O primeiro passo para a consciência é tomar-se muito atento ao seu corpo. É muito importante os treinamentos iniciais do Aikido quando se faz os movimentos individuais. Pouco a pouco, a pessoa vai se tomando alerta para cada gesto, cada movimento e pode começar a praticar este estado quando estiver praticando com o parceiro, e, à medida que você vai se tomando consciente, um milagre começa a acontecer: muitas coisas que você costumava fazer antes, simplesmente desaparecem; seu corpo se torna mais relaxado, seu corpo se torna mais harmonizado. Uma paz profunda começa a prevalecer até mesmo no seu corpo, uma música sutil pulsa em seu corpo.

Então, comece a se tomar consciente de seus pensamentos; o mesmo tem que ser feito com os pensamentos. Eles são mais sutis do que o corpo e, naturalmente, mais perigosos também. E quando você se toma consciente de seus pensamentos, você fica surpreso com o que se passa dentro de você. Se você anotar o que quer que passe em sua mente em qualquer momento, você nem pode imaginar que grande surpresa o espera. Você não acreditará que tudo isso está se passando dentro de você.

No cotidiano não estamos alertas, toda esta loucura mental de pensamentos continua movendo-se como uma corrente subterrânea. Ela afeta o que quer que você esteja fazendo, afeta o que quer que você não esteja fazendo; afeta tudo. E a soma total vai ser a sua vida!. Assim sendo, esse homem louco tem que ser transformado. E o milagre da consciência é que você não precisa fazer nada exceto apenas tomar-se alerta. Daí ser fundamental ao se praticar Aikido imaginar que podemos ser atacados a qualquer instante de qualquer lado. Isto vai nos obrigar a praticar Mokuso.

O próprio fenômeno de observar a mente, a transforma. Pouco a pouco o homem louco desaparece, pouco a pouco os pensamentos começam a cair em um certo padrão; seu caos não existe mais, eles se tomam mais como um cosmo. E então, novamente, prevalece uma profunda paz. E quando seu corpo e sua mente estiverem em paz, você verá que eles estão sintonizados um com o outro, há uma ponte. Agora eles não se movem em direções diferentes, eles não estão galopando em cavalos diferentes. Pela primeira vez há acordo, e esse acordo ajuda tremendamente a trabalhar o terceiro passo que é tomar-se consciente dos seus sentimentos, emoções.

Esta é a camada mais sutil e a mais difícil, mas se você pode estar consciente dos pensamentos, então basta apenas mais um passo. Uma consciência um pouco mais intensa é necessária e você começa a refletir suas emoções, seus sentimentos. Uma vez que você ganhou consciência em todos esses três passos, eles se juntam todos em um fenômeno. E quando todos esses três são um - funcionando juntos perfeitamente, zunindo juntos, você pode sentir a música de todos os três; eles se tomam uma orquestra - então o quarto, aquilo que você não pode fazer, acontece. Acontece por sua própria conta. E um presente do todo, é uma recompensa para aqueles que passaram por estes três.

E o quarto é a consciência definitiva, que o toma a pessoa acordada. Ela toma-se consciente da própria consciência e se torna um verdadeiro mestre de Aikido um shihan. Não um shihan que recebeu titulos por politica, mas aquele que recebeu o titulo do proprio universo, por estar Em harmonia com a Natureza.

O corpo conhece o prazer, a mente conhece a felicidade, o coração conhece a alegria, o quarto conhece a sabedoria de viver..

A coisa importante é que você seja observador, que você não tenha se esquecido de observar que você está observando … observando …. observando. E pouco a pouco, à medida que o observador se toma mais e mais sólido, estável, seguro, uma transformação acontece. As coisas que você esteve observando desaparecem.
Pela primeira vez, o próprio vigia se toma o vigiado, o próprio observador se toma o observado. Você chegou em casa se tornou um mestre!


Fonte: http://www.aikikai.org.br/ - Adaptado pelo prof. Wagner Bull

A carroça

Um Imperador, sabendo que um grande sábio do Zen estava às portas de seu palácio, foi até ele para fazer uma importante pergunta:
- Mestre, onde está o Eu?
O mestre então pediu-lhe:
- Por favor traga-me aquela carroça que está lá.
A carroça foi trazida. O sábio perguntou:
- O que é isso?
- Uma carroça, é claro,- respondeu o Imperador.
O mestre pediu que retirasse os cavalos que puxavam a carroça. Então disse:
- Os cavalos são a carroça?
- Não.
O mestre pediu que as rodas fossem retiradas.
- As rodas são a carroça?
- Não, mestre.
O mestre pediu que retirassem os assentos.
- Os assentos são a carroça?
Não, eles não são a carroça.
Finalmente apontou para o eixo e falou:
- O eixo é a carroça?
- Não, mestre, não é.
Então o sábio concluiu:
- Da mesma forma que a carroça, o Eu não pode ser definido por suas partes. O Eu não está aqui, não está lá. O Eu não se encontra em parte alguma. Ele não existe. E, não existindo, ele existe.
Dito isso, ele começou a se afastar do surpreso monarca. Quando estava já afastado, voltou-se e perguntou-lhe:
Onde Eu estou?

Fonte: O samurai

Irezumi - Nekomata

Um intrigante ser, um monstro, além da compreensão humana.

Um espectro de gato que habitou o Japão. Era originalmente um gato comum, que com o avançar de sua idade, ganhou força sobrenatural e teve sua cauda partida em duas, tornando-se um gato-monstro horrendo e assustador. Supostamente o seu pêlo brilha quando ouve uma mentira. Também pode andar sobre duas pernas.

Nekomata gosta de lamber querosene de lanternas em acampamentos, também é capaz de falar e de disfarçar-se como um humano, assim podendo estuprar mulheres e trazer problemas à saúde às pessoas. Ao contrário de famosos Gatos da fantasia o Nekomata gosta de matar as pessoas e comer pessoas.

Fonte: www.irezumi.us

Ikebana

O Ikebana é a tradicional arte japonesa dos arranjos florais. Ikebana significa “a arte de fazer as flores viverem”. Esta arte milenar teve início na Índia, com o propósito de expressar conceitos budistas através da beleza e sutileza das flores. Muito mais do que simples forma de arte, o Ikebana pode ser também considerado um ato religioso. Uma arte com apuração estética aliada à tradição, à elegância e às técnicas milenares de composição. O Ikebana traz em si muitos significados, é uma arte de caráter místico. Seu praticante deve seguir alguns conceitos básicos, mas também tem de estar em perfeita harmonia com a natureza, para que a sua imaginação possa fluir em um belo arranjo.
Apesar de não ter suas origens no Japão, foi nesse país que o Ikebana se expandiu e se transformou, devido à grande variedade e beleza de suas flores, e conquistou um importante lugar nos costumes e na cultura do povo. Desde então os arranjos saíram do templos; ultrapassaram suas influências religiosas e passaram a ser praticados também nas casas, com a mesma dedicação, técnica e disciplina.
Dentro do arranjo deve sempre existir 3 elementos considerados essenciais: Sin, Soe e Tai. Temos aí a trindade existente em vários cultos religiosos, ou simplesmente: O Céu, o Homem e a Terra. Além disso, os espaços vazios são importantes, pois representam o silêncio. É preciso ter o cuidado de não colocar 4 flores diferentes, pois no Japão este número é considerado negativo (o ideograma que representa o número 4 e o que representa a morte têm a mesma pronúncia).
O mais importante do Ikebana sem dúvida é a harmonia. O arranjo deve estar em sintonia com o ambiente, e com as características pessoais de seu autor. Segundo os mestres, o Ikebana possui também qualidades terapêuticas, pois harmoniza e embeleza ambientes. Sua presença pode ajudar na cura de enfermidades ou situações conflituosas. Por causa disso eles são requisitados em ambientes terapêuticos, de medicina tradicional ou alternativa, entre outros.
No Japão feudal o Ikebana era praticado tanto por homens quanto por mulheres. Alguns samurais, ao atingir a maturidade, isolavam-se do mundo e abandonavam seus cargos militares, apenas para dedicarem-se à arte do chá, à caligrafia e ao Ikebana.

Fonte: O Samurai

Que bicho é este?

Um dia, cinco alunos foram submetidos a uma experiência curiosa. Todos, de olhos vendados, foram conduzidos para perto de um animal a fim de identificarem suas características.
O primeiro passou vagarosamente as mãos nas orelhas do bicho e falou convicto: “É algo espalhado, como um tapete”.
O segundo aproximou-se, esticou o braço, pegou na tromba e exclamou: “É uma coisa comprida e redonda, deve ser uma jibóia”.
Tocando demoradamente uma das pernas do animal, o terceiro falou, um tanto exaltado: “Isto não é um animal, é um tronco de árvore”.
O quarto aluno apalpou por várias vezes uma das presas e disse: “Ah! Isto não é um tronco, mas sim uma lança, muito pontiaguda”. O quinto e último, por sua vez, exclamou com segurança tocando o rabo do animal: “Definitivamente isto é apenas uma corda muito fina!”
E porque não entrassem num acordo, os alunos começaram uma discussão acalorada. Afinal, todos eles haviam tocado o animal com as próprias mãos, e por esse motivo, cada um tinha seu próprio ponto de vista. Para acalmar os ânimos, o professor falou com firmeza: “Cada um de vocês está certo, mas cada um está errado também. Todos querem defender o seu ponto de vista mas não querem admitir que o outro possa estar com uma parcela da verdade.”
Ato contínuo, tirou as vendas dos jovens e todos puderam contemplar o enorme elefante e perceber que todas as opiniões tinham seus fundamentos.

Fonte: O Samurai

Teatro Nô

Palco do teatro Nô O Nô é a arte teatral clássica do Japão, um drama lírico que combina a música, a dança e a poesia. O Nô adquiriu a sua forma definitiva no fim do século XIV, graças ao trabalho de Kanami e seu filho Zeami, este último um estudioso da estética inspirada no Zen. Pai e filho inovaram o Sarugaku, uma antiga e popular forma de entretenimento, introduzindo refinamentos estéticos e tornando esta arte teatral a mais rica em simbolismos do mundo.
O repertório do Nô é formado de aproximadamente 240 peças, entre as quais um terço foi escrito por Kanami e Zeami. O Nô cresceu como arte popular durante o período das guerras interfeudais (séculos XV e XVI). Durante a Era Edo, o Nô foi considerado pelo xogunato Tokugawa a cerimônia artística oficial do Estado. Assim, o Nô recebeu proteção e incentivos do governo tendo inclusive vários daimyo que o estudavam e eram conhecidos atores.
A forma teatral alterna diálogos em prosa com declamações poéticas cantadas por um coro. Todos os papéis são representados por homens, mesmo os femininos.
O personagem principal de uma peça é denominado shite, e o seu companheiro, tsure. O ator secundário é chamado de waki, que às vezes também tem um companheiro chamado de waki-zure. O shite é sempre um fantasma, um espírito ou uma criatura fantástica; um ser sobrenatural. O waki é um personagem que vive no presente e tem por função trazer o shite e seu companheiro ao mundo da realidade.
Máscara de criatura fantástica O shite geralmente usa máscaras nas suas interpretações. Já o seu companheiro, o tsure, utiliza-a apenas quando o seu papel é de mulher. O waki e o seu companheiro nunca usam esses objetos. A máscara utilizada pelo shite tem a função de dar uma maior profundidade emocional ao seu personagem, impossível de ser realizada pelo rosto humano, ao mesmo tempo em que o destaca dos outros atores.
O traje do shite é também o mais rico e lustroso, sempre mais bonito do que o dos outros personagens. Essa característica nunca é prejudicada a favor do realismo: mesmo que o personagem principal seja um simples camponês, o vestuário elegante não é alterado.
Máscara de mulher Um curioso ponto é que o Nô em muitos aspectos despreza o realismo, utilizando-se de uma extrema sutileza nos simbolismos. Por exemplo, em algumas peças em que o tsure aparece antes do shite, então se usa uma criança para interpretar o papel de companheiro do shite, de modo que a sua presença não prejudique a atenção dirigida ao ator principal. Isto acontece até mesmo quando a criança representa o papel de um guerreiro, amante da personagem feminina do shite. O ator infantil é conhecido por kokata e nunca faz uso de máscaras.
Existe uma grande variedade de máscaras de Nô, que podem ser divididas em máscaras masculinas, femininas e demoníacas. Entre as máscaras de demônio estão algumas que reproduzem rostos humanos, porém com uma expressão bastante exagerada de alguma emoção.
Máscara de demônio O palco projeta-se para dentro da platéia, para que se dê uma idéia de arte tridimensional que pode ser vista de vários ângulos. O palco é coberto por um telhado de estilo clássico, com a finalidade de recriar o ambiente original que, no Japão feudal, era ao ar livre. O cenário é muito simples e austero; a tela de fundo tem sempre a imagem de um pinheiro estilizado, nunca mudando de uma peça a outra, mesmo que a história se passe dentro de um palácio.
Nos fundos do palco encontram-se os músicos. Os instrumentos tocados são uma flauta de bambu e três tambores, de diferentes timbres e tamanhos. Todos eles são indispensáveis na relação entre a canção, a música e a dança, seja na harmonia da flauta, seja na marcação do ritmo dos tambores.
Músicos e coro do Nô À direita do palco está o coro, formado geralmente de oito pessoas dispostas em duas fileiras, uma atrás da outra. O papel dos músicos é criar uma atmosfera ideal à representação e à dança, sem nunca sobrepujar a interpretação dos atores.
Os trajes do Nô são extremamente formais e de tecido abundante, de modo que os contornos naturais do corpo do ator praticamente desaparecem. Dessa forma, as características da roupagem, somadas ao emprego das máscaras, tem por função apagar a individualidade do intérprete, e aí está a essência e o princípio estético dessa forma de arte. O sutil impacto do Nô está justamente no talento artístico que surge das restrições severamente formais que o caracterizam.

Kyogen

Cena de Kyogen O Kyogen é um gênero teatral inseparável do Nô; tem um caráter cômico e é apresentado entre os intervalos das peças de um programa de Nô. O objetivo do Kyogen é descontrair a tensão, provocar o riso e oferecer um contraste ao drama.
Ao contrário do Nô, o Kyogen dá ênfase ao diálogo falado e coloquial, e geralmente não há acompanhamento musical. Também não existe personagem principal. Ao invés disso, dois atores, ou grupos de atores, são lançados uns contra os outros.

Um programa tradicional de Nô é composto de cinco peças, intercaladas por três ou quatro peças de Kyogen. Atualmente, contudo, é costume fazer programas de apenas duas peças de Nô intercaladas por uma Kyogen, ou até mesmo programas compostos exclusivamente de peças de Kyogen.
Cena de Kyogen Todo programa de Nô apresenta o princípio do Jô-Há-Kyu, independentemente do número de peças. Jô é a introdução, Há, o trecho central, e Kyu, a conclusão.
A arte do Nô e do Kyogen foi passada durante séculos de pai para filho. Existem, hoje em dia, cerca de 1500 profissionais que trabalham com essa forma teatral. Nesse número incluem-se os atores, os professores e os músicos especializados em acompanhar as representações. O Nô firmou-se como forma de arte cristalizada assim como o Kabuki. Embora não tão popular como este último, em sua história de 600 anos o Nô ainda se mantém vivo no Japão e, nesse aspecto, é único no teatro mundial.

Fonte: O Samurai

O aluno perguntou ao mestre:
- Como faço para me tornar o maior dos guerreiros?
O mestre respondeu:
- Vá atras daquelas colinas e insulte a rocha que se encontra no meio da planície.
- Mas pra que, se ela não vai me responder? - retruca o aluno.
- Então golpeie-a com tua espada.
- Mas minha espada se quebrará!
- Então agrida-a com tuas próprias mãos. - Aconselha o mestre.
- Assim eu vou machucar minhas mãos - diz o aluno insatisfeito com as respostas do mestre - E também, não foi isso que eu perguntei, o que eu queria saber, era como eu faço para me tornar o maior dos guerreiros.
O mestre diz:
- O maior guerreiro é aquele que é como a rocha, não liga para insultos nem provocações, mas está sempre pronto para desvencilhar qualquer ataque do inimigo.

Fonte: O Samurai

Teatro Kabuki

O Kabuki é a tradicional forma de teatro japonesa que se originou no período Edo, no começo do séc. XVII. A palavra “Kabuki” é resultado da junção de 3 ideogramas chineses; “ka”, “bu” e “ki”, que significam respectivamente: cantar, dançar e representar. Foi criado por Okuni, uma dançarina de grande talento.
Inicialmente, o Kabuki era uma espécie de drama leve, em que os principais personagens eram cantores e dançarinas. Eles eram acompanhados por instrumentos tradicionais japoneses, tais quais o shakuhachi (flauta de bambu japonesa, de aproximadamente 55 cm), o shamisen e a biwa (instrumentos de cordas).
Essa forma de teatro era cultivada principalmente pelos mercadores da época. Eles expressavam seus ideais nas peças; faziam críticas à sociedade, ao governo e à fatos históricos, através de sátiras, ironias e dramas. Assim, o tema principal do Kabuki era a insatisfação dos mercadores com a classe samurai e o sistema feudal, pois a classe mercantil já gozava de alto poder econômico mas ainda tinha que baixar a cabeça aos seus superiores. Além disso, também era tema do Kabuki o dia-a-dia da classe plebéia.
Entretanto, o que mais atraía o público da época (artesãos, camponeses, mercadores, povo da cidade, etc) eram as atrizes. Através das danças enfaticamente sensuais, o público do Kabuki comparecia a esses eventos não mais pela atuação em si, e sim pela beleza dessas mulheres. Prova disso é que muitas delas eram prostitutas.
Assim, temendo uma séria desmoralização do público, em 1.629 o governo do xogunato Tokugawa proíbe oficialmente a participação de atrizes no teatro Kabuki. Estabelecia-se então uma das características mais tradicionais dessa forma de teatro, que é a atuação apenas de homens. Como o povo já aceitava o Kabuki como forma de arte, os atores masculinos imediatamente substituíram os papéis femininos. Isso gerou o que ficou conhecido por “onnagata” que é a arte do ator de se travestir de mulher e representar como uma atriz. Os “onnagata” são verdadeiros especialistas em interpretar papéis femininos. Para isso usam de artifícios como maquiagem, pó-de-arroz e batom, para que a sua atuação, assim como a sua aparência, encontre o máximo de semelhança com uma mulher de verdade.
Tendo a proibição da atuação feminina durado cerca de 250 anos, e a arte da “onnagata” já atingido quase a perfeição, a atuação de mulheres no Kabuki acabou por perder o sentido. Por isso, ainda hoje os espetáculo são apresentados só por homens, como reza a tradição.
Um característica marcante do teatro Kabuki, além da inexistência de atrizes, é a grande beleza dos cenários. Assim como o cenário, a maquilagem e as roupas das personagens contam com um fascinante e extraordinário colorido; talvez o conjunto mais extravagante do mundo encontrado em peças teatrais. Assim, mesmo que a história não seja muito interessante, o espectador deleita-se com o arranjo das cores.
Logo que surgiu, o Kabuki expandiu-se assimilando características de todas as formas teatrais que já existiam no Japão, tais quais o teatro Nô, o Kiogen e, posteriormente, o Bunraku (teatro de marionetes). Desses, o Kabuki extraiu técnicas e repertório para tornar-se, assim, a forma de teatro mais popular do Japão, ainda nos dias de hoje.
No Japão feudal os atores do Kabuki, apesar de muito populares, pertenciam a baixas classes sociais. Atualmente, porém, esse quadro mudou: os artistas gozam de grande prestígio social. Durante as apresentações de Kabuki é comum fãs fanáticos aplaudirem entusiasticamente seus atores preferidos no momento em que eles entram no palco, durante curtas pausas apropriadas para isso. O Kabuki se firmou como forma de arte cristalizada: mesmo tratando dos temas que tratava há quase 400 anos atrás, continua lotando platéias em todo o Japão.

Fonte: O Samurai

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